Parte 15

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O vento frio da noite não foi suficiente para minimizar as sensações do corpo de Ohm, que corria em direção a sua casa, ainda cobrindo sua vergonha e humilhação. Ele subiu as escadas o mais rápido que conseguiu, tentando não fazer barulho.

“Por quê?” Ele murmurava a cada passo que dava, a cada degrau que subia, ao fechar a porta, a cada volta que dava dentro do próprio quarto em completo desespero.

Ele abriu a janela do quarto e inspirou profundamente o ar fresco, procurando um meio de acalmar seus pensamentos caóticos. Era complicado até de definir exatamente o que estava pensando. Ele olhou para o lado e no porta-retrato que ficava no criado mudo, a esposa ainda sorria para ele.

“Tudo vai ficar bem.” Ela sempre repetia essas palavras quando deitava a cabeça no peito do marido.

“Me desculpe!” Ele falou para o retrato.

A esposa sorria e não o julgava.

“Vai ficar tudo bem.” Ele a ouvia dizer “Não quero que você fique sozinho quando eu for.”

Nos seus últimos dias, ela tinha sido muito mais forte do que ele e o consolava. A consciência e aceitação dela sobre a brevidade dos momentos que teriam juntos enlouquecia Ohm.

“Eu não vou deixar você ir.” Ohm lembrava de ter chorado ao dizer essas palavras e a cada ano isso soava mais infantil. Sua arrogância o fez acreditar que ela não partiria, mas como ele poderia impedir que a doença a levasse?

Ela ria e dizia que ele era bobo.

Ele lembrava dela ter rido e do seu coração se encher de amor e esperança, mas agora já não lembrava mais do som da sua risada.

“Escolha uma esposa que saiba cuidar da nossa Marie.”

“Não quero outra esposa.” Ele a abraçava com cuidado para não a machucar, mesmo que sua vontade fosse prendê-la com força em seus braços.

“Quando a pessoa certa aparecer, não se prenda ao que restou de mim em seu coração e na sua memória.”

Ohm deitou na sua cama, abraçado ao porta-retrato, porque as palavras dela doíam mesmo após todos esses anos.

No ateliê, a porta escancarada deixava o frio da noite entrar e Nanon sentia que aos poucos a sobriedade voltava ao seu corpo. Suas pernas ainda estavam esticadas, com as calças caídas nos tornozelos, e Ohm era um vulto seguindo apressado pelo caminho escuro entre as duas casas.

Ele não acreditava no que tinha feito, no que Ohm tinha pedido, e seu peito subia e descia tentando encontrar o fôlego que havia perdido ao gozar.

Nanon tinha gozado para ele.

Depois de se limpar, Nanon deitou e se enrolou nas cobertas. Sua cabeça girava um pouco por causa do álcool, sua mão doía por causa da briga e sua consciência, aprisionada antes daquele momento de loucura, tentava a todo custo voltar ao seu lugar.

O que ele deveria fazer agora?

Ele só fez o que Ohm pediu e não deveria ser recriminado por isso. Apesar da bebida, ele não estava completamente fora de si e tinha se assegurado de que era a vontade do chefe e entregou o que foi pedido.

O sangue corria e se acumulava na sua virilha e Nanon percebeu que seu pau endureceu novamente ao lembrar do momento em que mandou Ohm olhar para ele e para o que fazia. Ohm havia obedecido, atento e silencioso.

Nanon gemeu e se virou para o outro lado. Ele não podia fazer isso de novo.

Ohm o obedeceu.

Ohm pediu para vê-lo, ele o queria e depois o obedeceu.

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