Alfonso daria a eles exatos cinco minutos a sós antes de entrar correndo na adega. Estava prestes a se oferecer para acompanhar Anahí quando Jamie se levantou, do outro lado da mesa, trocou um olhar estranho com vovó e depois saiu.
Estreitando os olhos, ele tomou um gole de vinho e ficou encarando a porta, esperando que os dois voltassem. Olhou o relógio de pulso. Mas que droga!
Haviam se passado apenas trinta segundos!
— Ora, ora. — Vovó puxou uma cadeira e se sentou ao lado dele. — Nunca pensei que veria este dia.
— Oi? — Nossa, como ele estava sendo ridículo!
— Você escolheu bem. — Vovó suspirou. — Eu mesma a teria escolhido se tivesse como opinar. Mas meus dias de cupido terminaram, como você já sabe.
— Sei. — ele umedeceu os lábios e olhou o relógio outra vez. Um minuto e meio. Que inferno!
— ... então, só preciso que você assine aqui. — Ela enfiou uma caneta na mão do neto. Ele mal olhou para o papel, assinando onde vovó apontava, e então devolveu a caneta. — Três minutos, Poncho. Só se passaram três minutos. Não dá para acontecer muita coisa em três minutos. Bem, exceto... — Vovó deu uma risadinha. — Uma vez, seu avô e eu tínhamos só cinco minutos, e você não iria acreditar no que...
Ele se levantou em um pulo e saiu correndo na direção da casa.
Parecia que a adega dos Herrera tinha saído das páginas de uma revista. Em uma das paredes, havia um bar de granito, com banquinhos altos de couro. Eles tinham até cerveja de fabricação própria, um dos passatempos do pai. Garrafas de vinho enfileiradas ocupavam quase todas as paredes. Parecia o paraíso. Apesar de a companhia não ser tão ruim, não era a que Anahí teria escolhido. Talvez ela só devesse agradecer.
— Então — Jamie pegou uma garrafa de vinho —, que tal esta? Um merlot envelhecido?
— Parece ótimo. — Anahí não dava a mínima. Sem prestar atenção, caminhou até o bar. Havia algumas fotos emolduradas espalhadas pelo tampo. Uma delas era de Alfonso e Andres quando crianças. Maite estava entre os dois, dando um beijo na bochecha de Alfonso.
Maite sempre estivera bem onde ela queria estar. Não que a inveja pudesse acabar com a amizade das duas, mas Anahí que tudo sempre fora muito fácil para Maite.
— Tudo bem? — Jamie se aproximou por trás dela e colocou as mãos em seus ombros.
— Tudo. — Anahí ficou tensa. — Por que a pergunta?
— Porque eu estava falando havia alguns minutos, e você não respondia. Juro que fiquei com medo de que você tivesse parado de respirar.
A risada escapou de seus lábios antes que ela pudesse impedir.
— Ah, aí está — sussurrou Jamie.
— O quê? — Ela se virou para encará-lo.
— A risada. Gosto dela. Você não ri o suficiente.
Anahí umedeceu os lábios e se inclinou para trás, apoiando-se no bar.
— Foi uma semana difícil. O que eu posso fazer?
Ele assentiu.
— Eu sei.
Como é que ele poderia saber? Nem a conhecia!
— Amor não correspondido não é para os fracos. — Ele pegou o saca- rolhas e abriu a garrafa, servindo uma pequena taça para ela e outra para si. Então ergueu a taça, batendo-a na dela. — Como você está?
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Simple Past
Fanfiction"Como vai? Quer dizer, faz tanto tempo!" Na verdade, fazia onze meses, uma semana e cinco dias. Mas quem é que estava contando? Não ela. Alfonso Herrera é rico demais, bonito demais e arrogante demais: qualidades que, anos antes, fizeram Anahí Port...
