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— Pensaram em alguma coisa? — perguntou Ártemis ao se aproximar dos amigos na sala de descanso.

Ela se jogou em uma das poltronas, balançando uma das pernas de forma inquieta enquanto esperava uma resposta.

— Se acalme, Ártemis — disse Dominik, retirando um livro pesado de dentro da mochila. — Precisamos pensar em cada detalhe. Você não conhece Koldovstoretz. Entrar aqui já não é fácil, mas sair é ainda pior. E nem é por causa da diretora. Olhe isso.

Ele abriu o livro em uma página marcada, revelando desenhos antigos do castelo e dos terrenos ao redor da escola.

Ártemis se inclinou para ler.

"Vladimir Romanov fundou a escola de magia no ano de 862 de nossa era, sob o pacto de sangue firmado entre os primeiros magos eslavos e os feiticeiros nórdicos da linhagem de Rurik. Para proteger Koldovstoretz dos perigos do mundo dos homens e da fúria do inverno siberiano, as fundações da fortaleza foram erguidas sobre a Linha Ley do Leste, tornando suas coordenadas geograficamente instáveis."

"Os terrenos da escola não possuem fronteiras físicas, mas sim barreiras elementares conhecidas como O Abraço de Gelo. Qualquer estudante ou intruso que tente cruzar os limites dos domínios sem a permissão expressa do Diretor perderá o senso de direção instantaneamente, sendo condenado a caminhar em círculos perpétuos pelas estepes congeladas. Além disso, as florestas circundantes são habitadas por colônias protegidas de Leshiye — os guardiões das matas — e as águas do lago negro adjacente abrigam as Rusalkas, cujos cantos hipnóticos arrastam os desertores para as profundezas sob a camada de gelo eterno."

Quando terminou de ler, Ártemis ergueu os olhos lentamente.

— Fala sério. — ela passou a mão pelo rosto, incrédula. — Como diabos eu vou sair daqui com monstros no lago e sem senso de direção no meio dessa neve toda?

— Pelo menos temos uma boa notícia — disse Alexei.

Ártemis olhou para ele.

— Qual?

— A neve está derretendo.

Ela franziu a testa.

— O quê?

— O inverno está chegando ao fim. Ou você achou que nós vivemos no meio da neve o ano inteiro?

Ártemis ficou em silêncio por alguns segundos.

— Sinceramente? Achei que sim.

Alexei soltou um suspiro e revirou os olhos.

— Vocês, europeus, realmente possuem uma inteligência impressionante... de um burro.

— Você só diz isso porque teve a sorte de nascer na parte asiática — respondeu Ekaterina, apoiando o queixo na mão. — Aliás, quando vai voltar a usar seus micro shorts?

Alexei abriu um sorriso convencido.

— Ah, muito em breve, querida. Minhas pernas nunca estiveram tão definidas.

— Homens russos e suas habilidades de subir em árvores — provocou Ártemis, olhando para os dois. — Agora podemos voltar ao assunto?

— Certo, podemos tentar... — começou Dominik, pensativo. — A sorte?

Ártemis franziu a testa.

— Como?

Dominik deu de ombros.

— Você tem um sangue poderoso, não tem? Talvez possamos usar isso ao nosso favor. Seu pai deve ter deixado algum tipo de magia, alguma herança ou qualquer coisa assim.

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⏰ Última atualização: Sep 26 ⏰

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