Capítulo 2 - Troye

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Troye - Decidido

Trovões ribombaram e relâmpagos cortaram o céu iluminando a rua e Troye que agora andava sob a chuva e segurava o guarda chuva fechado, para ele, a chuva e o frio refletiam seu estado de espírito, exatamente como ele se sentia. Troye correu e deixou Mark para trás chamando o seu nome. Sinceramente? Troye não queria ouvir a voz ou olhar nos olhos de Mark, de preferência nunca mais.

Chegando em casa, Troye abriu a porta e se dirigiu direto para o banheiro. Tirou a camisa, as calças e se postou debaixo do chuveiro. Até então a situação ainda não lhe havia atingido, não como agora. As lágrimas desceram entre as gotas do chuveiro por seu rosto e em impulsos de fúria acertou a parede várias vezes até escorregar e sentar no chão com os braços cobrindo a cabeça, chorando.

As imagens de momentos e acontecimentos durante os quatro anos que ficaram juntos pareciam flashs em sua mente. Ele preferia não acreditar, queria não acreditar, mas sentia tudo despedaçando, cada parte dessa história. Mesmo que o corpo recusasse a se levantar, ele se obrigou a fechar o chuveiro e se secar. Simplesmente se lançou na cama e adormeceu, sem saber que roupa havia vestido ou como o quarto estava.

Em um sonho estranho, Troye corria de Mark mas Mark não era exatamente ele e sim um tipo de sombra, Troye acordou em um sobressalto quando a mãe lhe cutucava e o observava com o rosto preocupado. Mal olhou para ela e virou para o outro lado. Sua mãe uma mulher de cabelos escuros até os ombros, de rosto um tanto envelhecido e roupas convencionais.

–  Troye aconteceu alguma coisa? Você estava gemendo, estava tendo um pesadelo?–  questionou ela.

–  Não quero falar sobre isso, aliás não quero falar.

–  Mas filho, eu estou preocupada e se eu puder ajudar? Sei lá, qualquer coisa... –  falou ela e respirou fundo, os braços apoiados na cintura.

–  Obrigado mãe, mas você não pode, obrigado... –  disse ele e se calou.

–  Bom, filho estou aqui para qualquer coisa, sabe que pode conversar comigo, eu vou fazer o jantar, daqui umas duas horas estará tudo pronto e quem sabe até lá você resolva me contar.

Troye não respondeu e a mãe hesitou antes de sair do quarto. Troye pegou o celular e olhou para as mil mensagens e ligações perdidas de Mark. Voltou a desligar o celular. Tentou adormecer novamente, mas só as lágrimas e os cobertores lhe fizeram companhia. No jantar, ele passava o garfo de um lado para o outro do prato, não estava com fome. Sua mãe sentada de frente a ele o observava e o pai, um sujeito de rosto sério e cabelo curto tingido de preto. Usava gravata e camisa branca.

–  E então Troye decidiu quando irá para a faculdade? Eu estou esperando –  falou o pai dele sem sequer levantar os olhos do prato.

–  Eu não vou. Eu disse que não farei o que o senhor quer, não é o que eu quero! –  disse Troye exaltado e viu a mãe fechar os olhos e suspirar. Ele estava se sentindo dessa situação. O pai tentava lhe controlar, controlar seus sonhos e sua vida.

–  Você vai e nem que para isso eu tenha que levar você arrastado –  e Troye viu o olhar que o pai lhe lançou.

–  Querido, agora não, por favor, estamos jantando–  falou sua mãe.

–  Não, ele tem que saber, não há mais tempo! Ele vai e ponto final.

De repente todos encararam Troye que se levantou com um ruído da cadeira e saiu dando-lhes as costas:

–  Não estou com fome.

–  Troye! Volte aqui! Troye!

Mas Troye não deu ouvidos e disparou para o quarto. A porta se fechou com um estrondo e Troye se jogou na cama bagunçada. A cabeça girando. A mente em um turbilhão e uma ideia se aflorando em meio a tudo isso, ele estava prestes a tomar uma decisão.

Em um único pulo Troye se levantou, procurou uma mochila e nela jogou roupas e outras coisas, tudo o que lhe era essencial. Abriu uma pasta preta que estava escondida debaixo do colchão, nela, desenhos de figurinos e roupas, tudo o que Troye queria fazer em sua vida. Não o que o pai queria.

A mochila cheia apoiada no pé da cama, Troye sentado no chão, fitando o nada e decidido a fazer a coisa certa por si próprio. Ele sempre tinha economias e bem, a mesada que o pai e a mãe lhe davam, também o passaporte em mãos. Escondeu a mochila e arrumou a cama, deitou e fingiu estar dormindo quando a mãe veio lhe ver. Era hora.

Nem Mark, nem os seus pais saberiam onde ele estaria. Deixaria tudo para trás.

E naquela noite, Troye nem dormiu e esperou as 5:30 da manhã chegar. Um bilhete para a mãe, com informações de que ficaria bem, mas não de onde iria e que ligaria quando se sentisse seguro. E ele saiu, sem olhar para trás ou se despedir.




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