Capítulo 6 - Troye

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Troye - Levado

"Thadeus, eu sinto muito, eu não queria que fosse assim, mas eu tenho que terminar" e Troye repetia isso para si próprio. Thadeus e ele saíram ainda algumas vezes mais, mas Troye continuava se sentindo culpado, indiferente, ele não queria isso. Então, ele ensaiou o que dizer a Thadeus inúmeras vezes e se forçou a tentar. Hoje, eles se encontrariam no cais como o primeiro encontro.

E Troye chegou cedo e esperou, os cotovelos apoiados na grade, olhou o fluxo e as gaivotas voando de um lado para o outro. Pensou em Mark, nos pais, na vida que tinha antes de tudo desabar, o mundo parecia de ponta-cabeça. Como seria mais fácil se ele pudesse simplesmente voar por aí ou nadar e sumir através do oceano...

Thadeus chegou e se colocou do lado dele, de pé, fitando o rio.

–  Oi Troye.

–  Oi Thadeus! –  e os dois se entreolharam.

–  E então o que queria falar comigo? –  perguntou Thadeus, hesitando. Sua intuição lhe dizia o que viria pela frente.

–  Eu... Eu sinto muito, Thadeus, eu não queria que... –  parou e respirou fundo –  fosse assim, mas eu tenho que terminar, eu... eu tenho me sentido culpado...

–  Culpado? Você está me traindo? Quero dizer, nem...

–  Não, não é isso, eu sei que não temos nada, mas eu tenho me sentido culpado pois eu fui traído recentemente, eu ainda estou abalado. Eu...

–  Calma, calma –  e Thadeus puxou Troye para um abraço –  Eu sei, tudo bem, eu entendo, podemos dar um tempo, que tal?

Troye sem saber o que responder, apenas sentiu o perfume na roupa de Thadeus, ele realmente não esperava por aquela reação. Talvez, pensou ele, Thadeus fosse diferente, muito diferente. Okay, ele pensou, um tempo até que seria bom.

–  Sim, podemos. Mas-mas eu não quero deixar de ser seu amigo, eu quero que você ainda vá lá no café, conversar com você é bem legal.

Troye e Thadeus se desvencilharam e começaram a caminhar pela beira do cais. Sem contar Sam, Thadeus foi o primeiro amigo que Troye fez ali. Era um alguém legal, um alguém que ele não queria perder a companhia. Thadeus acompanhou Troye de volta a casa despediram-se e Troye observou Thadeus partir cabisbaixo.

–  Você terminou com ele? –  exclamou Sam.

–  Sim, terminei. Eu não conseguiria continuar daquele jeito.

–  Entendo –  falou Sam sentado na cama, Troye arrumou a própria cama para ir dormir –  E amanhã o que você vai fazer depois do trabalho?

–  Nada, que eu saiba...

–  Ótimo, quer ir para os clubes? Diga que sim, se não quiser ficar com ninguém, não precisa! –  Sam ergueu os braços.

–  Tá bom, eu aceito –  Troye apagou a luz e ambos deitaram para dormir.

–  Sério, será ótimo você vai ver! Dançar Rihanna, Lady Gaga, Beyoncé! Mal vejo a hora

–  Imagino, deixa eu dormir, amanhã acordo cedo... Boa noite Sam.

–  Boa noite Troye.

Na manhã seguinte, Troye olhava para a porta esperando ver Thadeus, mas aos sábados ele não trabalhava. O resto do dia, Troye passou pensando nos clubes que visitaria a noite com Sam. Sem surpresas, o expediente terminou e Troye retornou para casa, Sam o esperava enlouquecido! Sam estava mais feliz do que ele, pensou Troye.

–  Espere eu me arrumar e aí podemos ir... –  exclamou Troye e Sam revirou os olhos, Sam sabia que Troye levaria muito tempo para se aprontar. Porém, Troye já vinha pensando no que usar e não demorou tanto quanto Sam pensou.

Ambos se encaminharam para o banheiro e terminaram de se arrumar. Sam chamou um táxi seria mais seguro aquela hora. E a noite surpreendeu Troye com todo o brilho e as faixadas iluminadas, o neon e as pessoas, amigos e jovens e heteros e gays. Troye admirava e se imaginava no lugar deles, estar entre a roda de amigos, bebendo e fumando. Coisas que se o seu pai soubesse, provavelmente o trancaria no quarto para sempre.

–  Terra para Troye!_falou Sam e acenou na frente dos olhos dele.

–  Já chegamos? –  questionou ele intrigado encarando Sam.

Sam assentiu e abriu a porta do veículo, desastrado Troye o acompanhou e ergueu o pescoço para observar a fila que se formava na frente da boate. Sam e ele esperaram, prestando atenção em quem estava ali.

–  E então é como imaginou? Ou melhor? –  inquiriu distraído Sam.

–  Eu não sei, ainda não entramos. Mas eu estou adorando a vibe. A música e todo esse neon, eu quero dançar.

Sam riu e seguiu a fila. Troye percebeu que algumas pessoas entravam sem precisar passar pela fila. Assistiu um garoto loiro, magro e alto entrar, ele parecia ser amigo do segurança. Troye resolveu iniciar um questionário, quem entrava sem pagar e por quê, se Sam já tinha ido lá, se ficou com muitos meninos e Sam calmamente respondeu.

–  Aqueles que você viu entrar sem pagar, são VIPs, ou trabalham no clube, como as drags que se apresentam alguns dias. E sim, eu já estive aqui, é um dos melhores clubes gay de Nova Iorque e fiquei com alguns sim, não contei quantos –  e Sam franziu o cenho.

Passaram pela entrada e pelo segurança, os olhos de Troye correram pelo corredor espelhado e repleto de luzes piscantes. A fumaça já chegava até eles. Sam o puxou pela mão gritando algo como: minha música.

Para Troye a pior parte era esbarrar em muita gente, tentar sair do lugar, mas ele se acostumou, o mundo parecia girar ao redor dele. A música e a batida pareciam tremer até os ossos. Estava sossegado até o primeiro menino vir falar com ele, trocaram duas ou três palavras e se beijaram. O pior ou não, era que Troye não se sentiu culpado, ele teria que olhar para aquele cara nunca mais.

Sam tentou ficar atrás de Troye que já tinha beijado no mínimo dez rapazes, mas estava difícil. Troye dava de ombros a cada vez que um garoto se afastava e deixava ele ali. Sam sorria e continuava a dançar.

–  Quer beber alguma coisa? –  gritou Sam para Troye.

–  Não, estou bem –  respondeu.

–  Eu vou no bar, espera aqui?

–  Espero –  disse Troye e as luzes vermelhas refletiram em seu rosto. E Troye olhou para

o rapaz a sua frente, era o garoto que entrou sem pagar, o loiro, magricela. E ele estava olhando para Troye. Troye sorriu e disfarçou até o rapaz se aproximar.

–  Oi, eu sou o Bryan, qual o seu nome? –  anunciou ele.

–  Eu sou o Troye! –  disse ele timidamente.



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