Parte 10

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Oi!

Escrever a Parte 10 me deu saudade do Patman de Tic Tac Toe.
Se você ainda não conhece, fica aqui o convite para ler, porque é uma fic confort.

Divirtam-se!

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Marie correu até o pai quando eles desceram do carro e Ohm a pegou no colo e girou pelo ar como se ela pesasse menos do que a boneca que ele havia comprado.

A risada dela fez todos ao redor se alegrarem e Nanon sentiu uma certa nostalgia do picadeiro. Fazer as pessoas rirem era a única coisa que o fazia se sentir vivo, mesmo quando tudo na sua vida escorria entre seus dedos como um esgoto podre.

“Você trouxe um presente pra mim?” Marie mal cabia em si de felicidade quando o pai disse que sim.

Nanon estava curioso para ver a reação da garota, afinal ele podia ter se enganado com a sua pressuposição e talvez ela ainda gostasse de bonecas.

Ohm pegou o embrulho grande e ameaçou entregar para a filha, mas depois puxou de volta e Marie ficou confusa.

“Marie, você sempre vai ser meu bebê, você sabe disso, não é?”

A menina revirou os olhos e voltou a sorrir.

“Sim, pai! Eu sei!”

Nanon se divertiu com o tom de voz dela e sabia que havia acertado, ela não se via mais com um bebê, apesar de concordar para agradar ao pai.

“Esse presente é para você não esquecer de que é a minha bebê!” Ohm entregou o embrulho e Marie o encarou por um tempo, suspirou e o beijou na bochecha.

“Eu vou amar todas as bonecas que você me trouxer, pai! Sempre!”

Nanon sentiu um aperto no peito e seus olhos começaram a arder. Quando ele foi para a faculdade, seu pai tinha dito que ele precisaria se virar sozinho, precisaria cuidar de si, deveria estar alerta e ser responsável. Seu pai não chorou na despedida, mas entregou o relógio de pulso e disse que sua vontade era comprar um relógio de homem, desses que prendem dentro do bolso da calça com uma corrente, mas infelizmente os últimos espetáculos não tinham dado dinheiro suficiente.

“Prefiro que você leve algumas moedas a mais, assim você não vai precisar vender o relógio para ter o que comer.” Ele disse antes de abraçá-lo na estação de trem e ir embora.

A voz de Ohm o despertou desta lembrança dolorosa e Nanon voltou a prestar atenção na conversa entre ele e Marie.

“Eu sei que você já não é um bebê.” Ele limpou a garganta “Você já é uma garotinha, uma moça…” Ele olhou de soslaio para Nanon.

Ohm abriu a mala e pegou a sacolinha pequena que Nanon tinha visto ele guardar antes de embarcarem na capital, quando foi buscar o chá. Era um conjunto de brincos e colar  bonitos, discretos e delicados. Os olhos da garota brilharam de encantamento e Nanon podia sentir a apreensão de Ohm por causa dessa reação.

Ela abraçou e beijou o pai repetidas vezes e Tia Godji sugeriu que eles entrassem, pois, apesar de ser o final da tarde, ainda estava muito quente.

Nanon se despediu deles e caminhou para a sua casa e sentiu um leve tremor ao pensar que aquele pequeno espaço coberto por um telhado reformado há menos de um ano era sua casa.

Ele entrou e respirou fundo: ali era sua casa.

Se Ohm o aceitava mesmo sabendo seu segredo, ele poderia ficar ali para sempre. Eventualmente, ele poderia ir para a capital ou outra cidade mais afastada, caso tivesse algum desejo mais forte. Nanon refletiu se seus desejos eram tão irrefreáveis assim. Ele poderia viver sozinho, somente com a companhia de Ohm, Marie, Tia Godji, Tanapon e Chimon. Eles eram boas pessoas e ele não podia pedir por mais nada.

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