53. Uma Nova Fase

1.6K 115 66
                                        

— Eu não preciso de droga de remédio nenhum!

Minha voz ecoa pela enfermaria com um pouco mais de meia dúzia de alunos e outras enfermeiras, além de Srta. Pomfrey. Eu estava sendo arrogante, fria e quase completamente insuportável com as enfermeiras que tentavam me ajudar, desde algumas horas atrás em que me obrigaram a trocar nossas roupas um pouco ensanguentadas para verificar se eu ou algum dos membros da Armada estávamos bem.

Neville tem algumas fraturas, Gina, Luna parecem bem mais quietas só que não parecem tão abaladas e Hermione, apesar de tentar ser forte, não consegue. Rony está sendo o mais neutro possível e não sabe como lidar direito com o choque e o pânico que lhe invadiu.

Tonks vai precisar passar algumas semanas no St. Mungus para se recuperar totalmente. Está mais machucada do que nós, alunos.

A jovem enfermeira suspira, cansada.

— Precisa me deixar cuidar de você... Dumbledore deu ordens. Isso é para se recuperarem e...

— Eu não quero me recuperar. — eu interrompo a mulher, com os meus olhos fixos nela — Não mereço isso. Não preciso de cuidados. Fiz coisas erradas desde que pisei nessa escola pela primeira vez.

A enfermeira parece ficar desapontada, mas não insiste. Pelo contrário, ela se vira de costas para pegar alguma outra medicação deixando algumas feridas minhas sangrando.

Não me importo com a dor. Sempre me acostumei com a infelicidade, em lidar com coisas ruins. Sempre fui fácil de lidar com problemas, de lidar tudo por conta própria. Harry também, mas ele não merece isso. Ele não merece nada de ruim que vêm acontecendo com ele desde que tinha 1 ano de idade.

Ele perdeu praticamente tudo. Perdeu os pais, obrigado a viver com os tios infelizes, e agora perdeu a sua única figura paterna. Sua única esperança de uma vida melhor. De ser normal.

Observo Snape passar pelo corredor na porta da enfermaria. Saio da maca com um salto.

— Severo! — eu o chamo.

Snape parece hesitar, mas olha para mim com uma expressão ligeiramente surpresa.

— Srta. Malfoy...?

— Diana — eu o corrijo.

— Você deve se sentar! Ainda não está bem! — Pomfrey resmunga no fundo da sala, mas eu a ignoro.

— Diga o que quer de uma vez, Diana — fala Snape. Mas antes que eu fale, ele continua — Quer saber sobre seu pai?

— Isso também. — engulo o seco — Foi você quem chamou a Ordem da Fênix?

Sua expressão vacila.

— Não sei o que está falando.

— É claro que sabe.

— Não — ele diz, sem se dar o trabalho de olhar para mim diretamente. Seus olhos sem emoção, sem vida.

Mordo o meu lábio inferior um pouco cortado, como se isso me ajudasse a pensar. Snape estava trabalhando para quem, afinal? Ele... Ele e meu pai sempre foram próximos mas, ao mesmo tempo, trabalha para Dumbledore? De qual lado ele é um traidor?

Ele estava pronto para dar de costas, mas eu seguro a manga da sua capa escura. Quase como se implorasse.

— O que ele queria com a profecia? — Snape me olha surpreso, então continuo — O quê Você-sabe-quem queria com aquela maldita profecia? Ela quebrou. Lucius... Meu pai a deixou cair e se espatifou no chão.

— O seu pai falhou na missão dele para resgatar a profecia — ele responde, como se aquilo respondesse a minha pergunta — E não me peça para explicar. Não tenho tempo, e não sou seu tutor.

A Outra Malfoy - Harry PotterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora