Capítulo 11 - Troye

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Troye - Acidentado

O soar de alertas e a gentil voz da comissária indicavam os voos.

Troye observava a passagens em mãos, a mente estava em um turbilhão de pensamentos, dividida principalmente pelo lado que gostaria de visitar o pai e o lado que queria ficar e não estava nem aí com o que quer que viesse a acontecer com aquele homem que se auto-proclamava seu pai, por tanto tempo, só que em verdade para Troye ele lhe parecia mais como um estranho do que um pai de verdade deveria parecer.

Tarde demais para voltar atrás, a passagem já estava comprada e o voo confirmado, a mala estava feita e Troye realmente se perguntava como lidar com aquela situação. O que ele diria depois de tudo o que ele fez? Depois de tudo o que havia acontecido? Provavelmente diria um olá e melhoras pai, com certa hesitação na última palavra.

Troye tentou ler, tentou ouvir música, tentou muitas coisas diferentes, mas não conseguiu se concentrar em nada, acabou adormecendo e foi acordado por uma aeromoça, ele sentia como se estivesse revivendo o dia que saiu de casa para morar com Sam em Nova Iorque. Logo ele estaria em um lugar que ele já chamou de lar. A triste vizinhança.

E era tudo como Troye se lembrava. As casas coladinhas, cercas separando o gramado, estruturas de madeira e metal escondendo o caos que se passava por dentro e lá estava, sem surpresas, o local que Troye morou por tanto tempo. Ninguém em casa. Troye tocou a campainha uma, duas vezes antes de desistir e se sentar na varanda, esperando.

Adormeceu e acordou, estava escurecendo. Impaciente e irritado, Troye decidiu vaguear por aí, no fundo Troye queria era reencontrar Mark, o ex, queria saber como ele estava e olhar nos olhos dele e que Mark acima de tudo pudesse ver que Troye não era o mesmo que tinha estado ali antes. E os pés de Troye o carregaram para o caminho certo.

Ele estava lá.

Troye manteve o olhar e o corpo firme, quando a realidade era que estava se contorcendo por dentro. As lembranças jorravam como águas de cachoeira. Mark o fizera tão mal. Durante 4 anos, muitas coisas, a maior parte bons momentos que hoje tornados negros pela traição de Mark. Foi como veneno perspassando pelo sangue. Os olhos de Mark alcançaram os de Troye e desceram e subiram pelo corpo dele. Mesmo com passo rápido, Mark chegou até ele.

–  Não falará comigo? Ou me agradecerá pelo que eu fiz? –  questionou Mark enquanto ambos continuavam a caminhar.

–  Obrigado por me avisar, só –  exclamou Troye convicto.

–  Você está mudado para melhor, quero dizer. Nova Iorque te fez bem, eu acho.

–  É, lá eu enxerguei o que aqui, eu jamais veria. Possibilidades, futuro. Pessoas que me querem bem.

–  É, eu espero que sim... Não tem ninguém em casa? Quer entrar um pouco? Deve estar cansado –  sugeriu Mark.

–  Não, eu lhe agradeci e agora vou voltar pra... –  Troye hesitou, sabia que iria dizer casa, mas aquela não era sua casa, não mais.   –  pra lá e esperar minha mãe chegar, faço isso sozinho. Obrigado.

–  Okay, então é um até logo? –  inquiriu Mark e Troye parou para olhar para ele.

–  É um adeus.

Troye deu as costas e retornou para a casa de seus pais, agora não mais vazia. Novamente, tocou a campainha e em instantes a porta abriu e ele se deparou com uma mulher que lhe era jovem, mas estava com aparência cansada e marcas de expressão pelo rosto. A mulher o abraçou apertado vociferando seu nome. Ela era uma cabeça menor que Troye e ele incerto de como reagir, a abraçou e seus olhos estavam bem abertos.

–  Olá... mãe... –  falou ele.

–  Ah Troye que bom que está em casa, que bom que voltou. Venha, não fique parado aí na porta. Deve estar com fome, está-está tão diferente.

Troye fechou a porta atrás de si. E parou entre o corredor e a sala de jantar. Ele olhava para todos os lados, nada de diferente, porém tudo lhe parecia novo. Esta seria uma noite e tanto.

–  Mãe? E o pai? –  perguntou Troye. Ela parou de repente e voltou-se para ele.

–  Ele está em estado instável, mas os médicos estão fazendo o possível para fazê-lo ficar bem, eu garanto.

–  Eu quero vê-lo amanhã, tudo bem? –  questionei.

–  Sim, pode ser...

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