55. Missão

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O vapor do Expresso de Hogwarts sobe pelo ar, como um lembrete constante de que estamos voltando.

A plataforma está cheia de estudantes apressados, pais emocionados e carrinhos cheios de malas, mas eu me sinto como se estivesse à parte de tudo isso. O cabelo curto sopra com o vento, e eu quase sorrio ao pensar o quanto minha mãe odiou.

— Você... Você está... — Draco disse, assim que me viu com esse cabelo — estranha.

Eu ignorei, é claro. Mas quando minha mãe veio até mim com um rosto quase perplexo, foi mais difícil de deixar passar.

— Querida, mudar o estilo de cabelo não vai mudar nada.

Era verdade. Mas, de alguma forma, eu parecia diferente tanto por dentro quanto por fora.

Draco está ao meu lado, quieto. Ele cruza os braços, indo em direção ao trem enquanto eu cubro as mangas do meu casaco, quase sem pensar. Os olhares rápidos que ele lança na minha direção não dizem nada, mas eu sei o que ele quer falar. Somos diferentes agora. Mudados, marcados.

— A gente não tem intenção de fazer tudo isso - eu sussurro, enquanto entramos. Eu estava tentando convencer a Draco de que poderíamos sair disso.

— Não importa. Já estamos dentro disso, Diana. Não tem como fugir.

A voz dele é cortante, sem vida. Como se ele tivesse desistido de lutar há muito tempo.

— E se eu...

— Não — Ele me interrompe, virando o rosto para mim pela primeira vez — Não pense nisso. Não vamos nos separar.

Nós finalmente chegamos a cabine, e eu me certifico de que a porta está quase trancada.

— Você fala como se isso fosse escolha nossa — rebato, cruzando os braços e desviando o olhar para a janela.

Sinto o cabelo curto roçando minha nuca, reação de uma raiva que mal consegui controlar, mas isso não mudou nada. Nada me liberta dessa prisão.

— Não é escolha — ele diz, quase num sussurro — Mas você é minha irmã. Nunca abandonaria você.

Isso parece o suficiente para acalmar meus nervos por enquanto. Draco e eu brigávamos sempre, ameaças, violência, discussões. Mas eu amo ele, e ele sabe disso.

Em alguns minutos, a cabine já está cheia. Pansy ocupa o espaço ao lado dele, e eu noto o jeito como ela segura o braço dele com um sorriso possessivo. Blaise está encostado na janela, os olhos vagando pela paisagem. Eles conversam, mas eu mal registro as palavras.

— Diana, você está tão quieta — Pansy comenta, um tom de provocação na voz.

— Talvez porque eu prefira silêncio — respondo, sem desviar o olhar da janela.

Blaise solta um riso baixo, e Pansy resmunga algo, mas eu já desliguei. Meu foco está longe daqui, em cartas que ainda estão guardadas no fundo da minha mala.

Harry.

Ele escreveu no meu aniversário. Disse que estava bem, mas é mentira. Cada palavra parecia gritar o contrário.

Somos dois infelizes.

— Cortou o seu cabelo? — pergunta Blaise.

— Gostou? — eu o provoco com um sorriso falso.

— Combina com sua impulsividade - ele brinca.

— Está com inveja.

Nott também está na cabine. Não me importo tanto com isso, não guardo rancor pelo seu pai ter quase o obrigado a me enfeitiçar. Que ironia, agora sou a filha de um prisioneiro de Askaban.

A Outra Malfoy - Harry PotterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora