Capítulo 4 - Bryan

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Bryan - Fratura

Bryan guardou o cartão com o número do homem que conheceu no clube do Vallety, Hugo, um lindo nome, imponente e interessante, pensou Bryan. Porém ele pensaria antes de qualquer coisa com esse homem. Um empresário rico e jovem.

E Bryan se apresentou outras noites e trabalhava duro no restaurante durante as manhãs. Luce sempre o acompanhava e o auxiliava. Melhores amigos, irmãos tanto quanto Jason também era.

–  E o Jason, Bryan? Falou com ele? Eu procurei por ele mas ele desapareceu –  questionou Luce intrigada.

–  Ele me mandou uma mensagem. Estava bem e disse que dormiu com o garoto que conheceu na balada, eu vou puxar a orelha dele, pode deixar –  respondeu Bryan.

–  E esta noite irá se apresentar no Velho Clube, não é? –  perguntou Luce ao passar sabão e produtos no balcão.

–  Sim, irei. E para fechar a noite me apresento no clube do Vallety também.

–  E dá para me explicar com quem você estava conversando essa última noite? Ou melhor quem eram os dois? –  inquiriu Luce e Bryan parou e olhou para ela.

–  Quem? O Hugo e o Esteban? –  falou ele intrigado.

–  Esses são os nomes deles? Hugo e Esteban? Gostei, nomes lindos não é mesmo? Sim, deles que eu estou falando.

–  Ah, eu me meti no meio da conversa deles sobre DragQueens, sabe como são esses gays enrustidos que não sabem nada com nada né? Eu tive que defender a classe.

–  Sei, conhecendo você, no mínimo discutiu com eles.

–  Não, eles foram bem educados. Hugo voltará quando puder e até gostou de mim –  afirmou Bryan e varrendo o chão.

–  Hum e eles não são namorados?  –   foi a vez de Luce parar e olhar. As portas do restaurante estavam fechadas e hoje Luce e Bryan ficaram para limpar.

–  Não, não são. Eles trabalham juntos, eu diria que um nem sabia que o outro era, eu acho que o 'gaydar' dele deve estar quebrado, porque o meu apontou na hora! –  e Bryan fez uma arma com a mão e a apontou para nada em particular.

–  Entendi, estou acabando aqui e você?

E Luce e Bryan terminaram o serviço, fechando e trancando tudo. Bryan retornou para casa e arrumou as coisas para trabalhar. Mal chegou e já estava saindo para a segunda ocupação da noite. Chegando lá, cumprimentou os seguranças que ele sempre tratava de fazer amizade e entrou subindo para o camarim no segundo andar ao lado da área VIP.

Diferente dos outros dias, Bryan estava se sentindo estranho, uma sensação o invadiu e ele logo tratou de afastá-la, ele tinha que trabalhar. Vestiu-se com as melhores roupas e saltos-altos, sua peruca favorita e a maquiagem. O show começaria em instantes e ele já estava pronto, se olhando no espelho.

–  Esta noite será incrível, eu estou ótimo! –  disse em voz alta para si próprio.

Bryan levantou e saiu do camarim fechando a porta atrás de si. Mudando o humor completamente, brincando e tirando fotos com os ricaços da área VIP, roubando uma taça de champanhe aqui ou ali. Desceu e esperou a chamada. As luzes se apagaram e ele se posicionou bem no meio do palco.

Lentamente a música começou e ele se apresentou. Estava indo muito bem até que o salto do seu sapato de alguma forma quebrou e Bryan caiu ao chão, o tornozelo foi a primeira coisa que ele sentiu. Seguranças subiram no palco e o tiraram de lá.

–  Onde está sentindo dor? –  perguntou um dos seguranças.

–  O tornozelo –  respondeu em uma careta de dor. Chamaram uma ambulância e Bryan esperou sentado, estava com muita raiva para falar alguma coisa. E para ele a ambulância demorou o que pareceu uma eternidade.

No hospital, as pessoas olhavam curiosos para ele, afinal ele estava de vestido e forte maquiagem sem contar a peruca. Alguns riram dele. Ele não se importou. Pelo menos estava fazendo alguém feliz, pensou. De cadeira de rodas e não mais carregado aguardou o atendimento e observou as pessoas no corredor com ele.

–  Estava me apresentando e caí, o salto quebrou –  explicou ele, Bryan estava assustado de que ouviria algo ruim.

–  Vamos avaliar, fazer uns raio-X e acredito que você não tenha quebrado o que é bom e se for somente uma fratura, tenho plena certeza de que em dois meses poderá voltar a se apresentar e eu até prometo ir te ver se apresentar –  falou o médico, um senhor de cabelos brancos e bigode, usava óculos e tinha um rosto simpático. Bryan riu da promessa.

–  Dois meses? Não tem como encurtar esse tempo, por favor? Eu moro sozinho preciso trabalhar.

–  Bem, infelizmente não, temo em ser sincero, mas sou médico e você sabe... Vai ficar tudo bem.

–  Obrigado, doutor –  disse ele e saiu sendo levado por um enfermeiro.

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