Ela é a minha maior prioridade!

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(Por Lingling)

Se vocês chegaram até esse capítulo e prestaram atenção em tudo o que eu passei para conseguir ter a minha amada ao meu lado, entenderão porque hoje eu sou a mulher mais feliz deste mundo e preciso agradecer a todos vocês por seu apoio, puxões de orelha e conselhos.
Sem vocês eu não estaria vivendo esse momento...
Senti o meu coração batendo tão rápido que mal conseguia respirar, segurando as mãos dela e diante da juíza que celebrou a nossa união, dos nossos amigos e da mãe de Orm.
Mas voltarei um pouco no tempo, somente duas semanas antes da cerimônia...
...
- Senhorita Kwong, desculpe a minha demora em relatar os acontecimentos da casa, ultimamente o vosso pai redobrou a vigilância e tem monitorado a todos.
- Está bem, mas agora é seguro falarmo-nos? – Levantei-me da cama e observei Orm dormindo, sorri com a bela visão de seu corpo nu e me afastei para longe, saindo do quarto.
- Sim, estou de folga e na minha casa – Uma das empregadas da mansão que subornei me informou.
- Já faz dois meses que voltei, quero saber como a Um Apasiri está? – Perguntei diretamente.
- A senhora Um está bem, assim que a senhorita saiu da mansão o seu pai ficou bastante horas trancado no escritório e a sua mãe no quarto, somente a noite ele pediu para um dos seguranças a chamarem, eu não sei o que eles conversaram lá dentro, mas diferente das outras vezes, ninguém ouviu gritos ou outros tipos de sons.
- E... – Incentivei-a.
- E quando a senhora Um saiu do escritório, ela parecia bem relaxada... Isso nunca aconteceu antes e todos nós ficamos especulando sobre o que se passou lá dentro.
- Você descobriu o que ocorreu? – Perguntei curiosa.
- Não, mas posso lhe afirmar que depois daquela noite a senhora Um tem sido tratada melhor naquela casa e também recebeu permissão para sair da residência, o seu pai não grita mais com ela, nem a agride como antes.
- Ele mudou? – Duvidei.
- Não creio que o senhor Plai tenha mudado senhorita, porém ele está mais afetuoso com a senhora Um, além de lhe dar presentes e liberar as suas saídas, ele autorizou a sua mãe a te ligar de vez em quando.
- E porque ela não fez isso? Não recebi nenhuma ligação ou mensagem dela – Quis saber – Espera... Ela não tem o meu contato! – Lamentei.
- Porque ele anunciou isso hoje enquanto ambos tomavam o café da manhã... Ele entregou a vossa mãe um cartão de sua empresa.
- Ah! Tem mais alguma coisa a dizer?
- Sim, o seu meio-irmão... Senhorita Kwong, ele foi preso por assassinato.
- Quem ele matou?
- Uma prostituta que o esbofeteou na rua, acusando-o de não ter efetuado o pagamento do programa.
- E como o Plai está com isso?
- Ele contratou um advogado criminal e pagou para a mídia e a polícia não divulgarem o caso, acredito que ele fará um acordo com as autoridades daqui para soltarem logo o rapaz... E... – Ela hesitou.
- E o quê?
- Ele disse a senhora Um que o acordo entre vocês será mantido até que algo novo surja, inclusive elogiou a senhorita para alguns dos seus sócios, eles ficaram interessados em conhecê-la.
- Entendo.
- Se houver mais alguma coisa entrarei em contato com a senhorita, mas por enquanto é só isso – Ela garantiu.
- Obrigado, daqui alguns minutos estarei lhe enviando um valor pelos seus serviços e um extra pelas informações ok, tenha cuidado.
- Obrigada senhorita Kwong.
A mulher desligou.
Fiz a transferência do dinheiro para ela e voltei ao quarto, Orm estava sentada na cama fazendo uma expressão de quem ouviu toda a minha conversa.
Contei-lhe tudo que me foi passado e Orm comemorou o meu alívio, não soube explicar o que fez Plai mudar a sua conduta com a minha mãe, porém saber que ela não seria mais brutalizada por ele me trouxe paz.
...
Cumprimentamos os convidados e logo saímos para a festa do casamento, o salão que havia sido alugado estava cheio de rostos conhecidos da empresa, os demais que foram chegando mais tarde eram os mesmos da cerimônia.
Entre eles dois rostos se sobressaíram em meu campo de visão, em um canto escuro eu vi a Yakaret, que eu fiz questão de convidar pessoalmente, me lançar um olhar invejoso e virar taças e taças de champanhe e de uma das mesas, Pentaii, que acabou se tornando um forte aliado com a sua noiva, erguendo a taça em sinal de aprovação.
Confesso que Orm detestou a minha ideia de tê-lo mandado um convite, porém expliquei que se ele não tivesse me ajudado na hora certa, talvez ainda estivéssemos separadas.
No final ela acabou sendo gentil com o Pentaii...
...
- Soube que a minha filhinha vai se casar – Ouvi a voz de Um Apasiri do outro lado da linha e me emocionei, não pensei que sentiria tanto a falta dela.
- Mãe? Que bom ouvir a sua voz!
- Oi meu amor, não está surpresa por eu ter te ligado? – Ela fez uma pausa antes de continuar a conversa – Você já sabia, não é?
- Sim, soube que Plai te autorizou a isso por minhas fontes aí na Tailândia, mas me conta... Como isso aconteceu?
- Simples... Nós dois tivemos uma conversa franca sobre tudo o que vivemos e ele decidiu me dar um voto de confiança... Mas não quero falar sobre isso e sim sobre o casamento, quando vai ser?
- Em menos de duas semanas, nem a Orm e nem eu desejamos esperar mais.
- Imagino que não – Ela soltou uma risadinha, o que me fez rir também – Sabe que eu queria estar aí contigo, não? Mas eu não poderei ir.
- Seria pedir demais! – Não foi uma pergunta, mas ela respondeu.
- Seria!
Conversamos por mais de uma hora, tantos assuntos sobre as nossas vidas, ela sempre carinhosa e dando conselhos sobre a festa, então sugeriu que usássemos vestidos brancos e de modelos diferentes.
No final perguntei como ela soube sobre a minha união com a Orm e ela riu, depois disse-me divertida “Tenho as minhas fontes em Londres!”.
...
Quando tocou a música Eventually, I’m Hurt, segurei a mão de Orm e fomos dançar em meio aos convidados, era uma música lenta que diziam coisas que eu senti quando estava na Tailândia, a medida que a canção ia sendo tocada, eu vi no rosto dela lágrimas, então limpei-as com a minha mão e prometi que nunca mais a deixaria.
Uma promessa que levaria a sério por toda a minha vida.
Ela encostou a cabeça em meu ombro e continuamos dançando até a música terminar, ouvindo palmas de quase todos os presentes, pois Yakaret não disfarçou a sua frustração.
Logo Rudolf pediu-me para dançar com Orm e eu liberei espaço para os dois, eu por outro lado dancei com o Lacuna, o embalo era mais agitado e muitos estavam se divertindo na pista.
Assim que fomos para a mesa, Pentaii veio ao nosso encontro e nos parabenizou novamente, depois me chamou em um canto para tratar de um assunto frágil, é lógico que a minha mulher não gostou, mas nada disse:
- A Ying e eu decidimos recomeçar o nosso relacionamento – Ele confidencializou – Ela recebeu uma excelente oferta de emprego aqui na Inglaterra e vamos nos mudar pra cá no próximo mês.
- Você está bem com isso? Digo... Largar a sua vida em Boston?
- Ah, Lingling... Eu não posso ser egoísta, eu a amo e farei de tudo pra que ela seja feliz, se é isso que ela quer fazer, eu vou dar o meu total apoio.
- Gosto da sua maneira de pensar – Respondi sincera.
- Vou vender os meus pertences lá nos Estados Unidos e vir, talvez demore um pouco, talvez não... Mas ela virá antes de mim e é por isso que eu te chamei aqui, nós temos dinheiro, porém não quero que ela fique sozinha em um hotel, não consigo mais confiar em quase ninguém depois de tudo que a gente passou.
- Eu também não – Confessei.
- Eu sei que estaria pedindo muito, mas... – Ele engoliu em seco antes de prosseguir – Você poderia hospedá-la até eu poder me mudar?
- Preciso consultar a Orm sobre isso Pentaii.
- Tente convencê-la, por favor – Ele implorou e isso me amoleceu.
- Verei o que eu faço – Disse sem garantir nada, quando me virei para voltar pra mesa, Pentaii me segurou e pediu mais um minuto.
- Lingling, eu quero te agradecer por tudo que você fez – Ele falou e senti a sua sinceridade.
- Eu também preciso te agradecer – Sorri e ele me abraçou.
Ao voltarmos, reparei que a Orm estava com a semblante fechado, quando fui tocar em sua mão, ela a recolheu e ficou prestando atenção aos demais, evitando me olhar.
Esses ciúme da Orm às vezes era irracional, mas eu conseguia entendê-la perfeitamente.
...
- Você fez o que eu pedi? – Perguntei a Rudolf.
- Sim – Ele assentiu estendendo um pequeno envelope – Está aqui.
- Obrigado – Conferi os papéis e os guardei na bolsa, então voltei a trabalhar no computador.
- Lingling – Ele me chamou – Você acha que a Orm ficaria incomodada se eu decidir morar com a Koy?
- Bem... – Observei que ele estava apreensivo e eu ri, um homem grande e forte como ele com medo de uma garotinha – Se você continuar fazendo a senhora Koy feliz... Com certeza não!
- Que alívio! – Rudolf respirou aliviado e após se despedir, saiu.
Ele era o meu funcionário mais leal, mas também era um amigo e às vezes agia como se fosse um pai, Rudolf merecia todas as coisas boas que a vida estava lhe trazendo.
Continuei a trabalhar até tarde da noite, não sentia pressa em voltar pra casa, já que a Orm tinha viajado para os Estados Unidos para negociar um projeto com um investidor americano.
Em certo momento a Yakaret bateu na porta e entrou trazendo alguns documentos para serem assinados, enquanto eu fiquei lendo-os, ela foi repassando a minha agenda do dia seguinte.
Desde que eu tinha retornado para a empresa, ela havia parado de comprar o café da Orm, mas continuou demonstrando que gostava dela, Orm sabia dos sentimentos da garota, porém evitou dar qualquer liberdade a ela.
Então quando terminamos o trabalho, abri uma gaveta da mesa e tirei um convite para o meu casamento, abri um sorriso para ela e estiquei o papel, ela o pegou desconfiada e após perceber o que era, sorriu sem jeito tentando disfarçar:
- A Orm e eu queríamos que você fosse, senhorita Yakaret.
- Mas eu não tenho o que vestir para um evento desses – Ela inventou uma desculpa esfarrapada.
- Não seja por isso – Peguei a minha carteira e tirei alguns euros de lá – Compre um vestido e vá ao salão ok, faço questão de sua presença na festa!
- Mas... – Outra vez tentou inventar algo, porém a interrompi com um gesto.
- Pode ir pra casa, obrigado por hoje.
A verdade é que Orm não havia falado nada em convidar a nossa secretária, porém eu queria que a garota percebesse que deveria parar de flertar com a minha noiva.
...
Depois da festa, Orm que permanecia irritada comigo e eu fomos pegar as nossas malas para viajar, seriam apenas três dias para aproveitar a lua de mel, não poderíamos nos dar ao luxo de ficarmos mais tempo devido a empresa.
Ela não tinha ideia para onde iríamos, quando Rudolf me trouxe as passagens, eu as escondi até aquele dia.
Dirigi até o aeroporto em silêncio, ela se contorcendo no banco para não brigar e eu imaginando quando ela falaria algo:
- Eu não posso viajar com você assim – Ela soltou de uma vez logo que estacionei o carro – Vamos voltar.
- É o que você realmente quer fazer? – Peguei as passagens e entreguei a ela – A decisão é sua... Voltamos pra casa ou eu te levo pra Amsterdam?
- Nós vamos para Amsterdam? – Ela arregalou os olhos surpresa, pois era o seu sonho conhecer a capital da Holanda.
- A decisão é sua! – Respondi a encarando profundamente.
- Porque o senhor Natthanit te abraçou? Eu não gostei daquilo – Finalmente ela abriu o jogo, mudando de assunto.
- Gratidão.
- Eu não quero você perto dele, ele é seu ex! – Mais uma vez foi direta.
- Ele só foi um objeto usado pelo pai dele e o meu – Afirmei segurando as suas mãos – Nem ele e muito menos eu temos algo, nunca houve nada entre nós e nunca haverá... Orm, eu te amo... É só você que eu quero na minha vida.
- Lingling... – Ela abaixou a cabeça e olhou para as nossas mãos unidas.
- Da mesma maneira que eu preciso confiar em você... Você também precisará confiar em mim, o Pentaii e eu nos tornamos somente amigos, eu não sinto nada por ele – Levei as mãos dela aos meus lábios e as beijei – Eu entendo você Orm, também não suporto a Yakaret perto de você, porém eu confio no que temos... Percebe? Nós duas construímos uma relação sólida!
- Me desculpa – Orm pediu depois de alguns minutos.
- Está tudo bem ok – Eu sorri e voltei a perguntar – Voltamos pra casa ou eu te levo pra Amsterdam?
Orm abriu um enorme sorriso e gritou em dentro do carro “Amsterdam”.
O futuro era incerto, as questões com Plai... Um Apasiri...
Todavia eu tinha certeza de que eu enfrentaria o mundo para manter a minha mulher segura e realizada, independente de qualquer desafio que aparecesse... Orm era o amor da minha vida e a minha maior prioridade!

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