Capítulo 3 - Troye

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Troye - Perseguido

Troye sentado nos bancos da plataforma, brigava contra o sono e olhava para o celular, faltava pouco para o seu vôo. Só mais uma hora, só mais uma hora. Provavelmente quando os pais acordassem ele já estaria a caminho de Nova Iorque. E em sua mente as lembranças de ontem lhe atingiam, indo e vindo. Troye tentava esquecer, no entanto sem conseguir.

Esta foi a primeira vez que Mark traiu ele? Ou ele foi enganado por muito mais tempo e não sabia? Sinceramente, ele queria não pensar e dormir facilitaria as coisas, ele sabia. Sem sucesso. Seus olhos queriam fechar, a cabeça pendia, o celular nos dedos segurado com força, ele esperou até que Sam ligou, finalmente pensou.

–  Troye? Troye? O que está acontecendo? O que foi aquela mensagem? Você está vindo? Oh Deus, eu te espero no aeroporto. Não irá demorar. Tem dinheiro? –  disparou Sam. A mente de Troye ainda pairava na primeira pergunta.

–  Calma, Sam. Vamos por parte. Sim, a mensagem foi de verdade, aquilo... aconteceu e eu me cansei de casa, meu pai, estou farto! Tenho alguma grana e me espere no aeroporto, estarei aí em duas horas, mais ou menos.

–  Certo.Eu, eu esperarei, conversamos quando chegar. Oh maninho, vai dar tudo certo!

Sam lhe disse e Troye fechou os olhos, reprimindo o choro.

–  Sim, vai sim. Obrigado Sam. Só podia contar com você! –  falou ele com a voz embargada.

–  Conte comigo! Em Nova Iorque você pode ter uma segunda chance! Vai ver –  afirmou Sam.

–  Está bem, falta pouco. A gente se vê.

–  A gente se vê –  repetiu Sam sorrindo.

Desligou e Troye procurou se distrair. Já havia lido o catálogo dos vôos duas vezes. Esperar era a pior parte, só de pensar que em duas horas estaria sobrevoando Nova Iorque e em três horas andando por lá. Uma experiência inesquecível, com certeza. E seus devaneios foram interrompidos por um número de telefone estranho. Poderia ser Mark ou até Sam, pensou, melhor atender e se caso fosse Mark, era só desligar.

–  Alô? Quem fala? –  gaguejou Troye apreensivo.

–  Eu sei onde você está, fique aí, eu estou indo te buscar e você vai voltar para casa comigo, quer queira ou não!

–  Pai? –  exclamou Troye e imediatamente tirou o celular do ouvido e desligou.

Troye olhou a hora. Faltava quarenta minutos para o vôo e possivelmente seu pai estaria ali em menos de meia hora. Troye estava incrédulo, porém seus olhos não corresponderam e ele olhou para todos os lados, procurando sinal do pai ou qualquer coisa diferente.

Mais do que antes tentou se distrair, sem sucesso. A ameaça do pai estar ali e o poder de estragar tudo o que ele havia planejado. Vinte minutos para o embarque e ele estava de pé, os olhos vidrados nas portas e painéis de vidro que o dividiam da rua. Decidido, caminhou para o corredor, a mochila nas costas.

Um pequeno guichê abriu e um funcionário da companhia bem vestido e bonito até, ele teria percebido se não estivesse tão atento em simplesmente sair dali. Nervoso, entregou o bilhete e o passaporte e foi então que ao se virar viu o que tanto temia. Seu pai e alguns homens? Quem eram aqueles? Troye queria correr, ele não podia porque pareceria suspeito. Observou seu pai entrar e em um último vislumbre o passar pelo corredor.

–  Senhor não pode passar –  Troye ouviu o funcionário dizer e olhou para trás, uma última vez. Seu pai saiu de lá, para onde ele foi? Troye apertou o passo, mais ainda faltavam minutos para o vôo.

Perseguido, caçado como um animal, ele entrou em disparada no avião procurou o lugar e se sentou, a mochila apoiada a frente até que em um sobressalto a aeromoça pediu para que guardasse a mochila no bagageiro acima. Em uma eternidade para ele, o avião encheu e estava prestes a desembarcar, ele não viu o pai em lugar nenhum.

Fechou os olhos e respirou aliviado.

Preso ao cinto, celular desligado e a voz do operador dizendo que um carro acabara de invadir a pista e foi contido pela polícia e a segurança do aeroporto. Já era tarde.

O avião levantou vôo.

E Troye nem apreciou o passeio, adormeceu e acordou já em Nova Iorque. Quase esquecendo da mochila, disparou para fora do avião. Sem conter um sorriso que se desprendia em seus lábios, caminhou em direção ao saguão e desceu as escadas rolantes, atento, procurando por Sam que estaria no movimento da multidão. E em meio a tantas pessoas e plaquinhas indicatórias uma se destacou: Uma nova vida para Troye! :)

Sam o esperava lá.



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