Capítulo 15

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"A resposta está dentro de você mesmo. Não espere ter sempre uma mão amiga à disposição. Mas saiba que na hora da tempestade somente ficarão aqueles que de fato se importam."

[Tempestade, capítulo 10, Fernando Garcia.]



Enquanto eu estava levando Elisa em casa depois da sessão na A.A, estava pensando no garoto loiro de olhos azuis, o Rafael. A imagem de um garotinho de 10 anos bebendo cerveja em algum canto da casa não me saía da cabeça. Talvez fosse culpa isso que eu estava sentindo. Culpa por me sentir tão fraco diante o que ele passou ainda tão jovem. Culpa por não conseguir me libertar das cadeias que me prendiam às mágoas do passado. Culpa por ainda amá-la, mesmo que o que eu sentia estivesse enfraquecendo aos poucos.

Olhei para o banco do passageiro e observei Elisa dormindo. Ela estava exausta, mas ainda assim transparecia uma áurea de paz tão grande que eu senti todos os meus músculos relaxando. Ela havia ficado emocionada com os depoimentos, mas principalmente com o de Rafael. Elisa havia mencionado que lembrou-se no mesmo momento de Alérci, afinal, ambos eram da mesma idade e, apesar de Alérci ser moreno e não loiro, eles eram parecidos. Tremi com o simples pensamento de Alérci se embebedando. Não era o que eu queria para ele. E nem para qualquer outra pessoa.

Vi Elisa remexer-se no banco do carro. Eu estava em dúvida se a acordava ou não, porém decidi por não fazê-lo. Da última vez, levei alguns tapas (para meu azar) bem posicionados. Se bem que se eu não a acordasse meu destino seria a morte.

Eu prefiria os tapas!

— Elisa — disse em voz não muito alta — Chegamos em seu apartamento.

Humm — ela resmungou ainda de olhos fechados — Me deixe dormir.

— Tudo bem, onde estão suas chaves? Já vi que vou ter que levá-la até lá...

Ela não respondeu, então eu cutuquei seu braço.

— Elisa! — chamei-a e logo cutuquei o seu braço novamente. — Elisa!

— O quê? — disse com a voz fraca pelo sono. Os olhos abrindo-se um pouco, lentamente.

— As chaves do seu apartamento — repeti pacientemente.

— Estão... — Ela bocejou. — Dentro da bolsa.

E fechou novamente os olhos.

Ela realmente estava cansada.

Revirei a bolsa de Elisa até achar as benditas chaves. Confesso que demorei um pouco, mas, em minha defesa, a bolsa dela mais parecia um buraco negro. Como ela consegue colocar tudo isso num espaço tão pequeno? Com certeza ela sabe o feitiço da bolsa da Hermione.

Sorri com este último pensamento. Elisa parecia mesmo uma bruxinha. Saí do carro e dei a volta para tirar Elisa, que adormeceu novamente. Ajeitei-a em meus braços, acionei o alarme do carro e encaminhei-me ao seu prédio. Quando cheguei à portaria, dei de cara com o senhor Jeremias, e por muito pouco não derrubei Elisa de meus braços.

— Boa noite, seu Fernando — o senhor Jeremias cumprimentou-me com o sorriso sincero de sempre. — Cuidado com a dona Elisa. Se ela cair, bate no senhor.

Sim, até o porteiro do prédio da Elisa não se furtava em tirar sarro da minha cara.

— Eu sei disso, senhor Jeremias — resmunguei — Poderia me ajudar com o elevador?

— Sim. Claro.

Após entrar no apartamento de Elisa com muita dificuldade, tentei encontrar a porta que levaria ao seu quarto. Não demorei a encontrar, já que o apartamento era pequeno e tinha apenas três quartos. Coloquei-a na cama e cobri o seu corpo com o cobertor.

Deixei um beijo em sua testa e e me afastei, admirando a sua beleza. Parecia tão doce enquanto dormia... nem parecia a garota mais louca da face da Terra!

Prendi a gargalhada para não acordá-la. Dirigi-me à porta do quarto, mas parei ao ouvir a sua voz sonolenta.

— Já vai embora?

Aproximei-me novamente da sua cama. Ela continuava com os olhos fechados.

— Está tarde.

— Tarde quanto?

— Duas horas da manhã. — Sorri.

Elisa sentou-se rapidamente na cama e seus olhos arregalados me fitaram.

— Você não pode ir embora a essa hora!

— Eu vou ficar bem. Não vou cometer nenhuma loucura, eu prometo.

Não adiantou nada o meu sorriso sincero tentando tranquilizá-la. Elisa às vezes parecia uma mamãe pássaro, e eu era o seu filhote.

— Não quero saber. A questão não é você cometer alguma loucura. Sei que isso é perfeitamente possível, mas eu confio que você não fará isso. — Ela levantou uma sobrancelha, me desafiando a dizer o contrário. — O problema é que é realmente perigoso você andar por aí de carro às duas da madrugada, ainda mais que sua casa é do outro lado da cidade. Não. Definitivamente, não. Você dormirá aqui. E sem discussões!

Quando a sua mãe briga com você e o orienta de uma forma nada ameaçadora a fazer algo, o que você faz? Obedece ou faz somente o que quer?

O olhar de Elisa estava me dizendo que se eu não ficasse voltaria para casa sem algum membro importante do meu corpo.

— Tudo bem, eu fico! — Joguei minhas mãos para o alto, rendendo-me aos caprichos da garota em minha frente. — Em que quarto dormirei?

— Pode ser no quarto ao lado. Ele está limpo e organizado. E acho que há algumas roupas que servem em você dentro do guarda-roupa — disse com um lindo sorriso vitorioso.

Eu revirei os olhos.

— A sua sorte é que amanhã é domingo e não trabalhamos — resmunguei — Agora, se me der licença, vou tomar um banho.

Virei-me para sair, mas Elisa, novamente, me impediu.

— Fernando? Eu... eu sei que você deve estar se sentindo incomodado com aquela história do Rafael, mas... não se sinta assim. Ele vai conseguir superar. E você também.

Suspirei e voltei até Elisa, apertando-a em um abraço, que foi prontamente retribuído.

— Obrigado por tudo — eu disse com a voz apertada em um nó — Você é a pessoa mais incrível que conheço.

Senti seu sorriso formando-se em seu rosto, e a sensação de paz invadiu-me novamente.

— Eu sei disso.

— Convencida! — murmurei, fazendo-a gargalhar. Porém, continuávamos abraçados, agarrados um ao outro — Quando você disse que iria à reunião comigo, quase enfartei. Pensei que você finalmente perceberia o tamanho do problema que sou. Mas você foi completamente fantástica. Poucas pessoas continuariam a me apoiar depois de todas as histórias que você ouviu hoje. Poucas pessoas fariam tudo o que você está fazendo e isso é uma prova de amizade que jamais esquecerei.

Ela me empurrou pelos ombros delicadamente, com um sorriso tão solar que aqueceu meu coração. Tocou meu rosto com as mãos e disse:

— Poucas pessoas sabem o quão incrível você é. Mas eu tenho dimensão do tamanho do seu coração e sei que você é uma pessoa pela qual vale a pena lutar. — E me beijou a bochecha. — Agora, demonstre que tenho razão em ter fé em sua bondade, vai tomar banho e me deixe dormir!

E jogou o travesseiro em mim, fazendo-me sorrir. Ela não seria a Elisa se oferecesse apenas seu lado doce nessas horas.

Saí do seu quarto e fui tomar banho. Quando deitei-me, pensei no quanto aquele garoto deve ter sofrido e no quanto ele deveria ser forte para carregar todo esse peso nos ombros.

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Olá, pessoas. Como vão vocês? Espero que bem! Hoje eu não vou falar muito, porque eu não tenho muito o que falar. Haha.

Espero que gostem! :)

Ah, antes que eu esqueça, um feliz dia das mães para as mães de vocês! <3

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