XLI Capítulo

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Andreia

= Um Milagre Vindo do Céu =


Abuelo, por quê?

Não, não... Aqui já não há Abuelo e o Mundo parece ser lugar um pouco mais solitário.

— Vamos orar, Andy — Mia implora sentada do meu lado num dos banco da Igreja.

A missa fúnebre do Abuelo foi há uma semana e nessa semana que se passou, vim ser acalmada todos os dias na casa dO meu Pai Celestial.

Na casa do meu avô, tudo parece tão triste; sem vida, vazio. Melhor aqui, em que existiria um silêncio mais acolhedor, se não fosse por Mia que insistiu em estar comigo. Não sei quantas vezes a dispensei e, diferente dos outros, ela não desistiu, então, tive que ceder.

— Mia, estou a meditar.

Isso parece calá-la por alguns minutos, o suficiente para que eu decida aceitar a oração. Eu preciso de orar.

— A graça seja dada Ao Senhor porque O Senhor É Bom, ainda que não recebamos o que queremos.

Essas palavras vindas da minha amiga logo me tiram algumas lágrimas; saudades, ira, tristeza, tudo de uma única vez, caem juntamente com elas.

— Sentimos falta do Abuelo, Senhor, mas sabemos que ele está melhor dO Vosso lado. Que O Senhor vai cuidar dele, assim como, cuidou dele aqui na Terra. Sentimos falta, Senhor, mas percebemos que o Seu agir, que a Vossa vontade é muito melhor que a nossa. Por isso, Senhor, tudo que pedimos é consolo. Consolo também é um milagre, além de que, possamos aprender aquilo que devemos aprender e nos manter constantes independentemente dos desafios. Amém.

— Amém.

Seguro no lenço em minhas mãos. Ele não me pertence, mas sim ao Blue.

Há um semana, ele insistiu que eu ficasse com ele. Também, quer saber como estou e tem tentado cuidar de mim, mas eu não quero vê-lo.

Estou muito envergonhada e muito magoada. Afinal, o Blue admitiu que sabia que o meu avô estava doente, mas nunca me contou. Ele foi capaz de ir ao hospital naquele dia e fingir que estava do meu lado, mas nunca me contou nada. Foi capaz de chamar-me irresponsável e mentirosa, mas nunca admitiu que era um hipócrita.

— Que tal, eu te levar para comer alguma coisa? — Mia sugere e, ainda que, eu negue, ela consegue convencer-me.

Saímos da casa dO Pai de mãos dadas. Por um momento, deixo ela guiar-me e abandono as minhas próprias vontades. 

A Bianca também sabia.

Até o irmão Russel tinha conhecimento, mas eu não. Parece que só eu não sabia.

— Gosto tanto deste café. Eles têm óptimos croissants, mas acho que nunca te trouxe aqui antes.

— Também acho.

Sorrio para minha amiga, mas não demora para o meu sorriso enfraquecer e, finalmente, morrer.

— Vais trabalhar amanhã, não vais?

Assinto devagar, enquanto, nos sentamos separadas por uma mesa. Mia coloca os cotovelos sobre a mesa e mostra um sorriso complacente.

— Se precisares de uma boleia...

— Estou a pensar em deixar o Meet. Não sei se quero continuar a trabalhar para os Thomas.

A minha revelação parece surpreender Mia, ao ponto dela se aproximar um pouco mais, como se duvidasse do que acabou de ouvir.

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