Andreia Thomas
Ajuda-me, Senhor!
Cubro os olhos; não importa se estou sentada numa terra batida, numa rua escura, aparentemente, sozinha. Não cesso as minhas lágrimas, apesar de não permitir que um choro alto saia dos meus lábios ou de estar logo a frente da casa do meu avô.
— Andreia? — Uma voz conhecida chama a minha atenção, mas não levanto a cabeça, nem mesmo quando uma mão pousa no meu ombro direito. — És mesmo tu. O que fazes aqui e assim sentada? Não tenho que te avisar que esta rua é perigosa, não é?
Com essas perguntas, permito-me mais alto; triste pelo que acabou de acontecer, mas aliviada pelo socorro de Deus que recebi.
Enquanto isso, Amanda Reynolds, a irmã da Rebecca, ajuda-me a levantar e leva-me até casa; até o momento que eu ofereço uma chávena de chá, ela não pergunta nada, prefere apenas absorver a situação em silêncio, mas tão logo toma o primeiro gole, ela diz:
— Quem te fez isso, merece ter uma morte dolorosa.
Fico chocada com essa frase, ainda, que por alguns segundos, sinta-me tentada concordar. Sua calmaria ao pronunciar-se também é chocante.
— Mas, pelo modo como estás assustada, duvido que terias coragem de devolver na mesma moeda. Sabes, olho por olho, dente por dente.
Interrompo a bebida, que acaba por se tornar amarga.
— Não sou chamada a responder na mesma medida o mal que as pessoas me fazem, Amanda. Ninguém é.
— Tal como pensei. — Ela sorri ao indirectar os seus cabelos pretos. — Agora quero saber o que aconteceu. Quem te assustou assim?
— Eu não sei... Podes dar-me licença? Tenho que telefonar para uma pessoa.
Amanda assente devagar e começo a lembrar-me da maneira como Rebecca se refere à própria irmã, às vezes:
Ela pensa que a resposta para tudo na vida é violência. Chega a perder a consciência por causa disso.
Fico triste com o pensamento, mas logo ele é substituído com esperança quando Bianca atende à minha primeira chamada.
— Andy, que bom que ligaste! Estava mesmo a falar sobre ti e como não seria mal nomear o meu filho de André quando nascer, mas isso só será possível se voltares a falar comigo e se o Terrence concordar.
Bianca ri enquanto continua a sua conversa animadamente, mas toda essa animação apenas faz-me começar a chorar alto.
— Andy? O que aconteceu?
Apesar de querer explicar tudo de uma vez, sinto que todas as palavras, assim como o ar dos pulmões, desapareceram. Nenhuma parede do meu quarto ou teto parecem ajudar. Nenhuma ideia parece surgir.
— Estás a me assustar.
— Podes vir me buscar, Bianca? Por favor?
Um curto silêncio se ouve na linha, depois, uma conversa rápida entre Bianca e Terrence antes dela voltar a prestar atenção em mim. Chego até a pensar que por causa da minha ousada recusa ontem, ela já não me queira ajudar. Mas...
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Mitigar
RomantikAndreia é uma jovem cristã que deseja recomeçar os seus passos depois de receber a conversão. Numa nova cidade, mas com pessoas que muito marcaram as suas lembranças, ela terá que lidar com as consequências dos seus erros passados, enquanto, tenta r...
