XLVI Capítulo

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Blue Thomas

Tento fazer o custo de mercadoria deste mês, mas parece que toda experiência e conhecimento que tenho sobre o assunto desapareceram para dar lugar a vários suspiros do que aconteceu ontem e mais cedo com a Andreia.

Eu nem consegui guardar o que sinto ao vê-la tão atenta para ouvir o que eu tinha para dizer. E, apesar de querer avançar e avançar cada vez mais, será que fará sentido?

Para começar, ela nem sequer leu a carta que lhe escrevi e foi rápida a descartar a ideia que eu a amo; nem respondeu a minha proposta, mas vou admitir, talvez, tenha sido um choque de realidade para ela; também foi um pouco para mim, mas nada que já não tenha sido cultivado por mais de dez anos no meu coração.

Então, agora, mais uma vez, só me resta ficar na expectativa. Desta vez, pela última vez. Se Andreia não aceitar, então, já não vão existir motivos para fingir que tenho obrigações de querer casar com ela ou protegê-la o máximo que puder.

Não te esqueças de falar com o Pastor ou de orar sobre o assunto para pedir orientação, Irmão. — Ouço o conselho do Russel com muita atenção. Prefiro mil vezes ouvir primeiro o que ele tem a dizer sobre o que aconteceu, do que ouvir gritoa histéricos de incentivos vindos Bianca; só espero que ela não descubra que não foi a minha primeira opção. — E como é que a irmã Andy reagiu com a declaração? Ela quis te bater com as flores ou fugiu o mais rápido que pode?

As perguntas dele, acompanhadas de gargalhadas, esvaziam um pouco mais da minha esperança inicial.

— Não senti nem um pouco a tua falta.

— Eu senti e logo estarei aí para dar a minha bênção pessoalmente — Russel brinca, antes que eu desvie o assunto para a sua própria situação. Apesar de ter ligado para ele para pedir uma opinião para os meus próprios dilemas, também quero saber sobre o seus próprios problemas. — A minha Mãe aceitou conversar com o meu pai, mas nada não correu como esperado. Eles discutiram muito, sobretudo, depois do meu pai ter desaparecido por dias. Mas, ainda assim, espero que eles se reconciliem. Então, ora por mim e ora para a minha família.

— Vou orar.

Ainda tenho muito a falar com o meu amigo, mas somos interrompidos quando vejo o meu avô abrir a porta do escritório para Vienna.

— Falamos depois, Russ – despeço-me quase a contragosto. — E, se demorares muito para voltar, vou vender o teu chapéu.

— Ha ha, muito engraçado. — Rio do seu mau-humor.

Deliberadamente, ignoro as duas figuras que esperam que eu termine a chamada.

— Não sou culpado se esqueceste o chapéu em Cem Dentes. Também, não sabia que ele podia sair da tua cabeça.

— Continua com essas piadas sem graça e não vais a ter a minha bênção. — Reviro os olhos, ainda que ele não possa ver-me. — É isso. Depois!

— Depois.

Vienna coloca uma bandeja em cima da minha mesa de trabalho. Ao lado das folhas em que finjo que voltei a trabalhar. Ela trouxe uma chávena e bolos de cenoura: os meus preferidos. E, apesar de chamarem a minha atenção, ao saber que foi Vienna que os trouxe, parecem até estar envenenados, então, não hesito em negar a cortesia. 

— Não foi assim que te eduquei, Antony. Aceita o presente da menina.

— Não tenho fome, avô. Muito menos com a presença dela aqui.

Logo sou repreendido pelo homem mais-velho presente no escritório, enquanto, Vienna começa a chorar, mas até vê-la chorar agora não me causa nenhuma comoção; pelo menos, quando não olho directamente para ela.

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