XXXIX Capítulo

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Blue Thomas

= Na Corda Bamba =


Investimentos.

A fé cristã, como qualquer outra coisa, precisa de tempo, cuidado e dedicação; quando O Senhor Jesus disse que para segui-lO deveríamos deixar tudo; que deveríamos pensar antes de segui-lO, avaliar os custos, confesso que não pensei que seria tão difícil.

Era tão jovem e cheio de mim que pensava saber tudo; não medi os riscos, assim como, não medi quando marquei um encontro com Tadeu e agora pergunto-me se estou a dar o mesmo passo ao marcar outro com a minha mãe.

Faz meses desde a última vez que a visitei. Estive ocupado, mas não o suficiente para vê-la, apenas para evitar pensar em como a nossa família dissolveu-se com tanta facilidade.

Ela se apaixonou por um criminoso; queria deixar o meu pai por ele, queria deixar-me por causa dele! Ajudou-o a cometer um novo crime e agora ela está presa, afinal, Tadeu não a levava tão a sério. Do mesmo jeito que ela não levava a nossa família à sério.

— Meu Blue, querido... — a minha mãe diz num tom animado, apesar de parecer mais envelhecida e doente enquanto segura o telefone que nos permite ter uma conversa. — Achava que nunca mais virias.

— Aqui não é exatamente o melhor lugar do mundo.

Não uso um tom ríspido, mas sou verdadeiro. Quem gosta destas paredes cinzentas? Do ar inevitavelmente cheio de desesperança e crueldade?

Sim, o pastor Josiah falou sobre visitar os presos e eu já tentei, mas não consigo. Nem sequer consigo visitar a minha própria mãe, quem dirá estranhos?

— Nunca disse que era, mas eu estou aqui e se quiseres ver-me, terás que vir. Até a Bianca que nunca gostou de mim vem me ver mais vezes que tu, que és meu próprio sangue. E sabes que mais? Ela quer ajudar-me a sair daqui o mais rápido possível.

— Eu já lhe pedi que não fizesse isso — conto, sem rodeios.

— O que? — Surpresa e horror brilham na cara da minha mãe. — Repete!

— Lembro-me que na época do julgamento, o juíz foi complacente contigo, mãe. O tempo que te deram, com certeza, não é o suficiente para pagar por tantos danos.

— Tão parecido com o teu pai! Vocês sempre se fazem juízes quando não são. E se vieste aqui me desprezar, não preciso da tua companhia. Mas, manda a Bianca voltar.

— Lamento, mas não farei isso.

— Ainda me consideras como mãe? O que vieste fazer aqui, afinal de contas?

— Preciso apanhar o Tadeu. Ele tentou me atacar.

Isso parece deixar a minha mãe surpresa e nem mesmo quando a avisam que falta pouco para o tempo de visita terminar, ela deixa de parecer tão abalada.

— Aquele cretino nunca faria isso... — Amy reclama. — Magoar o meu próprio filho? Que ousado.

— Ele também começou a investigar a minha vida e das pessoas à minha volta. Acho que ele vai nos atacar, então, quero apanhá-lo antes disso.

— Tu andas atrás dele?

— Há muito tempo.

— Então, fala com a Bianca e talvez tenhamos acordo.

[...]

Fixo o meu olhar no edifício do hospital, desejando dentro do meu coração poder entrar sem os medos que abalam o meu coração.

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