Capítulo 15 - Hugo (último capítulo)

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Hugo - Hábitos
Não julgue-me por isso, mas eu não estava muito interessado em um programa onde um monte de homens usavam salto-alto e peruca, não é que eu não me interesse por DragQueens, é que eu prefiro vê-las nos clubes ou nas noites agitando as coisas e eu estava me sentindo estranho,
olhando para Troye e Sam, Luce e aquela garota que eu nem sabia o nome. Ah veja Bryan, ele está sozinho você diria, a verdade é que o garoto dele está longe... Só isso...
Passei parte do programa no celular, instalando aplicativos para encontrar garotos, se eu não conseguiria o amor, conseguiria outra coisa. Era então, assim que eu preencheria o vazio que estava sentindo. Com sexo, noitadas, garotos que não durariam a noite, caras que eu nem lembraria o nome no dia seguinte. Tanto faz.
Quando o programa acabou e fizemos o brinde, conversamos ainda por algum tempo, aí eu tentei parecer mais animado. Na despedida Bryan pediu para darmos uma volta, o que eu teria a perder se aceitasse? Então aceitei.
–  O que está havendo Hugo? Você acreditou em mim uma vez, deixe-me fazer isso agora, retribuir e não porque eu tenho uma dívida com você, mas por nossa amizade! –  disse Bryan enquanto dávamos voltas pela cidade a noite.
–  É o meu trabalho, é a minha vida, eu não consigo acreditar que todo esse dinheiro não me traga felicidade! Eu só queria alguém! É pedir muito? –  vociferei. –  Estou me sentindo sozinho.
E eu não sei lidar com isso –  dei de ombros. Não estava mesmo sabendo lidar com isso, eu me sentia como uma criança querendo um doce que não podia ter.
–  Eu sei como é e sei que seu dinheiro não pode ajudar –  disse Bryan. Olhei para ele, aquilo havia sido como um tapa e meus olhos se encheram d'água.   –  essas coisas tendem a acontecer por acaso. E eu sei que é difícil, mas não se esqueça de viver! Olha para você! Olhe para quem você é e tudo o que conseguiu, tem de estar orgulhoso de si mesmo.
–  Eu-eu estou, mas de que adianta? Deixa pra lá, como você disse, essas coisas acontecem por acaso.
Dei alguns passos a frente, desamparado. Talvez eu buscasse tratamento, talvez eu mudasse mais uma vez, ou sei lá. Qualquer coisa, qualquer coisa que ajudasse. Eu só não sabia o que.
–  Hugo, é complicado, eu sei, você me viu desistir e viu me erguer de novo! Você devia tirar umas férias! Viajar por aí, talvez a Europa ou o Brasil, espera, espera, espera –  repetiu ele antes de eu abrir a boca –  Sei o que vai dizer, não quero ir sozinho... Mas faça, faça por você! Quem sabe o seu amor não esteja por aí?
–  O quê? Em outro país? Não, acho que não... –  falei, no entanto eu apreciei a ideia.
–  Descanse, desista do seu velho eu para ser um novo você! Sabe que a lição que eu aprendi quando eu desisti foi essa, devemos deixar algumas coisas ir para que novas venham! Você me ensinou isso –  disse ele.
Concordei, eu me sentia confuso com tudo. Trabalho, dinheiro, amor e sexo giravam em minha cabeça como um carrossel que não para nunca. Eu tinha uma guerra em minha mente e não sabia que lado venceria, nem que lado apoiar.
–  Obrigado Bryan, eu juro que tentarei fazer o possível para isso acontecer.
–  Você me avisa? Qualquer coisa? –  pediu ele.
–  Sim, eu aviso–  afirmei. Nos despedimos, pedi um táxi e parti em direção ao meu apartamento.
Aquela foi uma noite difícil para se dormir. Revirei a maior parte da noite, levantei e observei a janela, o vidro do teto ao chão me dava visão da cidade, dos prédios e carros lá embaixo. As luzes amarelas e brancas, pálidas contra as coloridas luzes de neon. Tudo o que Bryan dissera rodando em minha cabeça, como uma farpa no dedo que você tenta deixar de lado, porém você sabe que estará sempre lá se não a tirar...
Decidido, entrei no quarto, praticamente arranquei a mala do guarda-roupa a abri e joguei roupas para dentro dela. Abri a gaveta da cômoda, peguei o passaporte, separei os documentos, cartões, foda-se o emprego, foda-se o outro dia. A única coisa que quero pensar agora é o meu próximo destino! No entanto para onde eu iria as 3 da manhã? Percebi meu celular piscar e liguei o visor.
Mais de 50 mensagens dos aplicativos, velhos hábitos são difíceis de morrer eles dizem, por que não por uma noite? Uma última noite sendo o velho Hugo? O velho eu... Só estava ganhando espaço para o novo eu. Abri os aplicativos, pesquisei o mais próximo, o disponível e um cara me respondeu. Ual, morava no mesmo prédio que eu e eu nunca o tinha visto antes?
Ele foi a vítima da vez... dali 10 minutos ele chegaria, a porta já estaria aberta e eu já estaria na cama...

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