Isso é cuidado ou ciúmes?

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(Por Lingling)

- Já está amanhecendo – Orm sussurrou exausta por não ter conseguido dormir – Acho que precisarei tomar várias xícaras de café para me manter acordada hoje e conseguir me concentrar.
- Você pode ir mais tarde – Eu respondi acariciando as suas costas nuas, ela se aninhou em meu peito como um gatinho, só faltou ronronar – Hoje vou tomar a frente da empresa e só no início da tarde precisarei de você lá.
- Não sei se isso é uma boa ideia – Ela disse relutante e eu a beijei – O que os outros irão pensar?
- Eu não ligo para o que os outros pensam, meu amor – Continuei distribuindo beijos em sua boca, rosto e pescoço.
Deixei ela fazer o quis comigo no chuveiro, mas quando fomos pra cama eu assumi o meu lado controlador fazendo-a gemer de prazer a noite inteira, isso também me deixou exausta, porém voltar a Bit Company fez a minha bateria recarregar.
Aos poucos eu vi a Orm pegar no sono e fiquei ali admirando-a, me sentindo completa outra vez.
Eu aproximei o meu rosto do dela e disse que a amava, ela sorriu timidamente como se ainda estivesse acordada. Como alguém poderia ser tão perfeita?
Me levantei e a cobri com o edredom depositando no canto de seu lábio mais um beijo e fui fazer a minha higiene matinal, após um banho eu desci para o meu escritório e fechei o meu cofre, o anel de Orm permaneceu sobre a mesa, mas eu sabia que ela o usaria quando levantasse.
Fui para a cozinha e preparei um café da manhã bem farto para nós duas, deixei uma bandeja com tudo que fiz ao lado da cama e após comer um pouco eu logo sai.
Subi na moto e corri até a empresa, observei alguns funcionários entrando no prédio animados, isso me deixou plenamente feliz, a notícia do meu retorno havia sido espalhada por todos os setores e ninguém comentava outra coisa senão isso.
O segurança me deu passagem e depois de agradecê-lo segui para o elevador, outros funcionários vieram me cumprimentar e elogiaram a minha mulher, não podia estar mais orgulhosa dela.
Assim que cheguei a minha antiga sala, eu me sentei em minha mesa e virei a cadeira para as janelas, poxa... Que saudades daquela vista!
- Bom dia! – Uma voz feminina ecoou pela sala de forma alegre e suave – Lhe trouxe um café.
- Bom dia! – Eu girei a cadeira e encarei a secretária de Orm, enquanto um sorriso se alargava em meu rosto percebi que o dela sumia, tive que controlar o desejo de rir e prossegui – Senhorita Yakaret , não é mesmo?
- Sim – Ela tremeu na voz.
- Obrigado pelo café – Peguei o copo descartável com cuidado e o pousei sobre a mesa – Acredito que já esteja ciente de que eu retornei a empresa, não?
- Ouvi alguns comentários – Ela respondeu desviando os olhos.
- Pois muito bem, estarei buscando uma nova secretária pra mim, mas por enquanto...
- A senhorita vai me demitir? – Ela me olhou assustada e eu sorri, mesmo tendo sido interrompida.
- Como estava dizendo... Vou contratar outra secretária, não irei demiti-la – Yakaret me agradeceu aliviada – Mas por enquanto vou precisar que a senhorita cuide da minha agenda e da agenda de Orm, depois que eu arrumar alguém, você passará a cuidar apenas da agenda da diretora de operações, ok? Acha que consegue fazer isso?
- As duas agendas? – Ela pareceu duvidar.
- Sim, nesse período de adaptações pedirei ao financeiro que lhe dê uma bonificação pelo trabalho extra, acho que isso é bem justo.
- Eu pensei que... – Ela continuou me olhando, parecia hesitante.
- Senhorita Yakaret, consegue ou não desempenhar esse trabalho? – Perguntei com o meu tom autoritário não me importando com o que ela pensava ou não sobre o assunto.
- Sim – Ela finalmente respondeu – Será uma honra trabalhar com a senhorita.
- Ótimo, então marque no decorrer deste dia reuniões com todos os nossos setores, também vou precisar dos balancetes da empresa e me mande por e-mail todos os novos projetos ok.
- Sim senhorita.
- Ah, mais uma coisa... A senhorita Kornnaphat só virá mais tarde, desmarque todos os compromissos que ela possuía está manhã e remarque-os para outro dia ou após o almoço.
- Ela não virá agora? – Yakaret não disfarçou a sua tristeza ao perguntar-me sobre Orm e eu assenti friamente.
- Isso é tudo por enquanto, obrigado.
Virei a cadeira dando-lhe as costas e ouvi os passos de seus saltos caminhando em direção a porta, essa garota gostava de Orm e isso me irritou, porém eu não a prejudicaria na empresa, se ela fosse uma boa funcionária e não interferisse nos meus assuntos, no final ela ficaria bem.
Mas se ela pensou que eu a deixaria ficar com a minha mulher... Coitada!
...
Havia se passado das 12 horas e Orm ainda não tinha chegado, aproveitei esse tempo para fiscalizar todas as documentações importantes e conversar com alguns líderes da empresa, também recebi uma ligação do meu diretor de operações da filial na Espanha.
Não me espantei ao saber que os rendimentos foram excelentes, eu confiava no trabalho da Orm e da minha equipe.
Pedi a Yakaret que me enviasse a listagem atualizada dos fornecedores e dos nossos clientes, depois a liberei para o seu almoço, estudei cada progresso e algumas falhas que a empresa enfrentou com a minha ausência.
Quando o relógio marcou 13:15 horas eu saí da sala e esperei o elevador.
Enorme foi a minha surpresa em ver Yakaret e Orm dentro daquele cubículo, elas não faziam nada além de conversar, mas a garota sorria abertamente, Orm por outro lado estava mais séria.
Após me ver, Orm ficou envergonhada e Yakaret desviou o olhar, aquela cena mexeu comigo, porém os meus instintos não gritaram, eu saudei-as e liberei a passagem, só que antes da porta se fechar pedi para a Orm providenciar a sua mudança da sala de CEO para a da COO e ela confirmou com a cabeça.
Lacuna que ficou ansioso em me encontrar fora da Bit Company parecia animado por andar na minha moto, resolvemos almoçar juntos e só quando chegamos no restaurante e fizemos os nossos pedidos que eu lhe contei sobre a minha estadia na casa de Plai.
Ele, por sua vez, me falou do seu ex-namorado e de seu novo trabalho, mostrando-se feliz com as suas realizações, o nosso assunto rendeu um precioso tempo, mas eu devia ao meu amigo aquilo.
Então contei sobre a noite anterior, claro que não falei do sexo maravilhoso que tive e nem da cena patética de Yakaret:
- Voltando ao assunto sobre o seu pai, você acha que ele se esqueceu definitivamente de ti?
- Não, em algum momento eu sei que serei “convocada” a voltar pra Tailândia novamente.
- Pelo menos você não precisará se casar – Ele brincou.
- Se eu estiver casada antes, com certeza não.
Voltei pra empresa, Orm já havia retirado alguns itens pessoais da sala e estava se instalando na outra com a ajuda da secretária, eu odiei saber daquilo, mas não causaria nenhuma cena, eu tinha total confiança na minha mulher.

(Por Orm)

Yakaret continuava me jogando indiretas e isso piorou com o retorno da Lingling, no elevador ela me contou que estava responsável pelas duas agendas e que não sabia se daria conta do trabalho, mas eu a incentivei.
Não tinha certeza se Lingling havia percebido o interesse da outra por mim, contudo não queria que isso se tornasse um problema entre nós duas, a gente tinha acabado de se entender e eu não deixaria que nada e nem ninguém estragasse isso.
Mas havia uma coisa que me incomodava e eu sabia que mais cedo ou mais tarde falaria disso com Lingling, ela precisaria de uma nova secretária e também de uma nova assistente.
Eu odiava a sensação de ter uma nova pessoa ocupando o meu lugar, ou melhor... O lugar que antes era meu, com certeza Lingling a levaria para viajar e participar de reuniões no exterior enquanto eu teria de ficar na Inglaterra, ela teria acesso total a minha namorada e eu a gente só se veria nas reuniões e em casa.
Lingling poderia contratar duas idosas ou duas casadas pra trabalhar pra ela que eu ainda me sentiria desconfortável, já que ela era perfeita, aqueles cabelos lisos e negros, aquela pele reluzente e macia e os lábios... Não, eu não suportava a sensação de haver outra pessoa em meu lugar!
- Orm, a senhorita Sirilak pediu pra você ir a sala dela – Yakaret me informou pelo telefone.
- Estou terminando de avaliar alguns documentos, assim que terminar irei – Eu disse contrariando o que eu realmente queria – Informe a senhorita Sirilak que estarei em sua sala em dez minutos, está bem?
- Sim.
Faltando uma hora para encerrar o expediente Lingling me chamou, estranhei ela não tê-lo feito o dia todo, mas finalizei o meu serviço e fui ao seu encontro, bati na porta e entrei.
Lingling como sempre estava de costas pra mim e olhando a paisagem pela janela, mas faltou um detalhe... O copo de uísque? Ela não estava bebendo:
- Me chamou? – Perguntei porque não soube o que dizer.
- Sim, tranque a porta, por favor.
Assim que eu o fiz e me voltei para ela, Lingling se aproximou de mim e me tomou em seus braços, ela me beijou tão apaixonadamente que me rendi sem qualquer hesitação, eu me entregaria a ela ali mesmo, mas ela parou e me olhou profundamente:
- Você pode me responder uma pergunta?
- Claro.
- A Yakaret e você? Existiu algo entre vocês?
Que droga! Eu deveria mentir ou dizer a verdade? Não soube o que falar naquele momento e Lingling se afastou dizendo que o meu silêncio falava por si.
Eu continuei calada vendo a pessoa que eu queria se afastar e aquilo acabou comigo, então decidi dizer a verdade:
- Quando você se foi sem muitas explicações eu me senti um lixo, continuei trabalhando aqui porque realmente precisava do emprego e porque também gostava do que eu fazia, mas... Depois de algum tempo sem notícias suas eu fiquei bastante carente e acabei deixando a Yakaret me beija, foi tolice... Eu sei, mas tente entender...
- Eu entendo Orm – Ela disse, mas não escutei direito.
- Ela apareceu do nada e me fez companhia e eu... – Então me calei pensando no que ela disse – Você entende?
- Claro que entendo – Lingling se sentou e abriu uma garrafa de água, tomou um gole e deixou a mesma sobre a mesa, só então voltou a me encarar – Eu não devia ter escondido as coisas de você, mas também não podia lhe dizer, então eu te entendo perfeitamente.
- Eu não gosto dela como eu amo você – Confessei ainda perdida em meus pensamentos.
- E eu vou fazer de tudo pra merecer esse amor, mas posso te pedir uma coisa? – Ela me perguntou e eu assenti – Nunca mais deixe aquela garota se aproximar tanto de você, eu estou tentando ser civilizada com ela e só olhar pelo lado profissional, mas se eu...
- Pode deixar, não vai mais acontecer – Eu a interrompi e corri para os seus braços.
Lingling me deixou tocá-la sem reclamar, o quee excitou muito, porém resolvemos sair pra jantar em um restaurante e nos comermos mais tarde!

ME ESPERA...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora