Capítulo 13 - Hugo

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Hugo - Salas

A minha boa ação estava feita e eu me sentia bem com isso, ajudar Bryan, vê-lo feliz,

também me deixou feliz, não posso negar. Só que tudo o que é bom não dura muito e o meu final de semana acabou para dar início a uma nova semana, uma agitada. Eu mal esperava a hora de ver o Adam e o jeito dele de ser, tentando mostrar-se organizado e responsável, os óculos despontando no nariz e ele os colocando de volta no lugar.

No fundo, eu estava completamente louco para mandar nele, dominá-lo. Ele precisava de palmadas, eu poderia dá-las. Voltei dos meus devaneios e prestei atenção ao que estava fazendo. Relatórios, tabelas e dados sobre transações, finanças. Como tudo isso era chato, infelizmente eu tinha que fazer, se quisesse manter a fortuna, claro.

Batidas à porta me tomaram a atenção, pedi para entrar até que Adam em sua melhor forma, descontrolada e descoordenada que eu tanto amava chegou. Trazia consigo pastas com mais documentos e papéis. Lhe dei uma sorriso meia-boca e reparei em algo que não havia notado antes.

–  Bom dia, senhor Hugo. As transações dessa semana –  falou ele e ajeitou os óculos. Escondi minha decepcionante descoberta: Adam estava em um relacionamento. Como eu sabia? Aliança no dedo, isso me seria capaz de me parar? Eu não sei...

–  Bom dia, Adam, obrigado, pode deixá-las aqui e eu as devolverei após analisar uma por uma, certo? –  falei e olhei em seus olhos. Ele corou.

–  Certo, senhor Hugo –  respondeu ele.

–  Ah, não precisa me chamar de senhor, por favor, ao menos... –  hesitei e me retraí antes de falar qualquer besteira –  ...não aqui, pode ser?

–  Certo, se... Então posso chamá-lo apenas de Hugo? –  quis saber ele.

–  Perfeito! –  exclamei. Será que eu intimido as pessoas? Ele estava nervoso e gaguejava visivelmente falando comigo. Ele deu as costas e saiu, o resto dia correu como o esperado.

E nas terças tínhamos reuniões onde eu sempre tentei mostrar o meu melhor e para o que vim. Meu patrão parecia comprar minhas ideias e ficava fascinado com o que eu tinha a dizer. Apesar de novo, eu tinha visão, tinha vontade e estava praticando perfeitamente o meu papel.

Nas quartas, mantínhamos o setor em ordem e completávamos os relatórios e as entregas. Nas quintas, recebíamos os resultados e o crescimento da empresa.

Nas sextas, estávamos mais calmos e esperávamos pelo final de semana. Mas esta sexta, nesta semana, as salas desta empresa ficaram pequenas. Adam vestia uma camisa simples, mas marcante e eu não pude deixar de notar, o cabelo solto, algo que ele não costumava fazer e eu? Bem, eu me levantei, me aproximei dele enquanto conversávamos sobre coisas banais, me encostei na mesa a menos de um metro de distância dele e o olhava nos olhos, sem desviar.

Ele falava se atrapalhando nas palavras e corando cada vez mais, eu queria provocar. Estava quente como o inferno ali. E eu era o diabo, queria fazer ele pecar.

–  Está calor aqui não é? –  comentei distraído, tirando meu paletó e exibindo os músculos sob a roupa. Ele parou de falar e concordou com a cabeça. Não tinha mais saída.

Eu o agarrei.

Envolvi minhas mãos em sua cintura e o puxei para mim, meus lábios tocaram os dele como as abelhas tocam o mel, cheias de desejo. O pior? Ele correspondeu ao beijo e eu flui como água pelas vias dele, tentando preencher cada pedaço, sentindo a barba por fazer no rosto e a ereção, a minha e a dele.

De súbito ele se afastou e quase caiu para trás. E em seu olhar, um misto de culpa e desejo que eu já havia visto antes, não só nele, mas em outros homens, outros casos. Com a ponta do dedo deslizei pelo meu lábio inferior. Ajeitei a gravata em meu pescoço e recoloquei o paletó. O que eu fiz? O que vai ser?

–  Desculpa, eu sou casado, senhor Hugo, desculpa, eu não posso... –  disse ele arfando.

–  Eu sei, está tudo bem. Não sinta-se mal por isso... –  falei e dei as costas para ele, olhando para fora, o mundo completamente alheio ao que acabamos de fazer –  Só saía.

Nem o vi sair, só ouvi o barulho da porta se fechar.

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