A substituição da rainha sacrificada

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(Por Orm)

- Orm – A voz de Lingling irrompeu os meus pensamentos de maneira aflita como se ela estivesse em apuros...
Porque a minha mente sempre a trazia de volta? Não desejava me distrair com essa questão!
Levei mamãe para conhecer Barcelona, foi uma viagem curta de negócios, mas após resolver os problemas mais graves que surgiram na filial consegui um tempo livre para passear com ela.
Mamãe havia me dito que finalmente aceitou namorar o Rudolf e ambos estavam felizes, só que devido ao trabalho, ele precisou viajar por mais ou menos uma semana e pra ela não ficar sozinha resolvi que seria bom uma distração.
A verdade é que eu vi essa oportunidade como uma válvula de escape, ficar em Londres me lembrava constantemente do meu amor pela Lingling.
Poderia ter ficado na casa dela, mas não era o certo a se fazer, então fiz duas reservas no W Barcelona, aproveitamos o SPA, a piscina e a praia, ela ficou admirada com a receptividade do lugar e as acomodações.
Na filial, precisei usar um intérprete para fazer alguns acordos e fiz um levantamento financeiro, desde a última visita que Lingling fez no prédio, as contas da empresa permaneceram em ordem e muitos funcionários pareciam satisfeitos com as modificações que ela impusera.
Eu só dei continuidade...
- Deseja mais alguma coisa, senhorita? – O garçom perguntou após me servir um refrigerante.
- Não, assim está ótimo – Eu respondi, mamãe também não quis mais nada.
Terminamos o nosso jantar e subimos para o andar onde ficavam os quartos no hotel, então mamãe segurou em minha mão e pediu que ficasse com ela um pouco mais, ou seja, ela queria falar comigo sobre alguma coisa que eu não desejava conversar, contudo assenti e entramos no quarto:
- Você ultimamente tem se comportado estranho – Ela disse enquanto colocava a sua bolsa numa mesa – Mal tem ficado em casa e quando está lá, parece perdida em outro lugar.
- Tenho trabalhado muito – Argumentei sentando ao seu lado na cama – Esse cargo tem exigido mais do meu tempo, é muita responsabilidade!
- Minha menina, você percebeu que acabou de me dar uma desculpa esfarrapada? – Ela retrucou sorrindo – Me conta o que está acontecendo...
- Nada demais – Dei de ombros e ela ficou me analisando calada, ainda mantendo um sorriso gentil no rosto.
- Confia na sua mãe Orm – Ela pediu segurando as minhas mãos – Eu prometi após sair da clínica que cuidaria de você como nunca fiz há anos atrás e quero cumprir essa promessa, mas você precisa me ajudar.
- Lingling me deixou uma carta – Eu disse sem sequer raciocinar, pois eu realmente precisava falar com alguém sobre aquilo e se eu não confiasse em mamãe, então em quem eu deveria confiar?
- Imaginei que a sua aflição fosse relacionada a sua noiva – Ela não se mostrou surpresa.
- Ex – Corrigi-a.
- Eu diria ex se não soubesse que tanto você quanto ela se amam, minha menina – Ela ponderou – O que ela escreveu?
- Explicações sobre algumas coisas que aconteceram... A senhora acredita que ela mandou bater no Teodore? – Mamãe me olhou profundamente e sorriu como se já soubesse daquele fato – Você já tinha conhecimento disso?
- Sim – Ela revelou – O que mais ela escreveu?
- Ela confessou que me ama e me pediu para esperá-la – Deixei de lado a parte do cofre, não era prudente falar naquilo.
- E você? Decidiu se vai fazer isso?
- Não sei – Fui sincera – Ela me escondeu muita coisa, mesmo agindo com boas intenções e tem mais um negócio... A minha secretária, Yakaret, me beijou.
- E... – Ela me incentivou a prosseguir.
- Eu retribuí o beijo – A minha resposta a pegou desprevenida, porém ela continuou me escutando – Quando me dei conta do que estava fazendo eu a afastei e em seguida achei a carta.
- Orm, você sente alguma coisa por essa moça? – Mais uma pergunta direta.
- Pensei sobre isso depois e a resposta é não, eu gosto da Yakaret como uma amiga.
Ela assentiu e ficou escutando todo o meu desabafo. Conversamos por horas e assim que me levantei para descansar em meu quarto, mamãe me deu um abraço tão apertado que quase me fez perder o ar, eu gostei.
Ela me aconselhou a refletir sobre os meus sentimentos afirmando que eu era uma menina muito inteligente e saberia o que fazer, para ela a carta de Lingling foi somente um sinal de que a tempestade logo passaria, mas o que haveria depois da tempestade?
Voltei ao meu quarto e após um banho adormeci.

(Por Lingling)

Pentaii apareceu logo pela manhã, o que me foi bem quisto, se ele fizesse a parte dele do plano que elaborei nestes dias conseguiríamos escapar deste casamento.
Havia se passado dois dias desde que falei com o meu funcionário e conhecendo-o como bem o sei, provavelmente estaria hospedado em algum hotel barato próximo da mansão de Plai, trazendo consigo somente o necessário pra não chamar a atenção de ninguém.
Eu só precisava ter alguns minutos à sós com o Rudolf e pegar o envelope de suas mãos, era arriscado, ambos possuíamos esse conhecimento, mas quem disse que a vida seria mais fácil sem correr riscos?
O meu funcionário era um homem ponderado e já trabalhava pra mim há muitos anos, haviam comandos que eu nem precisava ditar, pois Rudolf era meticuloso e inteligente.
Pentaii por outro lado não tinha tal característica, se este casamento prosseguisse ele obviamente seria só mais uma marionete nas mãos de Plai, ou até mesmo nas minhas se eu quisesse:
- Lingling – Ele me saudou ao sair do escritório.
- Pensava em ir embora sem falar comigo? – Perguntei caminhando em sua direção.
- Que tipo de noivo eu seria se viesse aqui e não a procurasse? – Ele zombou.
- Senhor Natthanit – Plai o chamou, porém parou de falar assim que me viu.
- Você também está aqui! – Falei com desdém.
- Eu sou o seu pai, você deve me tratar com respeito – Ele se adiantou – E essa casa é minha, se estou aqui ou não... Com certeza não é da sua conta!
- Se assim o “senhor” diz – Continuei com o deboche.
- Senhor Natthanit, você pode levá-la para sair, porém a traga pra casa antes de anoitecer.
- E quem disse que eu quero sair? – Desafiei Plai sabendo que ele adoraria me contrariar, Pentaii por outro lado ficou temeroso com a minha atitude.
- E quem disse que você tem escolha? – Plai respondeu seriamente – Você ainda não entendeu que é minha propriedade? Eu decido o que você deve ou não fazer.
- Você não é meu dono – Contrariei-o.
- Veremos – Ele ameaçou e se virou pra Pentaii – Leve-a agora.
Senti a mão gelada de Pentaii em minha cintura enquanto o mesmo me conduziu para fora da casa, em seguida entramos em seu carro e saímos de lá.
Ele dirigiu calado prestando atenção na estrada e eu pedi que fôssemos para Surin, havia um restaurante chamado Palang Fine Dining e Chill e era ali que daria ao jogo mais um lance para o fim.
...
Três horas depois Pentaii e eu nos sentamos em uma das mesas, após fazermos o nosso pedido, ele se levantou para ir ao toalete e Rudolf passou por mim, ele estendeu um envelope que logo escondi na parte de trás da minha cintura.
Sussurrei pra ele a palavra amanhã e ele balançou a cabeça em afirmação, sumindo em seguida pela entrada do restaurante.
Pentaii voltou pra mesa sem notar qualquer atividade e só depois que nos serviram a comida ele finalmente falou:
- Já tenho um plano para cancelar o nosso casamento!
- E qual é? – Perguntei enquanto provava a comida.
- Vou mandar matar o Plai – Ele sussurrou.
- Só isso? – Não demonstrei nenhuma surpresa com a sua limitação – Não vai funcionar!
- Porque você está sendo pessimista? É lógico que vai, com o Plai morto estaremos livres.
- Com ele morto... O meu meio-irmão vai iniciar uma guerra só por vingança – Afirmei calmamente.
- Você não tem irmão! – Pentaii retrucou, contudo um tanto indeciso.
- Tenho – Eu disse encarando-o – É o braço direito de Plai, um psicopata bastardo e viciado em prostitutas.
- Seu pai nunca havia me contado que teve outro filho – Pentaii respondeu desnorteado – Como eu não soube da existência dele?
- Ele é um filho ilegítimo, o Plai não pode exibi-lo aos outros... Ao menos por enquanto – Vi o rosto de Pentaii fazer uma careta mostrando a sua decepção, quase ri da cena, mas me segurei – Você sabe que se mandar alguém assassinar o Plai automaticamente você será igual a ele, é isso o que você quer?
- Não – Ele afirmou – Eu só quero voltar pra Boston e viver com a minha Ying!
- Então... – Terminei a refeição e chamei um garçom, pedi um doce típico para comer e continuei o meu raciocínio após o garoto se retirar – Quanto você está disposto a sacrificar de seus pertences para alcançar o que almeja?
- Lingling... – Ele me chamou pensativo, repeti a pergunta e esperei que ele me confirmasse o que eu já tinha refletido – Estou disposto a perder tudo o que o meu pai me deixou!
- Resposta certa! – Sorri para ele com entusiasmo.
...
No dia seguinte Pentaii apareceu conforme havíamos combinado e surpreendeu Plai que tinha uma reunião fora de Kalasin pela manhã, por um momento o meu pai não quis recebê-lo, mas acabou desmarcando o outro compromisso devido a urgência da situação.
Pentaii pediu que me chamassem e logo eu desci, indo para o escritório, nós três ficamos trancados lá enquanto Plai terminava um de seus assuntos pelo celular:
- O que há de tão importante que eu não pude ir a minha reunião? – Plai perguntou ao Pentaii após desligar o aparelho – E porque ela precisa participar da nossa conversa?
- Senhor Plai, desculpe o incomodo, mas eu preciso lhe dizer que não posso me casar com a Lingling! – Ele afirmou.
- Como assim? – Plai perguntou inconformado – Como você ousa desmanchar um compromisso que o seu falecido pai e eu firmamos?
- Não quero ofendê-lo com isso senhor, mas Lingling e eu... – Ele me olhou como se buscasse a minha aprovação – Não vai acontecer.
- Você está me desafiando garoto? – Plai ameaçou furioso – Você sabe com quem está lidando?
- Eu sei e é por isso que eu vim aqui negociar, não quero e nem vou me casar com a sua filha e como o senhor é um homem inteligente vai querer ouvir a minha proposta – Pentaii finalmente usou a própria coragem ao seu favor.
- Diga... Estou lhe escutando – Plai apoiou a cabeça sobre as mãos cruzadas, seus cotovelos na mesa e o semblante bem rígido.
- Estou disposto a lhe oferecer os 75% das minhas ações da IA Toys, o que lhe garantiria total controle sobre a empresa e os territórios que herdei de meu pai, não tenho interesse algum em ficar aqui na Tailândia e muito menos me casar com a Lingling, então acredito eu que ambas as partes sairiam desta transação com os seus próprios benefícios.
- Você me daria a sua empresa só para não se casar? – Ploi pareceu-me duvidar da proposta.
- Exatamente – Pentaii afirmou tirando de uma pasta alguns papéis – Esses são os documentos de doação da IA Toys em seu favor, pedi ao meu advogado que mandasse redigi-lo, caso o senhor aceite... Em breve a empresa e os territórios que me pertencem serão seus e eu poderei voltar para os Estados Unidos.
- Eu preciso pensar – Plai respondeu pegando os documentos e lendo-os.
- Não era o que você desejava? – Eu perguntei fazendo-o me encarar – Desde o começo, você sempre almejou as províncias da família Natthanit e a empresa dele para usá-la em seu benefício.
- É verdade, mas...
- Não tem mas... – Interrompi-o – Pentaii lhe forneceu uma oferta generosa e a única coisa que lhe pediu foi que desmanchasse esse compromisso.
- Isso é tudo o que você quer? – Plai falou com um tom de zombaria.
- Isso é tudo que ele e eu queremos!

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