Bryan - Curtição
Bryan escolheu a calça, os sapatos, uma camiseta de alças e o boné. Esta noite seria de curtição e descanso. Nada de apresentação e apesar de ele trabalhar todos os fins de semana nos clubes ele nem sempre se dava o direito de se divertir. Esta noite ele faria o contrário. Dançaria sem saltos, beijaria quem pudesse e quem o quisesse.
Escutou as batidas e abriu a porta, Jason e Luce entraram, vestidos em seus melhores looks e adereços para a noitada. Luce de salto alto e vestido escuro rente, os cabelos escuros compridos e ondulados soltos. Jason com uma camiseta que parecia um número maior estampada e calça branca e sapatos brancos. Bryan e Jason poderiam se passar por irmãos muito facilmente, ninguém negaria a semelhança.
– Amigo, fiquei sabendo que você não vai mais se apresentar naquele clube? – anunciou Luce enquanto olhava no espelho ajeitava o decote e a maquiagem.
– É sério Bryan? Que chato! – disse Jason.
– Sim, ele queria me pagar menos que o combinado, afinal eu não achei meus vestidos no lixo não é mesmo? Eu não aceitei, ele me demitiu, fim – explicou Bryan ao lado de Luce dando os retoques finais.
– Bom, tem tantos outros clubes podemos procurar mais um para você, sabe, para repor esse – sugeriu Luce parando para olhar Bryan.
– Não, está tudo bem, eu estou trabalhando bastante.
– E aí estão prontos? Dez horas, pegaremos um táxi ou iremos de metrô? – perguntou Jason.
– Metrô – responderam em uníssono Bryan e Luce
– Okay, você é quem sabe – continuou Luce.
E os três saíram. Bryan parou para conferir e trancar a porta e desceram. Luce chamou um táxi e Bryan colocou um braço sobre os ombros de Jason e conversaram já que um táxi nesta parte da cidade nunca era de primeira.
– Quero dançar até estourar hoje. Preciso! – afirmou Bryan.
– E como é que dança até estourar? – riu Jason.
– Eu também não sei, não importa. Só sei que será bom demais estar com vocês esta noite e temos que achar alguém para você, Jason.
E ele torceu a boca. Bryan sempre se preocupou com Jason, sabia que ele era diferente, mais sensível e emotivo do que Luce ou até ele. Bryan de uma certa forma se sentia responsável por Jason, como um irmão mais velho.
– Vem, vamos entrar – falou Jason e puxou Bryan para dentro do táxi.
Quando chegaram, Luce e Bryan racharam o valor e não deixaram Jason pagar. Bryan parou e admirou a entrada do famoso clube Neon Nights do qual ele se apresentava e sentia como se fosse uma segunda casa.
– Boa noite Carl, estamos passando – exclamou Bryan e puxou Luce e Jason pelo braço.
– Boa noite, cuidado e bom divertimento! – falou Carl, o segurança.
E o corredor do clube estava iluminado, feixes de luz branca refletiam nas paredes revestidas de espelhos e o chão parecia enfeitado com estrelas. Os três sorriram e correram direto para a pista onde uma daquelas músicas pop estava tocando. O clube estava enchendo aos poucos. E as pessoas se esbarravam e se entreolhavam. O desejo estampado no olhar.
– Jason! – gritou Bryan perto de Jason – Jason! Ele está olhando para você, espera um minuto e você vira para trás.
Jason esperou e olhou. O rapaz dançava ao lado de outro rapaz, mas eles não pareciam namorados, não para Bryan e se ele estava olhando para Jason algo ele queria. Jason timidamente fingiu não estar vendo e continuou de costas.
– O que achou? – perguntou Bryan.
– Ele é gatinho, mas não sei não... – respondeu Jason e Bryan parou e de repente teve uma ideia maléfica e arrastou Jason pelo braço.
– Vem cá! Deixa comigo! – um minuto depois Jason estava conversando e beijando o rapaz. Luce riu e olhou para Jason querendo dizer: como você é mal. Bryan deu de ombros.
E durante a noite, Jason desapareceu com o garoto, Luce ficou com uma garota, Bryan, bem Bryan ficou com alguns meninos, tudo rápido e resolveu encostar no bar um pouco. Lá, um homem, poderia dizer, que Bryan o estava observando a algum tempo, conversava com outro cara, ambos lindos. Beleza para Bryan nunca foi problema, ele era seguro de si. E então prestou atenção na conversa.
– Hoje não vai ter apresentações das... como é que é... drag – falou o homem mais magro, talvez namorado ou amigo do homem que Bryan prestava atenção.
– Não, não vai. Não são todas as noites que tem – respondeu o homem. Um latino, reparou Bryan, de pele bronzeada e cabelos lisos e escuros. Bebiam algo caro.
O restante da conversa não interessou a Bryan, não, até ele ouvir:
– Pensei que todas as drags fossem passivas! – e os dois homens riram. Bryan os olhou feio. Ele não poderia perder essa.
– Desculpa interromper, não, nem todas as drags são passivas, que coisa mais machista
E os dois olharam para Bryan estranhamente até que o latino se aproximou e falou:
– Desculpe-me não quis ofender, quero dizer nunca conheci uma drag queen e elas são mulheres, não é isso? Quero dizer, é o que elas fazem_respondeu o homem.
– Não, é claro que não, é arte, é um show! Aprenda! – e Bryan deu as costas para os dois.
– Você parece entender do assunto, estou errado? E aliás meu nome é Hugo...
Bryan o cumprimentou relutante, porém seria melhor assim, ensinaria para mais alguns gays preconceituosos e mente-fechadas o que era ser uma DragQueen.
– Prazer Hugo, me chamo Bryan.
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Neon Nights
RomanceConheça Troye, um simples garoto que se depara com uma situação que mudará sua vida... Conheça Bryan, de forte personalidade, trabalhador e perseguidor de sonhos que fará o possível para realizá-los... E Hugo, ricaço, jovem e promissor empresário qu...
