Epílogo

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O vento frio atravessava o cemitério, fazendo as folhas das árvores balançarem levemente.

O céu estava tingido de um laranja suave enquanto o sol começava a se pôr, lançando sombras longas sobre as lápides.

Harry se ajoelha diante do túmulo de seus pais, os dedos deslizando sobre as letras gravadas em pedra.

— Oi, mãe... pai — ele começa, a voz suave, quase um sussurro no silêncio ao redor — Faz tempo que eu não venho aqui.

Eu me mantenho à distância, de pé, apenas observando. O olhar de Harry está perdido nas placas de mármore, como se buscasse algo entre as palavras simples.

"Lílian e James Potter
1960-1981".

— Muito aconteceu desde a última vez — ele continua, seu tom firme, mas com um toque de vulnerabilidade — Vocês sacrificaram tanto por mim. E eu... finalmente acho que estou começando a entender o que isso realmente significa.

Ele faz uma pausa, respirando fundo antes de falar novamente.

— Eu pedi a Diana em casamento. — Harry solta as palavras como se estivesse anunciando algo importante para o universo — E ela disse sim.

Sinto uma onda de emoção percorrer meu corpo enquanto me aproximo dele. Harry não desvia o olhar das placas. Ele parecia estar conversando diretamente com seus pais, como se, de alguma forma, soubesse que eles podiam ouvir.

— Eu queria que vocês estivessem aqui para ver isso — ele diz, sua voz suave. — Para me dizerem que estou fazendo a coisa certa. Mas... acho que, de alguma forma, vocês estão.

Quando me ajoelho ao lado dele, Harry se vira para mim, os olhos brilhando sob o último raio de sol. Ele segurou minha mão com firmeza, entrelaçando nossos dedos.

— Eu vou cuidar dela, mãe. Vou amar ela, assim como vocês se amaram. Eu prometo.

Ficamos ali em silêncio por um momento, o mundo ao nosso redor parecendo diminuir, até que tudo o que restava era o som do vento e o calor da mão de Harry na minha.

— Eles teriam orgulho de você — sussurro, olhando para ele — De tudo o que você se tornou.

Harry sorri, aquele sorriso pequeno, mas carregado de significado, que sempre me tocava.

Ele olh uma última vez para as lápides, antes de se levantar, puxando-me suavemente junto com ele.

— É isso, então — ele diz, com um tom mais leve, como se estivesse deixando algo para trás — Está na hora de seguir em frente.

E, de mãos dadas, começamos a caminhar para fora do cemitério, deixando as sombras do passado para trás, enquanto o sol finalmente se punha no horizonte.

O futuro nos esperava. Juntos.

Para você, isso deve ser o fim da história. Mas para nós, era só o começo. O primeiro capítulo de nossas próprias vidas. Onde ninguém pode escrever nem uma palavra se quer, a não ser nós mesmos. Os sobrenomes não importam, nem status social, nem aparência, muito menos alguma discussão boba.

O amor é um sentimento, mas amar alguém é uma escolha que fazemos. O amor muda e evolui, mas é uma escolha que tem de ser feita para manter a relação como uma prioridade. E eu escolhi amar Potter, por todos os dias da minha vida.

— Malfoy.

A voz dele me tira do transe. Seus olhos estão mais brilhantes do que nunca tinha visto, o ar apaixonante em seu tom me traz uma sensação de conforto.

— O que foi? — pergunto, com minha voz quase inaudível.

— Sabe que eu odeio você, não sabe?

Meu sorriso aparece e, por mais que eu tente esconder, já estou sentindo borboletas no estômago.

— Também odeio você, seu idiota.

Mas era completamente mentira.
E nós estamos cientes disso.

Maldito garoto da cicatriz.

A Outra Malfoy - Harry PotterHistórias para pegar e não largar. Descubra agora