Mais do que qualificada!

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(Por Orm)

A noite havia sido bastante agitada em casa, mamãe ficou eufórica com o retorno do namorado e acabamos pedindo pizza e refrigerante para o jantar, Rudolf não disse pra onde tinha ido, mas fez questão de trazer um presente pra ela, achei a atitude dele muito fofa.
Antes de ir embora ele recebeu uma ligação e se afastou de nós para atender o telefone, estranhei a atitude dele, mas mamãe explicou que o trabalho do Rudolf exigia completo sigilo, já que ele ainda trabalhava fazendo espionagem para pessoas importantes na Inglaterra.
Quando ele saiu era quase meia noite e eu me encontrava exausta, dei boa noite pra mamãe e me recolhi em meu quarto, novamente sozinha os meus pensamentos voltaram pra ela, a minha preocupação em saber como ela estava e se ela conseguiria voltar pra mim, Lingling havia escrito que voltaria, todavia nem ela mesma tinha certeza disso.
Peguei o celular na mesinha da cabeceira da cama e o desconectei da tomada, chequei as mensagens que recebi nessas horas em que estava com a minha mãe, foram todas da empresa, não havia nenhuma da pessoa que eu mais queria notícias.
E outra vez eu chorei, repassando as nossas fotos e lembrando de cada momento em que elas foram tiradas, simplesmente deixei as lágrimas rolarem em meu rosto, sentindo o gosto salgado de cada gota que caía de meus olhos.
Coloquei no contato dela e fiz uma discagem rápida, mas não obtive retorno, o aparelho dela continuava inoperante.
Acabei dormindo com a minha dor e a tristeza que vinha ao pensar em como havíamos terminado.
Quando o dia amanheceu, decidi usar aquele terno preto que Lingling havia me presenteado, peguei o óculos escuros para tampar as olheiras de mais uma noite mal dormida e saí.
Confesso que naquela manhã eu me sentia muito mal humorada, mas a Yakaret me recebeu no estacionamento com um copo de café bem quentinho, isso levantou o meu astral, a garota era atenciosa e bastante prestativa.
Eu peguei o copo de sua mão agradecida e entramos no prédio, passamos pelo segurança que nos saudou gentilmente e pegamos o elevador até o andar da diretoria.
Yakaret foi repassado a agenda em seu tablet enquanto eu fiquei olhando-a em silêncio, realmente... Eu não sentia nada além de carinho por ela e também gratidão por todas as vezes que ela conseguiu levantar o meu astral.
Depois que chegamos em nosso andar, ela foi para a mesa dela e eu pra sala, só nos falamos por telefone ao decorrer daquele dia, evitei ao máximo o contato com as outras pessoas e quando faltava duas horas para encerrar o expediente, a Yakaret me ligou informando que um dos membros da diretoria convocou uma reunião de emergência.
Estranhei, pois a Bit Company continuava crescendo, os lucros haviam aumentado e até a filial voltou a progredir, mas confirmei a minha presença e me preparei para conversar com os outros membros da empresa.
Uma hora após, estávamos todos na sala de reuniões, eu ocupando a cadeira de CEO, três membros da diretoria de cada lado e a cadeira do COO desocupada, pois o diretor de operações saiu da empresa duas semanas após Lingling ir pra Tailândia.
Um dos membros que solicitou a reunião se levantou e fez um discurso enorme me parabenizando pelos últimos resultados enquanto alguns documentos eram distribuídos aos demais, por fim informou que eu estava pronta pra ocupar definitivamente o cargo de CEO da Bit Company, o que significava que a Lingling não voltaria mais.
Ele perguntou aos outros a opinião deles e todos acataram ao meu favor, mas aquilo me destruiu um pouco mais por dentro, eu não queria aquele cargo, eu queria a minha noiva de volta.
Então este homem sorriu pra mim e continuou o seu discurso dizendo que não poderia me promover definitivamente por um mero detalhe e antes que ele se explicasse, o meu coração parou de bater por alguns segundos, o suor frio saiu de meus poros e eu me obriguei a ficar concentrada para não desmaiar.
A porta da sala se abriu e Lingling entrou, a sua aura poderosa e até mesmo intimidante tomou conta do ambiente, ela olhou bem fundo em meus olhos e eu estremeci, me segurando para não abraça-la na frente dos demais.
Controlando a vontade de chorar e ao mesmo tempo me perder em seus lábios, todo o amor que eu sentia por ela havia me preenchido completamente e a saudade dela perto de mim me fez arder como um vulcão prestes a entrar em erupção.
Eu era dela, não restava dúvidas... Mas e ela? Continuava sendo minha?

(Por Lingling)

Corri pelas ruas de Londres como uma louca, a imagem de outra mulher conseguindo fazer a Orm sorrir não saía da minha cabeça e os pensamentos e sentimentos geraram conflitos em dentro de mim me matando de medo e de remorso, eu teria que aceitar que ela havia me esquecido.
Mas o nosso amor era muito forte para ela já ter me esquecido, então porque eu estava duvidando da minha mulher? Essa era a questão... Orm não era mais minha!
Sem raciocinar direito segui com a moto até a praia de Ponquongue Beach, onde demos o nosso primeiro beijo, caminhei pela areia enquanto via as ondas se desfazendo lentamente, o som da água e o cheiro da maresia.
Quase uma hora havia se passado, estava sentada na areia olhando a paisagem, sentindo o sol me esquentar e revivendo na mente tudo o que vivi até o momento.
Apesar de vazia, tinha alguns turistas que passaram por mim e um casal de garotas me pediu para tirar uma foto delas ali, a sensação de vê-las juntas e felizes elevou a minha estima, eu não poderia explicar com mais detalhes o que aquilo me proporcionou, contudo eu senti a certeza de que a Orm ainda estava me esperando e que aquilo que eu vi foi só uma infeliz coincidência.
Eu precisava acreditar nela e no nosso amor!
Voltei para a minha moto, mas parei para almoçar no Bar Beach Grill, foi o primeiro lugar que encontrei e a comida me deu forças para prosseguir em minhas decisões.
Do restaurante liguei para um dos membros da diretoria e depois de uma breve conversa eu pedi que ele agendasse uma reunião de emergência para o final da tarde, eu sabia que teria de voltar em casa e tomar um banho, trocar a roupa que estava usando, pois havia sujado com a areia da praia.
Eclair me olhou desconfiada, porém não disse nada e continuou os seus afazeres.
Quando entrei no prédio da minha empresa, o segurança me sorriu bastante feliz em me ver ali, então me contou que tinha se casado com a namorada e que a menina estava grávida de um mês, eu o parabenizei e pedi que ele me lembrasse que seria pai em alguns meses.
Ele me olhou confuso, mas disse que daria um presente para o bebê e ele agradeceu, me dando passagem em seguida.
Subi pelo elevador e encontrei a mulher que fez Orm sorrir na mesa da secretária... Yakaret?
- Boa tarde! – A saudei – Vim para a reunião da diretoria.
- A reunião começou há alguns minutos – Ela me informou com um tom gentil.
- Eu sei, obrigado – Respondi mostrando a ela o meu cartão, a moça olhou-o e ficou sem reação, o que me fez sorrir – Posso entrar?
- Ah, claro... – Ela disse sem jeito – Claro, é a última porta do corredor... Me desculpa, eu sei que a senhorita sabe onde fica, me desculpa...
- Obrigado – Me limitei a responder seguindo em frente.
Quando entrei, os membros da diretoria me olharam espantados, Orm não reagiu de outra forma, não foi diferente aos outros.
Eu sorri e agradeci a presença dos demais sem desviar o meu olhar da minha mulher, ela estava tão linda como sempre esteve:
- Desculpe o atraso, mas voltei ontem a tarde da Tailândia e só agora consegui um tempo para retomar os trabalhos da empresa, como todos sabem, precisei me afastar por motivos pessoais.
- É uma honra tê-la novamente conosco senhorita Sirilak – Um dos diretores apertou a minha mão.
- É uma honra estar de volta – Retribuí o gesto.
- Lingling... – Ouvi Orm sussurrar, mas me mantive serena para finalizar a reunião.
- Pedi ao senhor Evans que convocasse está reunião para parabenizar a senhorita Kornnaphat por todo o seu desempenho, ainda precisarei me atualizar sobre tudo, mas ouvi bastantes elogios sobre a sua desenvoltura – Afirmei olhando para a Orm – Tomei a decisão de voltar somente hoje, pois precisava descansar da viagem, mas a partir de amanhã voltarei ao escritório e ao comando da empresa.
- Que excelente notícia – Outro membro falou.
- Também irei promover a senhorita Kornnaphat a diretora de operações, cargo que atualmente está vago, acho que ela é merecedora após esse tempo administrando a Bit Company e gerando lucros a empresa.
- Eu não sei o que responder – Ouvi Orm sussurrar.
- Aceite, há muito tempo você deixou de ser uma simples assistente, você merece está promoção! – Respondi seriamente pra ela e voltei a atenção ao restante do grupo – Vocês concordam?
Os seis membros da diretoria assentiram, então terminei de falar sobre a empresa e logo os dispensei, ficando por fim a Orm e eu na sala.
Havia chegado o momento de concluir ou continuar a nossa história...

ME ESPERA...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora