Troye - Emocionado
Branco.
Branco para toda parte, as paredes, as portas, as vestes dos médicos. A cor entrecortada somente por simples e poucas coisas como um sapato, um livro ou pasta que alguém carregava e a blusa de lã de Troye, adequada para o frio em tons azuis e preto. Troye encarava a ponta dos tênis quando a sua mãe lhe disse que podia entrar.
Troye se pôs de pé e hesitou com a mão na maçaneta, ele sentia o olhar da mãe em suas costas. Ele não sabia como se sentir, isso era tão estranho. Abriu a porta e aos poucos adentrou, observando primeiro o quarto para em seguida olhar para o pai. Envolvido em cobertas também brancas, percebeu Troye, estava ele, um homem que para Troye costumava ser rígido e forte como uma pedra, sim, uma pedra.
Ele estava tão calmo que para Troye poderia estar dormindo, mas o leve movimento dos seus olhos se abrindo e fechando e as mãos se erguendo como se pudessem tocar em Troye lhe indicavam que ele não estava. Ele lhe parecia mais velho naquela cama e naquele lugar. O que devo dizer? Pensou Troye e se sentou ao lado dele.
– Oi, pai... – não era muito, porém era um começo.
– Oi filho, oi Troye. Senti sua falta – falou ele com certa dificuldade, Troye o encarou sem saber o que dizer mais uma vez – Como você está? – perguntou o pai lhe poupando pensar mais.
– Estou bem, eu estou trabalhando e entrei para a faculdade, quero dizer, tentei... – disse Troye como se estivesse pisando sobre o gelo prestes a rachar.
– Entrou na faculdade? Fico feliz meu filho, eu sabia que um dia escutaria o seu pai.
E Troye abaixou o olhar ao declamar as próximas palavras:
– Mas não é a faculdade que o senhor quis para mim, eu...
– Tudo bem, eu não me importo – interrompeu o pai de Troye com um sorriso no rosto_O importante é que você está fazendo o que gosta e se estiver feliz. Eu estarei feliz também.
Involuntariamente a mão de Troye subiu e tocou a do pai, este com um pouco de firmeza a segurou e seus olhos se voltaram para Troye. E algo que Troye nunca havia visto acontecer, aconteceu. Seu pai estava chorando...
– Obrigado pai – e finalmente Troye abraçou ao pai.
Mesmo que receoso a conversa passou a ser acalorada, Troye contou tudo, ou melhor quase tudo, sobre Nova Iorque. Omitiu detalhes que achou desnecessário. Seu pai lhe questionou se estava namorando ou se estava com alguém e ele apenas acenou com a cabeça que não. Infelizmente o tempo de visita acabou e aquele havia sido, para Troye, um momento que ele jamais diria um dia ter passado. Perceber que o pai precisou passar perto da morte para então, entender que Troye poderia ser quem ele queria ser, quem ele nasceu para ser.
Despediu-se com um abraço caloroso e saiu do quarto, a mãe de Troye conversava com um médico e lhe pareceu estar mais calma e aliviada.
– ...ele está melhor, podemos até falar em dar alta para ele para os próximos dias.
– Obrigada, doutor. Eu agradeço! – respondeu a mãe.
– É sério? Ele está bem?
– Está melhor sim, ele ficará sem sequelas e isso é o que importa, só precisará de muito repouso. Sem fortes emoções e ele ficará plenamente bem.
Agradecendo ao doutor, Troye e a mãe se entreolharam, em uma resposta silenciosa foram embora. Troye estava se sentindo emocionado.
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Neon Nights
RomansaConheça Troye, um simples garoto que se depara com uma situação que mudará sua vida... Conheça Bryan, de forte personalidade, trabalhador e perseguidor de sonhos que fará o possível para realizá-los... E Hugo, ricaço, jovem e promissor empresário qu...
