Queridos leitores,
Peço desculpa pela minha ausência e pela demora em trazer novas publicações. A faculdade tem exigido bastante de mim nestes últimos tempos — muitos trabalhos, prazos apertados e responsabilidades de uma futura enfermeira acabaram que consumindo grande parte do meu tempo e energia.
Agradeço de coração pela paciência e por continuarem aqui, mesmo com a minha demora. Prometo que em breve trago mais conteúdo com todo o carinho e dedicação de sempre.
Obrigada por estarem comigo nessa jornada! Vamos a Dely e a sua familia.
********************************************************************************
Minutos antes de Delcia acionar o seu poder
"Nunca pensei que um dia me esconderia entre paredes frias, enquanto o meu povo... minha família... sangra lá fora. É insuportável ser quem eu sou. Uma inútil. Fraca. Sem poder. Sem valor. Tudo o que dizem sobre mim, por mais que machuque, talvez seja a mais pura verdade. Eu não sirvo pra nada. É um milagre — ou uma ironia do destino — ter Leny ao meu lado como marido."
Ela se encolheu contra a parede de pedra do salão, os joelhos dobrados contra o peito, abraçando-se como se pudesse impedir o coração de despedaçar. Lá fora, o mundo parecia desabar em gritos, açoites de aço e fogo, misturado aos brados de guerra. Cada som atravessava o peito de Dely como uma adaga quente.
"Esses gritos... Meu Deus... estão me rasgando por dentro. O que eu faço? O que eu faço? Eu preciso ajudar. Eu preciso fazer alguma coisa."
O desespero tomou forma. Ela não era apenas uma mulher trêmula num canto qualquer — era uma rainha, uma mãe. Mas o que é uma rainha sem magia? O que é uma mãe que não consegue proteger nem os próprios filhos?
"Deus, por favor... Eu nunca reclamei da minha falta de poder. Nunca! Sempre aceitei, sempre agradeci, por mais que doesse. Mas agora... agora eu não consigo mais fingir que está tudo bem. Eu sinto... sinto tanta dor por não conseguir lutar, por não poder sequer proteger quem mais amo. Isso me consome... me mata por dentro."
De repente, a voz de uma mulher rompeu o silêncio do salão como um trovão:
— Protejam o rei! Vão!
A frase ecoou no salão e reverberou no peito de Dely como uma batida surda. Seu coração descompassou, desabando num ritmo frenético. O ar pareceu sumir de seus pulmões. Ela se curvou, agarrando o peito com as mãos trêmulas, tentando puxar o ar que já não vinha mais. O colapso alveolar começou — seus pulmões pareciam desabar como se ela estivesse se afogando em terra firme.
Ela tentou lembrar como respirar, mas o pânico a impedia. Já tinha passado por momentos de tensão antes, inúmeros... Mas nunca assim. Nunca como agora. Porque agora ela era mãe. Agora havia um monte lutando do outro lado daquela porta. E ela não fazia ideia do que se passava além do que a protegia — ou a aprisionavam.
Ela podia sair. Sabia que podia. Ninguém a trancou ali. Mas se saísse, causaria mais mortes. Seria um fardo para aqueles que lutavam para defendê-la. Sabia disso. Sempre foi sincera consigo mesma, mesmo quando a verdade doía. Sempre foi racional. Sempre se esforçou para ser empática.
Mas naquele momento, tudo isso parecia não ser o suficiente.
Dely caiu de joelhos, o corpo se contraindo numa luta silenciosa por ar. Usava os músculos acessórios para respirar, arfando, gemendo de dor, com os olhos marejados pela impotência. Ela não era feita para guerras, e no entanto, estava no centro de uma.
"Será que é isso que sou? Um obstáculo? Um símbolo vazio? Uma mãe que não consegue sequer abraçar o filho quando ele mais precisa?"
A dor no peito não vinha só da falta de ar. Era o peso do fracasso. Era a alma gritando.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Boneca Preta
RomanceImagine você crescer sabendo que pertences a um só homem. Que não pode tocar, pensar e nem olhar para um outro sem que haja consequências. Foi feito um ritual ancestral antigo, que te proíbe de apaixonar e de sentir atraída por alguém e caso você, d...
