apollo point of view
📍hospital municipal – sala de espera
acordei com um sol batendo de leve no rosto e um barulho baixinho de respiração pesada do meu lado. levei alguns segundos pra entender onde eu tava. ainda era o quarto da chácara, a mesma luz lilás das leds piscando num ritmo lento. mws o que me deu um tranco real no peito foi sentir a luiza quente, tipo, mais quente do que antes. e com a respiração meio ofegante.
— luiza? – chamei baixo, virando de leve o rosto dela com a mão — luiza, fala comigo, princesa.
ela abriu os olhos com dificuldade. parecia grogue, tipo quando você acorda de um pesadelo e ainda tá meio preso nele.
— que foi...? – a voz saiu rouca, meio arrastada — que horas são?
— já passou das sete – chequei no relógio, o ponteiro mal me interessava naquele momento — você tá pior, lu. não é normal ficar assim depois de remédio. vamos no hospital, sério.
— não precisa... deve ser só o cansaço... – tentou argumentar, mas tossiu no meio da frase, um som seco, meio feio.
aquilo foi a gota d’água. levantei da cama na hora, peguei o celular e fui até o canto do quarto pra ligar pro jotapê.
— fala, mano? – atendeu com voz de sono.
— desce lá, rápido. vou levar a luiza pro hospital, me ajuda a tirar ela da cama. ela tá ruim, mano.
— já tô indo.
voltei pra perto dela, que tentava se sentar sozinha e não conseguia.
— ó, segura aqui no meu ombro – fui guiando com calma, quase carregando – vai ficar tudo bem, tá?
ela só assentiu, apoiando a testa no meu peito. o corpo dela tremia. de frio ou de febre, eu já nem sabia mais. minutos depois, jotapê apareceu já de chinelo e camisa jogada.
— cacete, ela ta ruim mesmo – ele arregalou os olhos — vamos, pego o carro. kakau vem também?
— tá dormindo, melhor não. se precisar, a gente liga depois.
luiza não reclamou. nem falou nada. deitou no banco de trás com a cabeça no meu colo, e eu fui fazendo carinho no cabelo dela, tentando manter o controle, mas por dentro... mano, eu tava maluco. tô acostumado com adrenalina de batalha, com gritaria de plateia, mas ali? eu tava lidando com medo de verdade. medo de perder uma parada que eu nem tinha direito, mas que já sentia como minha.
o caminho foi rápido, o hospital era a vinte minutos dali. e parece que cada segundo esticava mais que o anterior.
— chegamos. vou lá avisar, você fica com ela – jotapê falou enquanto estacionava.
— valeu, irmão.
saí com ela nos braços, mesmo ela tentando andar, preferi carregar. na recepção, uma enfermeira veio rápido quando viu o estado da luiza.
— febre alta, dificuldade de respirar, dor no corpo, fraqueza – fui descrevendo tudo enquanto me guiavam pra uma sala pequena de atendimento rápido — ela tomou paracetamol, mas não adiantou nada.
— já vamos ver isso, senhor. 0ode esperar aqui fora, por favor?
assenti, mas custei a soltar a mão dela.
— vai dar tudo certo, ta? não vou sair daqui.
ela tentou sorrir. aquelas tentativas de sorriso do tipo “só pra não te preocupar”. mas eu vi no olhar dela que nem ela acreditava muito nisso.
•••
sentei na sala de espera e tentei respirar fundo. peguei o celular. mensagem da kakau.
rolou alguma coisa?
n to achando o jotape
levamos a luiza pro hospital. febre não baixou, ficou pior.
dois segundos depois, ela ligou.
— APOLLO? que? como assim?
— calma, ela vai ficar bem. tô aqui esperando o médico voltar. ela entrou faz uns vinte minutos.
— quer que eu vá aí?
— por mim, não precisava. Mas... se quiser vir, acho que ela ia gostar de ver você.
— tô indo.
desliguei. encostei a cabeça na parede fria e fechei os olhos.
o som da porta abrindo me fez levantar na hora. era a médica.
— rogério, né?
— sim! como ela tá?
— eua amiga está com um quadro de virose forte, com sintomas de gripe comum agravados pela desidratação. nada grave, mas vai precisar ficar em observação por algumas horas.
— ela tá acordada?
— tá sim. pode entrar.
me guiou até o quarto 14. a porta tava semiaberta e entrei devagar. ela tava deitada numa maca, com soro ligado no braço e aquele cobertor fino de hospital. mas parecia melhor. o rosto ainda vermelho, mas os olhos mais vivos.
— olha quem chegou – sorriu fraco.
— caraca, você me deu um susto, sabia?
— desculpa...
— só não faz isso mais, senão da próxima eu enfarto no seu lugar – falei, puxando a cadeira pro lado dela.
sentei e peguei a mão dela.
— tá doendo? – perguntei apontando pro acesso no braço.
— um pouco – fez careta — mas já tô me sentindo melhor.
— te falei que era pra vir pro hospital, né?
— tá, vai começar com o “eu avisei”?
— nunca! só quero que você fique bem.
ela sorriu de novo. dessa vez mais sincero.
— brigada, apollinho.
— tamo junto, sempre. eu ia com você até o fim do mundo, sabia?
ela ficou em silêncio por uns segundos. acho que até esqueceu da febre.
— cê é mesmo diferente, né?
— diferente como?
— diferente de todo mundo que já passou na minha vida. cê se importa.
— claro que me importo. você é especial, lu. pra caramba.
a gente ficou em silêncio um tempo. Só os bipes da máquina e a leve respiração dela. foi quando ela falou, encarando o teto.
— será que se eu não tivesse ficado doente, a gente teria tido esse momento aqui?
— não sei... mas às vezes as coisas ruins trazem uns momentos bons, né?
— é tipo febre alta + soro = declaraçãozinha inesperada?
— exatamente.
ela riu, mesmo com a voz fraca. depois fechou os olhos e continuou segurando minha mão.
ficamos assim por horas. a kakau chegou pouco depois, trouxe uma troca de roupa pra luiza, falou com os médicos. jotapê ficou no carro, resolvendo burocracia de música. mas eu? eu fiquei o tempo todo do lado dela.
na saída, a médica deu alta com recomendação de repouso total por dois dias. fim da viagem. mas ninguém ligou.
na volta pro carro, com a cabeça de luiza encostada no meu ombro, ela sussurrou baixinho:
— promete que se eu ficar chata, dodói de novo, cheia de drama... cê não vai embora?
— prometo. Mas só se você prometer que vai me avisar antes de quase morrer de febre.
— combinado.
dei um beijo no topo da cabeça dela. E pela primeira vez em dias, senti ela relaxar de verdade.
[...]
n sei se voltei de vez
mas é quem é vivo sempre aparece, né?
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𝐌𝐀𝐃𝐑𝐔𝐆𝐀𝐃𝐀, 𝖺𝗉𝗈𝗅𝗅𝗈 𝗆𝖼.
Fanfiction"𝖼𝖾̂' 𝗆𝖾 𝖿𝖺𝗓 𝖽𝖾𝗅𝗂𝗋𝖺𝗋 𝗇𝗈 𝗋𝖺𝗉 𝖽𝖾 𝗂𝗆𝗉𝗋𝗈𝗏𝗂𝗌𝗈 𝖾 𝗆𝖾 𝖿𝖺𝗓 𝗍𝖾 𝖻𝖾𝗂𝗃𝖺𝗋 𝖼𝗈𝗆 𝖾𝗌𝗌𝖾 𝗌𝖾𝗎 𝗌𝗈𝗋𝗋𝗂𝗌𝗈. 𝖽𝖾𝗌𝖼𝗋𝖾𝗏𝖾𝗋𝗂𝖺 𝗏𝗈𝖼𝖾̂ 𝖾𝗆 𝗅𝗂𝗇𝗁𝖺𝗌, 𝖺𝗌 𝗏𝖾𝗓𝖾𝗌 𝗉𝖾𝗇𝗌𝗈 𝗊𝗎𝖾 𝗂𝗌𝗌𝗈 𝖾́ 𝗌𝗈́...
