XLVII Capítulo

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Andreia

= Deixar Ir =

Recebi um mês para tirar as fotografias necessárias da residência do senhor Pavão. Sei que não foi de propósito, mas ouvi alguns trabalhos da residência comentar que mal eu termine o meu trabalho, o Pavão não será obrigado a voltar ao seu antigo lar; os pais saberão que ele ficará bem em Cem Dentes.

Ouvi até mesmo que tudo isso é para fugir de um casamento e por isso mesmo ele tinha sido obrigado a não trabalhar muito na companhia de outra mulher, por isso, fui mal recebida logo no primeiro dia. Mas, nada disso pode mudar o desejo que eu tenho de terminar o trabalho em menos tempo ou de impedir que o Blue faça alguma loucura.

Pai, eu não me fiz cúmplice dele?

Nunca o vi tão furioso na sua vida e, apesar de não querer um homem louco a minha trás, quero mais a segurança dele.

Bianca, fala com ele! — pedi de modo desesperado quando a vi mais cedo, mas num suspirar derrotado, a Bianca garantiu que se eu mesma não conseguia impedi-lo, só um milagre de Deus poderia.

Então, dobrei os joelhos; orei e orei com o máximo de passagens que falam sobre a vingança e o quanto os nossos caminhos podem parecer certos aos nossos próprios olhos, mas que para Deus podem ser errados.

Quando me faltaram forças, decidi então avaliar as fotografias e enquanto espero que finalmente toque duas da manhã para dormir, ou pelo menos tentar, continuo a vagar de uma fotografia para outra e a editá-las antes de pedir uma segunda opinião.

O Blue foi muito gentil ao aceitar levar-me até à casa do meu avô para buscar meu computador e vi um sorriso crescer quando também escolhi, entre outras coisas, levar a minha caixa das cartas comigo. Ao início estava tão ansiosa para ver o que estava ali e entender porquê ele insiste tanto que cada uma das cartas foi escrita para ele e não Bernard, mas agora um terror mortal faz-me duvidar se devo abri-la.

E se for verdade?

Terei eu amado durante tanto tempo o Blue sem mesmo saber?

E se for mentira?

Vou descobrir que não o amo. Ele vai se afastar, nunca mais vai querer saber de mim. E lá se vão os seus sonhos de casamento comigo.

Coloco a mão sobre o coração. Depois que o George trocou-me pela Avril, nunca pensei que um dia voltaria a amar outro homem; pelo menos, não ao ponto de pensar em qualquer tipo de relacionamento. As minhas ideias tinham apenas parado naquela de que eu não confio em mim mesma com ideias de romance.

Sempre que penso neles, acabo por pensar demais; pecar em pensamentos, seguir caminhos obscuros, mesmo se tudo se tratar apenas de receber um inocente buquê das minhas amadas tulipas.

1:54

Menos de sete minutos, mas já estou na cama. Apenas com a luz do abajur para me fazer companhia e meus inconstantes pensamentos. Logo, logo, finalmente, deixo os meus olhos pesarem, até que sou interrompida por uma chamada.

É a Rebecca.

Espero deixar para atender noutro momento. Estou cansada demais para lidar com novos problemas, muito menos quando vi no seu estado vídeos em que ela estava embriagada, na companhia daquele homem que ela disse que tinha deixado para trás, mas ela insiste, duas, três vezes, então, acabo por ceder.

— Becca?

Espero que ela responda logo, mas só posso ouvi-la chorar baixo, então, decido sentar-me.

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