54. A Marca Negra

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Os passos da minha mãe ecoam pela mansão como uma batida sombria.

O som atravessa as paredes pesadas, dançando entre as sombras das tapeçarias, e se arrasta até mim. Cada toque do salto parece vibrar no mármore frio do chão e dentro do meu peito. Eu sei que ela está voltando.

Meu coração acelera, como se quisesse ultrapassar o som, sair correndo antes que eu tenha que encará-la. Mas não me movo. Apenas respiro fundo, tentando fazer o ar alcançar a profundidade do vazio que sinto.

A porta se abre devagar, sem pressa. Narcisa entra, com o rosto pálido ainda mais tenso do que o habitual. Seu cabelo impecável parece um contraste cruel contra as olheiras que insistem em marcar sua pele. Ela é um retrato de contenção, uma mãe que se segura para não transbordar diante dos próprios filhos.

Me levanto do sofá.

— Mãe — digo, minha voz mais desesperada do que eu esperava. Não sei se é medo ou cansaço. Talvez ambos. — Ele… mudou de ideia?

Narcisa para, ajeitando o broche no colarinho como se precisasse de um instante para reconstruir as paredes em volta de si. Seus dedos tremem, mas ela não olha para mim.

— Não — ela responde, finalmente. A palavra é tão cortante que parece capaz de cortar o ar ao meio.

O nó na minha garganta cresce, mas tento ignorá-lo. Cruzo os braços, como se isso pudesse manter meu mundo estável, intacto.

— Então é isso? Nós vamos virar Comensais da Morte porque o Lucius falhou? — Minhas palavras saem rápidas, mais afiadas do que eu planejei, mas não consigo segurá-las. — Porque ele não conseguiu pegar aquela maldita profecia?

— Diana, não fale assim! — Narcisa me corta, sua voz soando mais nervosa do que autoritária. Ela finalmente olha para mim, os olhos dela tão desesperados que me fazem querer recuar — Não é culpa dele.

— Não é culpa dele? — Dou uma risada seca, amarga — Então é nossa culpa? Minha? Do Draco?

Ela balança a cabeça, e eu vejo a fragilidade no gesto, a luta interna que parece devorá-la.

— Eu fui até Severus porque... — A voz dela falha, e, por um momento, parece que ela não vai conseguir continuar. Então, como sempre, Narcisa Malfoy se recompõe. — Porque eu queria que ele ajudasse. Ele tentou, Diana. Ele tentou.

— Tentou? — Minha voz quebra, e sinto o calor das lágrimas ameaçando surgir, mas me recuso a derramá-las. Não sou fraca. — Isso não é suficiente, mãe. Tentativa não é suficiente quando estamos falando das nossas vidas!

Ela dá um passo à frente, mais perto de mim, e por um instante vejo algo no rosto dela que me desarma: culpa.

— Eu sei — sussurra, quase sem som, como se admitir isso fosse uma traição.

O silêncio que se segue é pesado, esmagador. E então, de repente, percebo que essa mansão, que sempre foi grande demais para mim, agora parece uma prisão.

Eu me viro antes que ela diga mais alguma coisa, deixando-a ali, sozinha com seus fantasmas e sua culpa.

Não há mais nada a dizer. Estamos presos nesse caminho.

Eu sabia que a resposta seria essa, mas ouvir é outra história. Cada passo pela mansão parece ecoar a sentença: Comensal da Morte.

— Você! — grito, quase esbarrando no elfo doméstico que surge correndo ao ouvir meu chamado. O pobre coitado tropeça ao parar abruptamente, os olhos enormes tremendo de nervosismo.

— S-sim, senhorita Diana?

— Traga vinho. Agora.

O elfo hesita por um instante, talvez tentando decidir se minha mãe aprovaria isso, mas um olhar meu é suficiente para mandá-lo correndo. Espero, batendo os dedos contra a lateral da coxa. Quando o elfo reaparece com uma garrafa e uma taça, eu praticamente arranco a bandeja das mãos dele.

A Outra Malfoy - Harry PotterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora