quarenta e um: jaula

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Jeongguk adentrou a casa de Taehyung sem acender as luzes. Aos poucos, alguns abajures de luzes amareladas foram se acendendo aqui e ali, conforme Taehyung avançava pelos cômodos em direção ao próprio quarto. Desde que haviam fixado morada na casa de Jeon Jihyun, Jeongguk não havia voltado àquele hanok, e se espantava com o fato de o cheiro gostoso de cada espaço daquele lugar não ter diminuído nem mudado. Pouco a pouco, a penumbra o envolveu em uma sensação aconchegante, e Jeongguk se aproximou da porta que dava para o jardim, deslizando uma das folhas para abri-la e observar a lua refletida no pequeno lago.

Depois de finalmente ter encontrado Taehyung e poder relaxar em sua casa enquanto sabia que ele estava seguro, o corpo de Jeongguk começou a dar sinais de que estava cansado. Sua felicidade era tanta que se deixou lutar contra o sono de um jeito bastante infantil, até não conseguir mais. Acabou dormindo de lado, sobre o chão de madeira, de calça jeans, meias e um casaco enorme.

Pouco tempo depois, quando sentiu os lábios de Taehyung sobre os seus, Jeongguk teve a impressão de que apenas metade de seu cérebro havia acordado.

— Você já está dormindo...?

— Quase — Jeongguk abriu os olhos e sorriu. Era visível como estava cansado, mas, pelo visto, ainda podia aguentar um pouquinho. Ele percebeu que Taehyung havia fechado as portas e apagado quase todas as luzes, pois agora tudo estava escuro.

— Não durma — pediu o mais velho, soando um pouco implorativo em um sussurro grave. — Por favor.

— Não consigo — Jeongguk ergueu um pouco o corpo.

— Está com tanto sono assim?

— É que... — ele começou a se explicar timidamente. — Eu quase não dormi sem você...

— Mas eu te quero bem acordado — exigiu Taehyung, com a voz doce, inclinando-se para beijá-lo outra vez, mas a tentativa de um beijo profundo só encontrou um ritmo demasiadamente lento. — Jeongguk-ah... eu quero muito você... agora...

Jeongguk chacoalhou a cabeça, espantando o sono, e olhou para baixo, as bochechas vermelhas. De repente, parecia ter despertado completamente; se bem que, por sua expressão, parecia mais ter se lembrado de algo importante.

— Hyung...

— Hum?

— Você gosta da sensação de quando estamos quase dormindo? Ou de quando acordamos no meio da noite e vemos que ainda é de madrugada, e a sensação é incrível porque sabemos que podemos continuar a dormir...

Taehyung soltou uma risada baixa:

— Não sei se entendi muito bem.

— Eu amo essa sensação. Me lembra quando eu era criança e dormia no sofá assistindo à televisão... eu estava dormindo, mas sentia meus avós me levando para a cama. Era tão gostosa aquela sensação... acho que foi o máximo de felicidade e prazer que meu corpo sentiu quando era eu criança.

Taehyung ficou olhando para ele com uma expressão meio engraçada no rosto.

— Do que você está falando...?

 Os olhos de Jeongguk escorregaram para longe dos seus. Tentou voltar a encará-lo, mas era impossível: estava subitamente envergonhado, e não conseguia se explicar. Tentou dizer algo, não conseguiu; então abaixou a cabeça em silêncio.

— O que foi? — sussurrou Taehyung, aproximando-se e curvando-se para vê-lo. — Você pode me falar o que quiser, sabe disso, não é?

Apesar de assentir, Jeongguk acabou encolhendo mais os ombros, as bochechas incendiando. Não tinha coragem suficiente para confessar aquele tipo de coisa. E Taehyung, compreendendo sua timidez, deu um leve sorriso, encostando suas testas. Jeongguk fechou os olhos na mesma hora, inspirando profundamente o cheiro úmido e refrescante de banho recém-tomado que ainda estava grudado em Taehyung. Ele teve vontade de erguer as mãos e segurá-lo com força, tanta força a ponto de se tornarem um só.

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⏰ Última atualização: 5 days ago ⏰

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