Parte 7

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Nanon estava apreensivo com a viagem, pois não sabia como poderia ajudar Ohm com os negócios que ele faria na capital. Exceto os trâmites internos das fazendas, ele não tinha contato com nenhum outro investimento feito pelo chefe.

"Ohm, senhor, eu... eu gostaria de saber... o senhor pode me dizer o que espera que eu faça nessa reunião?"

Metade da viagem de trem já havia se passado, Ohm lia e relia alguns papéis e fazia anotações e isso deixava Nanon ainda mais ansioso.

Ohm piscou algumas vezes tentando assimilar o que ele tinha dito.

"Preciso que você preste atenção ao que for falado. Se você se incomodar com alguma coisa ou suspeitar de algo, me avise." Ohm se encostou no banco e alongou a coluna, esticando os braços acima da cabeça "Você é bom em ler as pessoas." Ele sorriu e Nanon se virou para a janela ainda mais tenso do que antes.

Seria bem mais fácil se ele só precisasse de companhia, mas, pelo visto, seu papel era importante e Nanon não entendia de onde ele havia tirado essa ideia sobre ler as pessoas.

Ohm ajeitou os papéis sobre seu colo e repassou a razão que o motivou a chamar Nanon para essa negociação. Na verdade, ele não precisava da presença dele.

Várias vezes ele havia pensado em como todos os seus comportamentos relacionados a Nanon eram impulsivos, desde a sua contratação, até oferecer a casa e agora essa viagem. O que o acalmava era que, no final, suas decisões se revelaram acertadas porque Nanon era confiável, inteligente e perspicaz.

Ele voltou a ler, porém seus pensamentos se perderam outra vez. Era óbvio que ele era capaz de lidar com essa reunião sozinho, mas era bom ter mais alguém atento durante as discussões dos termos do contrato. Por mais que Ohm tentasse reforçar essa narrativa para si mesmo, era recorrente e estranho admitir que a presença de Nanon o tranquilizava. Mesmo quando ele o desafiava e provocava com brincadeiras irritantes, ficar longe dele fazia Ohm se sentir vazio.

Ele olhou de lado e Nanon parecia distraído observando a paisagem. Sim, Nanon era um bom amigo, Ohm pensou e sorriu.

O trem havia atrasado um pouco e, por esse motivo, Ohm preferiu ir direto ao banco ao invés de passar pelo hotel primeiro.

Ao entrarem no prédio, Ohm cumprimentou alguns funcionários e Nanon percebeu que a postura dele intimidava algumas pessoas, enquanto outras o admiravam no seu terno escuro e com sua gravata clara. Nanon andava atrás do chefe e percebeu que tinha curvado o corpo, como se estivesse envergonhado.

"Tenha orgulho de quem você é!" Seu pai havia dito essas palavras muitas vezes antes deles entrarem no palco e, também, quando se despediram pela última vez.

Nanon se endireitou, ajeitou o paletó claro e ajustou sua gravata escura. Neste momento ele percebeu que os dois usavam tons invertidos nas roupas e sorriu ao constatar isso.

Algumas mulheres, que estavam ao lado deles, suspiraram e ele baixou a cabeça em um cumprimento rápido e sorriu novamente. Uma delas tapou o rosto com as mãos e se virou, envergonhada.

Ohm limpou a garganta e mandou que ele andasse mais rápido.

A sala em que fariam a reunião era pequena e havia espaço somente para que eles andassem até suas cadeiras e se sentassem.

Assim que abriram a porta, Nanon ouviu alguém dizer seu nome e o gerente, que tinha cara de poucos amigos e vestia um terno caro, encarou o seu assistente e depois se desculpou com Ohm, cumprimentando-o em primeiro lugar.

"Vocês se conhecem?" Ohm perguntou para Nanon e apontou para o assistente do gerente.

"Nós estudamos juntos, senhor!" Nanon respondeu, encabulado "Como vai, Tay?" Ele falou para o rapaz alto e sorridente, que estava parado atrás do gerente mal encarado.

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