56. Sufoco Silencioso

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É cedo quando acordo. E se posso dizer que dormi essa noite. Tudo tem se tornado agoniante e difícil desde... Bom, desde que aquilo aconteceu.

Draco já tinha comentado com Pansy e Blaise alguma coisa sobre o assunto. Que provavelmente ele e eu estaríamos ocupados demais lidando com outras coisas esse ano. Apesar dos dois não serem burros, me pergunto se conseguem perceber que nossa vida tá completamente ferrada.

Com ferrada eu digo que pela primeira vez depois de muito tempo não sei o que fazer.

— Olha, sei que não nos falou nada mas... Você tá muito diferente. — diz Barb, enquanto caminhávamos pelos corredores.

Ao lado dela, Tory também retribui com um aceno em concordância. Elas eram detalhistas, perceberiam se eu estivesse mal. Mas agora, o que eu menos preciso é de mais problemas.

— Ótimo. Cortei o cabelo e mudei minhas roupas, muito diferente — ironizo.

Tory acelera os passos para me acompanhar. Cada uma delas de um lado meu.

— Pode contar qualquer coisa para nós. — ela diz, calmamente.

Não respondo nada, e isso faz com que o clima fique mais pesado.

O corredor parece mais vazio do que deveria, como se o próprio castelo estivesse tentando me engolir.

A maior parte dos alunos foram proibidos de vir esse ano. Infelizmente, eu não posso me dar o luxo de fazer isso. E não tem nada a ver com os estudos.

Minha marca negra.
Ninguém sabe e ninguém vai saber.

Nos aproximamos da entrada do salão principal, e pela primeira vez durante esses anos, não sinto tanta fome. Nem uma xícara de café ou um biscoito com creme tirava esse aperto no peito que estava sentindo.

— Bom, não acho que eles vão vir para cá. — diz Pansy, conversando de mãos dadas com Draco. Acho que estão namorando — Os comensais. É complicado, eu sei mas, estaria do lado mais forte, o lado do poder.

Ela não sabe do que está falando. Se soubesse... Não estaria falando essas merdas.

Tento evitar revirar os olhos mas não consigo. Aparentemente ela não percebe, ou apenas ignora. Odeio ela.

Quando a mesa da Sonserina começa a se esvaziar e meu irmão com seus colegas se levantam para ir embora, percebo que mal tinha tocado na comida. Mas escuto um sussurro vindo da mesa da Grifnória.

— Diana.

Olho para trás e vejo Hermione, que faz um aceno gentil me chamando para sentar com eles. Hesitando um pouco, me levanto e me sento com ela e os meninos.

— Como você tá, depois de tudo? — Hermione pergunta.

Parece que todos estavam perguntando a mesma coisa.

— É complicado, mas eu vou dar conta. Como sempre — evito contato visual com Potter ao lado do Rony e me viro novamente de frente para Hermione. — E você?

— Normal - ela dá de ombros. — Um pouco assustada, mas todos nós estamos, não é?

Com certeza.

— Nós não deveríamos nem ter voltado para a escola — comenta Rony, que estava ao meu lado gesticulando enquanto mastigava.

Pela primeira vez, Harry não tinha dito nada durante a conversa. Seus olhos estavam fixos em mim. Exceto quando se vira para Rony depois do que ele diz.

— Cala a boca, Rony.

— O que? Tô falando a verdade.

— Dumbledore está aqui para nos proteger. Nada vai acontecer com ele aqui em Hogwarts.

A Outra Malfoy - Harry PotterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora