52. O Peso da Perda

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Os passos ecoam mais alto, cada vez mais próximos, até que uma figura surge da escuridão.

Meu coração para por um instante, e minha mão aperta mais a varinha instintivamente. Ele não deveria estar aqui. Não agora.

Eu levanto o queixo, ignorando a onda de medo que me percorre.

— Olá, pai.

Consigo reconhê-lo mesmo com aquela máscara ridícula em seu rosto. Ele retira-a com cuidado, e eu não me surpreendo.

Harry dá um passo para frente, como se fosse um sinal de proteção. Ele se inclina ligeiramente para sussurrar:

— Fique atrás de mim.

Mas não recuo, muito menos desfoco meu olhar. Pois Lucius, o meu próprio pai, estava bem na minha frente. E agora ele sabe. Agora ele sabe de tudo. Não é a primeira vez que enfrento meu pai, mas é a primeira vez que estou do outro lado, abertamente.

Sua voz é cortante, fria. Os olhos, cinzas, sem vida, iguais aos meus, me encarando por meio da máscara que ele tentava usar. Agora não é uma máscara física. A máscara da vergonha. A máscara da vergonha de me ter como filha. Como eu poderia ser tão ingrata por meio de tanto que já me fez?

— Que ironia te encontrar aqui. Tão... corajosa, tão tola.

Posso sentir a tensão do resto dos membros da Armada atrás de mim, era como se estivessem observando minimamente minhas ações. "Será que agora ela vai recuar?".

— Não é ironia, pai, é escolha — digo, tentando manter minha voz firme.

Ele arqueia a sobrancelha, estudando-me como se eu fosse uma peça de xadrez fora do tabuleiro.

— Escolha? — repete ele, quase rindo. — E o que você imagina que essa escolha trará? Liberdade? Ou uma sentença de morte?

Sinto todos os olhares da sala sobre mim, mas não vacilo.

— Eu não vou seguir um caminho só porque você quer, Lucius.

Ele estreita os olhos ao ouvir meu tom formal, como se isso fosse uma traição ainda maior.

— Isso é o que você pensa? Que tem escolha?

Harry finalmente fala, sua voz baixa mas firme.

— Ela tem, ao contrário do que você acha.

Lucius se vira lentamente para ele, como uma cobra prestes a atacar.

— Ah, Harry Potter. E agora, o conselheiro moral da minha filha.

— Não — murmuro, meu corpo em guarda. — Não ouse envolver o Harry.

Desta vez Lucius mantém um tom mais delicado, algo quase incoerente a sua figura fria e arrogante.

— Se queria chamar a minha atenção, Diana, conseguiu. Isso não passa de um joguinho, não é mesmo?

Abro um sorriso sem nenhum indício de humor. Tento controlar minha raiva, o máximo que posso.

— Minhas ambições são superiores das de Draco. Ao contrário dele, não me importo de te desagradar desde que siga pelo caminho certo.

Como se não tivesse importância o que falei, Lucius desvia o olhar para Harry.

— Me entregue a profecia, Potter. 

— Se você se aproximar, eu a quebro. — Harry ameaça, ainda segurando a maldita bola. Ele recua, e me puxa para trás.

Vultos escuros surgem de todos os lados, bloqueando o nosso caminho à esquerda e à direita. Olhos brilhavam nas fendas dos capuzes, uma dúzia de pontas de varinhas acesas apontavam diretamente para nós. Gina solta uma exclamação de horror.

A Outra Malfoy - Harry PotterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora