XLIII Capítulo

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Andreia

Como de costume, ajoelho-me em frente à minha cama, com a minha Bíblia aberta.

— Senhor, preciso de Vós! Eu não aguento... Sozinha, eu não aguento. Por favor, por favor, eu preciso dO Senhor.

Decido ler o Salmos 11; o salmista põe a sua confiança nO Senhor, eu também desejo colocar. Mas, diferente dele, acho que desejo fugir para os montes, como uma ave fugir daqui.

Afinal, eu não sei o que se seguirá daqui para frente. Mas... Eu tenho fé que se deixar-me cair sobre Ele, não vou ficar para sempre prostrada. Ainda que *receio não ter forças para resistir.

Não parece fazer sentido algum resistir ou abrir a porta para a pessoa que bate de modo frenético. Tenho medo que seja a Bianca novamente com um dos seus terríveis puxões, mas, então, lembro-me do que a senhora Vita prometeu alguns dias atrás quando comentei que já não aguentava trabalhar para os Thomas.

Então, corro até o banheiro, lavo a cara para tentar disfarçar um pouco da minha tristeza e com o mesmo ânimo fingido corro até à porta.

— Andreia, minha querida — A senhora Vita faz o seu cumprimento muito elegante enquanto ofereço-lhe espaço para entrar na, agora, minha casa. A casa que o meu avô deixou para mim. — Eu sei que combinamos que viria te buscar às dez horas, mas previ que até estas horas ainda não estivesses preparada para conhecer o teu novo empregador. E que pena que estava certa.

Sorrio pelo cuidado para a mulher. Desde que deixei o concurso, ela oferece-me a proposta de trabalhar para um homem que queria um fotógrafo freelancer para fotografar as suas propriedades em Cem Dentes. Ao início, pensei em negar; lá no começo, pensei que poderia aguentar um pouco mais da traição daqueles dois, mas, logo à Vienna encontrou um meio de me perturbar, o senhor Thomas de lembrar que odeia a minha presença e não hesitei em pedir demissão.

Sim, antes era uma ideia estranha, mas agora sei que, não tendo outras muitas opções depois de deixar o Meet, esta na verdade é uma óptima saída.

— Olha só a minha menina — A senhora Vita endireita alguns dos meus fios na minha cabeça. É um pouco engraçado vê-la fazer isso, sendo que sou mais alta que ela, mas seu acto maternal é enternecedor. — É quase como se estivesse a vê-la mais uma vez.

— Ver quem, senhora?

— Uma pessoa que eu amei muito e perdi de modo trágico.

Ela diz essas palavras tão naturalmente, mas parece arrepender-se. A senhora Vita quer que vá tomar um banho, colocar-me apresentável para o meu novo trabalho e não ouso *desacordar dela. Não quando ela insiste que algumas coisas ficam melhor no esquecimento.

Então, rapidamente, trato de fazer tudo que ele me pediu, mas quando finalmente estou a pentear o meu cabelo, percebo que tenho outra chamada perdida do Blue; desta vez, não o ignorei de propósito, mas não faz muita diferença.

— Assim está melhor. — A mulher elogia ao ver-me num estilo de roupas casual: um ténis branco, uma camisa da mesma cor e calças pretas. — Mas, o teu cabelo talvez fique melhor preso. Posso cuidar disso?

Concordo com a ideia ao pegar uma escova e elásticos para a mulher. Ela não parece ter muito jeito ao escovar o meu cabelo, mas parece que aos poucos, como se ela se lembrasse de como, ela escova-o e prende-o de um modo bonito, tudo isso enquanto cantarola.

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