Capítulo 1 - Hugo

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Hugo - Gravatas

Cedo. Não há cedo para um empresário de Los Angeles como eu. Levantei e me encaminhei para o closet. Escolhi uma camisa branca, um terno escuro em tom cinza, uma gravata perolada e estava praticamente pronto. Coloquei os sapatos, o relógio e me olhei no espelho. Passei uma de minhas loções e cremes no rosto, minha pele cor de bronze e o cabelo escuro, parte descendência espanhola e mexicana, como eu sempre digo, sou um latino caliente.

Cabelo arrumado, roupa arrumada. Abri a porta do quarto e me locomovi pelo longo corredor até a cozinha, o cheiro que vinha de lá, era simplesmente delicioso. Panquecas, um dos meus pratos favoritos e Emilly sabia fazê-las como ninguém. Me sentei na bancada e puxei o jornal para perto. Emilly não havia notado minha presença.

–  Bom dia, senhora Jones –  e ela teve um sobressalto antes de se virar para mim.

–  Bom dia senhor Hernandez. Não havia notado o senhor, mas deveria imaginar que estaria de pé para o café da manhã.

–  Desculpe-me pelo susto, mas vi que fez o meu café da manhã predileto e é por isso que eu digo, não posso viver sem você! –  afirmei e mesmo Emilly sendo minha empregada eu a tratava como a uma amiga. Que é o que ela era para mim. Abri o jornal e procurei pela parte de economia. Li as notícias enquanto Emilly me servia. Comi rapidamente, agradeci a ela e saí. Estava na hora.

Mais um dia de trabalho, mais um dia com todos aqueles homens de gravatas e ternos, falando sobre a vida alheia, conversando sobre futebol ou outros esportes e sobre os carros e barcos e iates e aviões que compraram ou casas que venderam e mansões e todas essas coisas. Só de pensar, estremeci.

Escolhi meu carro predileto entre os meus muitos e com velocidade me dirigi para o trabalho. Não demorei para chegar, estacionar e subir para o andar mais alto do edifício, dei bom dia a todos os funcionários que pude, um exemplo como homem trabalhador. Assim parecia ser. Quando entrei na sala e olhei para a minha recepcionista, ela já sabia o que fazer e me informou de tudo o que eu precisava saber.

–  O Juarez do 21 foi demitido e já retirou as coisas, então é certeza que até semana que vem alguém novo estará trabalhando aqui.

–  Mas Juarez viajaria comigo a negócios para Nova Iorque semana que vem –  falei.

–  Bom, pergunte ao senhor Pattrick, ele tem feito alguns 'cortes' –  percebi que Daisy hesitou ao falar a palavra cortes –  pelo bem da empresa.

–  Sei. Ótimo, descubra o que puder –  afirmei e entrei para a minha sala. Me sentei e bem, o dia começou.

Ligações, documentos, históricos, movimentações e transações. Este era meu dia. No meu momento de descanso eu observava o edifício em frente. Pode se dizer que é um hobby meu observar as pessoas e o que elas fazem. Tenho tantas histórias para contar do prédio a frente quanto existem histórias para crianças dormirem. Secretárias safadas transando com o chefe ou eu poderia dizer chefe safado transando com a secretária? A descoberta da traição era normalmente a melhor parte.

Aproveitei o descanso e fiz algumas ligações, liguei para Emilly, tenho uma missão para ela:

–  Emilly? Oi, sou eu, Hugo. Então, eu terei uma reunião em casa esta noite, preciso que você tire a noite de folga, a partir das cinco, é claro.

–  Okay, senhor, mas não pensa que seria bom eu ficar para cuidar do jantar ou...?

–  Não! –  vociferei alto demais –  Não, não precisa, eu dou um jeito, nos vemos amanhã! –  contornei a situação.

Mais horas de trabalho e eu olhava para o relógio ansioso, a reunião estava marcada para esta noite. Trabalhei distraído pois o que eu mais queria era chegar em casa. Daisy comentou sobre minha distração e eu rudemente pedi que ela cuidasse do que era dela e do que eu pedia. Acabei me desculpando pouco depois, esse não era meu feitio.

Uma eternidade, eu diria. Mas finalmente, as cinco horas chegaram e eu estava livre ou melhor, pularia para outra reunião em casa. Mas esta reunião valeria a pena. E com mais velocidade do que de manhã, cheguei em casa. Estacionei o carro e entrei. Abri a porta, hesitante, é só uma "reunião", repeti para mim mesmo.

Do hall de entrada eu já pude visualizar os ternos e gravatas escuros sentados em meu sofá. Me locomovi devagar e parei para observá-los entre um aposento e outro. Loiro, olhos verdes e sério, tão forte que os músculos sob a camisa ficavam em evidência. E o outro, mulato, cabelo raspado, lábios carnudos, ainda mais forte que o primeiro. Meu empresário número um e número dois, pode chamá-los assim.

–  A reunião começou, senhor Hernandez –  falou o número um, a voz firme, mas gentil.

–  Não quer se juntar a nós? –  questionou o número dois.

–  Sim, podemos começar –  sorri e me aproximei. Os dois se beijaram e eu pude sentir o meu corpo estremecer por dentro e senti a minha ereção rija. Pedi para que não retirassem os ternos até que eu mandasse.

–  O que discutiremos hoje? Senhor Hernandez –  exclamou o número um, segurando a minha ereção e olhando sedento para mim.

–  Começaremos assim –  segurei o queixo dele e o levantei. Fiz com que ele ficasse de costas para mim e abaixei as suas costas, puxei o terno que ele estava usando, deixei a gravata e a camisa.

–  Eu serei o ativo e você irá me ajudar –  ordenei para o número dois que assentiu e se levantou. Deixei que eles ficassem apenas de cuecas, meias e sapatos e o principal, as gravatas, o maior alvo dos meus mais íntimos sonhos. Dos meus mais profundos fetiches.

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