Capítulo 3 - Bryan

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Bryan - Curtição

Bryan escolheu a calça, os sapatos, uma camiseta de alças e o boné. Esta noite seria de curtição e descanso. Nada de apresentação e apesar de ele trabalhar todos os fins de semana nos clubes ele nem sempre se dava o direito de se divertir. Esta noite ele faria o contrário. Dançaria sem saltos, beijaria quem pudesse e quem o quisesse.

Escutou as batidas e abriu a porta, Jason e Luce entraram, vestidos em seus melhores looks e adereços para a noitada. Luce de salto alto e vestido escuro rente, os cabelos escuros compridos e ondulados soltos. Jason com uma camiseta que parecia um número maior estampada e calça branca e sapatos brancos. Bryan e Jason poderiam se passar por irmãos muito facilmente, ninguém negaria a semelhança.

–  Amigo, fiquei sabendo que você não vai mais se apresentar naquele clube? –  anunciou Luce enquanto olhava no espelho ajeitava o decote e a maquiagem.

–  É sério Bryan? Que chato! –  disse Jason.

–  Sim, ele queria me pagar menos que o combinado, afinal eu não achei meus vestidos no lixo não é mesmo? Eu não aceitei, ele me demitiu, fim –  explicou Bryan ao lado de Luce dando os retoques finais.

–  Bom, tem tantos outros clubes podemos procurar mais um para você, sabe, para repor esse –  sugeriu Luce parando para olhar Bryan.

–  Não, está tudo bem, eu estou trabalhando bastante.

–  E aí estão prontos? Dez horas, pegaremos um táxi ou iremos de metrô? –  perguntou Jason.

–  Metrô –  responderam em uníssono Bryan e Luce 

 –  Okay, você é quem sabe –  continuou Luce.

E os três saíram. Bryan parou para conferir e trancar a porta e desceram. Luce chamou um táxi e Bryan colocou um braço sobre os ombros de Jason e conversaram já que um táxi nesta parte da cidade nunca era de primeira.

–  Quero dançar até estourar hoje. Preciso! –  afirmou Bryan.

–  E como é que dança até estourar? –  riu Jason.

–  Eu também não sei, não importa. Só sei que será bom demais estar com vocês esta noite e temos que achar alguém para você, Jason.

E ele torceu a boca. Bryan sempre se preocupou com Jason, sabia que ele era diferente, mais sensível e emotivo do que Luce ou até ele. Bryan de uma certa forma se sentia responsável por Jason, como um irmão mais velho.

–  Vem, vamos entrar –  falou Jason e puxou Bryan para dentro do táxi.

Quando chegaram, Luce e Bryan racharam o valor e não deixaram Jason pagar. Bryan parou e admirou a entrada do famoso clube Neon Nights do qual ele se apresentava e sentia como se fosse uma segunda casa.

–  Boa noite Carl, estamos passando –  exclamou Bryan e puxou Luce e Jason pelo braço.

–  Boa noite, cuidado e bom divertimento! –  falou Carl, o segurança.

E o corredor do clube estava iluminado, feixes de luz branca refletiam nas paredes revestidas de espelhos e o chão parecia enfeitado com estrelas. Os três sorriram e correram direto para a pista onde uma daquelas músicas pop estava tocando. O clube estava enchendo aos poucos. E as pessoas se esbarravam e se entreolhavam. O desejo estampado no olhar.

–  Jason! –  gritou Bryan perto de Jason –  Jason! Ele está olhando para você, espera um minuto e você vira para trás.

Jason esperou e olhou. O rapaz dançava ao lado de outro rapaz, mas eles não pareciam namorados, não para Bryan e se ele estava olhando para Jason algo ele queria. Jason timidamente fingiu não estar vendo e continuou de costas.

–  O que achou? –  perguntou Bryan.

–  Ele é gatinho, mas não sei não... –  respondeu Jason e Bryan parou e de repente teve uma ideia maléfica e arrastou Jason pelo braço.

–  Vem cá! Deixa comigo! –  um minuto depois Jason estava conversando e beijando o rapaz. Luce riu e olhou para Jason querendo dizer: como você é mal. Bryan deu de ombros.

E durante a noite, Jason desapareceu com o garoto, Luce ficou com uma garota, Bryan, bem Bryan ficou com alguns meninos, tudo rápido e resolveu encostar no bar um pouco. Lá, um homem, poderia dizer, que Bryan o estava observando a algum tempo, conversava com outro cara, ambos lindos. Beleza para Bryan nunca foi problema, ele era seguro de si. E então prestou atenção na conversa.

–  Hoje não vai ter apresentações das... como é que é... drag –  falou o homem mais magro, talvez namorado ou amigo do homem que Bryan prestava atenção.

–  Não, não vai. Não são todas as noites que tem –  respondeu o homem. Um latino, reparou Bryan, de pele bronzeada e cabelos lisos e escuros. Bebiam algo caro.

O restante da conversa não interessou a Bryan, não, até ele ouvir:

–  Pensei que todas as drags fossem passivas! –  e os dois homens riram. Bryan os olhou feio. Ele não poderia perder essa.

–  Desculpa interromper, não, nem todas as drags são passivas, que coisa mais machista

E os dois olharam para Bryan estranhamente até que o latino se aproximou e falou:

–  Desculpe-me não quis ofender, quero dizer nunca conheci uma drag queen e elas são mulheres, não é isso? Quero dizer, é o que elas fazem_respondeu o homem.

–  Não, é claro que não, é arte, é um show! Aprenda! –  e Bryan deu as costas para os dois.

–  Você parece entender do assunto, estou errado? E aliás meu nome é Hugo...

Bryan o cumprimentou relutante, porém seria melhor assim, ensinaria para mais alguns gays preconceituosos e mente-fechadas o que era ser uma DragQueen.

–  Prazer Hugo, me chamo Bryan.

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