(Por Lingling)
- Senhor Natthanit, aprovo a sua ousadia – Plai o elogiou – Nunca pensei que você desproveria das coisas que o seu falecido pai lhe deixou com tamanha facilidade!
- Não são coisas que me interessam! – Pentaii retrucou.
- Muito bem, estou disposto a aceitar a sua oferta contanto que assim que tudo for finalizado o senhor deixe a Tailândia o mais rápido possível – Plai devolveu o documento ao Pentaii.
- Isso é algo que pretendo fazer o quanto antes.
- Ótimo – Plai se levantou e apertou a mão de Pentaii – Foi um prazer fazer negócios contigo, agora vocês podem se retirar.
Pentaii acenou positivamente e saiu, eu permaneci sentada encarando Plai:
- Você não me escutou? – Ele disse se sentando outra vez – Pode ir.
- Ainda não, agora vamos negociar a minha liberdade! – Afirmei deixando-o nervoso.
- Você quer negociar comigo? – Ele debochou.
- Foi exatamente o que eu falei – Falei de forma arrogante e ele sorriu.
- Muito bem... Então o que vai me propor? Talvez a sua empresa? Talvez...
- A sua liberdade pela minha – Respondi direta o interrompendo.
- A minha liberdade? – Ele riu mais alto.
Peguei o envelope que o meu funcionário me entregou no dia anterior e entreguei-o a Plai, eu já tinha lido todo o conteúdo que ali existia e sabia que ele não gostaria que tudo aquilo fosse exposto.
Era arriscado desafiar Plai, porém não tinha outra maneira de me ver livre, logo ele encontraria um jeito de me usar para conquistar outra província, já que ele me considerava um objeto.
Matá-lo não seria a solução, então resolvi usar a própria arma de Plai contra ele mesmo, a chantagem.
Plai abriu o envelope e analisou cada papel em silêncio, o sorriso em seu rosto aos poucos foi se desfazendo, aquela cena me deixou feliz, mas fingi indiferença, eu não podia demonstrar qualquer sentimento na frente daquele homem.
Os minutos naquela sala, o silêncio daquele homem analisando cada papel estava me deixando angustiada, mas naquela situação era tudo ou nada, eu sentia que Orm ainda me esperava de alguma maneira, eu também não via o momento de voltar para a pessoa que eu amava:
- Quem mais tem conhecimento disso? – Ele perguntou guardando os papéis no envelope.
- Você não precisa saber – Respondi friamente.
- Como você conseguiu essas informações?
- Também não precisa saber disso.
- Quem me garante que assim que você sair por essa porta não irá expôr esse dossiê?
- Isso não é nem metade do que eu possuo Plai – Afirmei – O “senhor” tem muita sujeira no seu histórico e eu levantei cada uma delas e inclusive algumas provas.
- Entendo – Plai se levantou e deu a volta na mesa ficando de frente comigo, senti suas mãos em meus pescoço, a fúria em seu rosto, os dedos apertado a minha carne – E se eu te matasse agora?
- Você seria exposto – Afirmei com um sorriso, apesar do incômodo de suas mãos em mim, isso o fez me soltar.
Plai andou de um lado para o outro no escritório, às vezes olhava pra mim e em outros instantes para algum ponto além, apesar de sua raiva crescente, ele sabia que eu não era de blefar em uma negociação, ele também havia feito a sua lição de casa sobre mim:
- O que você quer? – Plai perguntou retornando ao seu assento.
- Eu só quero viver a minha vida em paz, longe do “senhor” e dessa casa maldita, quero que pare de perseguir a Orm e a mãe dela e que liberte a Um Apasiri.
- Acha que isso – Ele levantou o envelope – Vale tudo o que você me pediu?
- Acho – Confirmei – Além dos bilhões que depositei em uma de suas contas, não estou pedindo muito!
- E se eu me recusar... Serei exposto? Acha que eu não tenho influência no governo e na polícia?
- Mas não tem na mídia e na Interpol – Retruquei.
Ele me encarou profundamente como se buscasse algo em dentro de mim, por um breve momento eu achei que ele estava admirado com a minha ousadia em enfrentá-lo, mas Plai continuou calado pensando em tudo que havíamos conversado.
Ele outra vez se levantou e foi até o seu cofre, pegando o passaporte que supostamente achei ser de Um Apasiri, então hesitou:
- Vou deixar você ir embora e as Kornnaphat em paz, porém a Um Apasiri é minha esposa, ela não está em negociação – Disse voltando o passaporte para o cofre – Mas se eu morrer antes dela, prometo que ela será uma mulher livre!
- Justo – Respondi.
- Só mais uma coisa – Ele disse assim que me levantei – No momento que passar do portão desta casa pra rua você terá cinco horas pra desaparecer da Tailândia, caso não consiga... O nosso acordo será desfeito e a senhorita Kornnaphat pagará com a vida.
- Está bem – Consenti abrindo a porta do escritório.
- Lingling – Ele me chamou e eu o encarei – Você usou a chantagem para me persuadir, porque simplesmente não mandou alguém me matar?
- Por que? – Eu sorri para o homem parado há alguns passos de mim – Você ainda é o meu pai, independente de tudo.
Plai abriu a boca pra falar, mas não o fez, somente acenou em concordância e retribuiu o sorriso, a medida que fechava a porta o ouvi murmurar consigo mesmo “Pena que nasceu mulher!”, um tom orgulho na voz que de um jeito mexeu comigo.
Sim, ele era o meu pai, nunca pensei em fazer mal ao Plai e se eu o fizesse, como tinha dito ao Pentaii, acabaria sendo igual aquele homem.
Subi as escadas e contei resumidamente tudo a Um Apasiri, inclusive da parte do acordo que endereçava a ela. A minha mãe me abraçou forte e chorou em meu ombro enquanto eu lhe pedi para aguentar firme.
Corri para pegar a minhas coisas que já estavam arrumadas e saí sem olhar pra trás, a sensação que que tive foi de alguém me espionando enquanto andava apressadamente até os portões da mansão.
As ruas estavam vazias e o calor como na maioria dos dias, insuportável.
Acredito ter andado por cinco minutos até Rudolf aparecer em um táxi, assim que entrei ele me saudou e continuamos o percurso:
- Quanto tempo nós temos?
- Cinco horas.
- É o suficiente.
Percorremos por quase duas horas até chegarmos ao aeroporto de Khon Kaen, o meu funcionário já havia comprado as passagens para Londres pela internet, não conversamos durante todo o trajeto, pois Rudolf ficou atento as movimentações exteriores.
Após o check-in, aguardamos mais um tempo na sala de espera e quando o avião finalmente deixou o solo tailandês, eu ainda possuía quase duas horas de vantagem.
Se Plai cumprisse o acordo, eu também o faria!
...
- ... Acho que ele ficou orgulhoso, independente de eu tê-lo confrontado – Afirmei a Rudolf após contar toda a história.
- A senhorita foi bastante astuta logo nos primeiros dias e isso fez total diferença.
- Eu precisava saber o que ele queria pra poder negociar, teve um homem sábio que me disse que às vezes é preciso derrubar o castelo dentro dele.
- É verdade – Ele me sorriu e bateu em minha mão levemente – O rei é a peça mais importante do xadrez, a rainha, o bispo e a torre são as mais fortes...
- Por isso comparei cada vitória e derrota ao jogo, as estratégias e o conhecimento adquirido, ele pensou que eu era fútil... Eu sei que ele me testou ao tentar me persuadir a matar, porém eu não sou igual aquele homem.
- Mas você usou as armas dele contra ele – Rudolf ponderou – Isso lhe torna semelhante.
- Sim e não, infelizmente somos bastante parecidos, mas eu não vou me deixar contaminar por ele ou qualquer pessoa desse meio – Disse olhando para a janela enquanto o avião se inclinava para fazer a aterrissagem.
- Acredita mesmo que tudo isso acabou? – Rudolf quis saber.
- E você? – Encarei-o pensativa – Acredita?
- Senhorita, tenho a nítida sensação de que a sua história com a do seu pai ainda não terminou, se ele ficou feliz com a sua postura, com certeza arranjará uma maneira de contactá-la novamente.
- E é por isso que não vou abaixar a minha guarda Rudolf, nós vamos manter o dossiê de Plai atualizado ok.
- Nem precisa me dizer isso – Ele acenou positivamente e se calou.
Seguimos o restante da viagem de carro, um dos homens de Rudolf que nos aguardava em frente ao aeroporto nos levou até a minha casa, por um momento achei que iria encontrar as minhas coisas cobertas como no dia em que parti, mas para a minha surpresa, a casa estava impecável e Eclair na cozinha preparando uma refeição.
Eu a abracei assim que ela percebeu que havíamos chegado.
Nós quatro sentamos na mesa e comemos, Eclair havia preparado um banquete com os melhores pratos da Inglaterra, o que me deixou muito satisfeita.
Depois que os homens foram embora, Eclair me atualizou de tudo, inclusive da conversa que teve com a Orm e das dúvidas que o meu comportamento gerou a mulher que eu amava.
Fiquei a noite inteira pensando sobre as minhas escolhas e decisões, eu havia errado em manter tantos segredos? Vocês acham que foi fácil pra mim? Vocês não têm ideia de como eu me sentia todas as vezes que precisei me calar e não abrir logo o jogo.
Então após refletir sobre isso e com a esperança dela ter encontrado a minha carta e ter me esperado, eu me levantei da cama logo nos primeiros horários da manhã, tomei um banho demorado e vesti uma roupa confortável, estava decidida a resolver a minha situação com a Orm.
Peguei a minha moto e dirigi até a Bit Company, parei um pouco afastada do prédio e esperei ela chegar, o coração a milhão em meu peito de saudade e acima de tudo... Ansiosa por reencontrá-la.
E lá estava o meu Porsche sendo estacionado na vaga do CEO e logo em seguida a Orm saindo e travando o carro, usando um conjunto de terno preto e óculos escuros, os cabelos claros balançando com o vento e um semblante fechado.
Fiz menção em me aproximar, mas hesitei, pois uma mulher jovem de cabelos castanhos e pele clara chegou perto da Orm e lhe estendeu um copo descartável, o sorriso de ambas surgiu naturalmente enquanto a aflição de ver aquela cena me quebrou.
Várias coisas passando pela minha mente ao mesmo tempo em que eu observava-as entrando no prédio, ela não estavam tão próximas, mas caminhavam lado a lado.
Voltei a pilotar a moto e dessa vez sem destino, novamente precisando pensar...
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ME ESPERA...
RomansaLingling era CEO de uma multinacional na Inglaterra e levava uma vida comum neste país, tendo o trabalho e a sua solidão um refúgio para manter a sua serenidade. No entanto, as suas barreiras são quebradas quando ela conhece Orm Kornnaphat, que apes...
