Capítulo 18

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"E então espere mais um dia

Para ver o sol nascer,

Para a flor desabrochar,

Para a vida enaltecer,

A coragem me alcançar

E a vida acontecer.

Então espere mais um dia

Para ver a noite cair,

As estrelas iluminarem o céu,

E a verdade emergir

Dos contos de doce mel.

Então espere mais um dia,

Porque a doce alegria

Está prestes a florescer."

[Alegria, Fernando Garcia]


Depois do que havia acontecido na casa de Elisa, eu fiquei extremamente envergonhado em sua presença. Ainda não acreditava que havia gritado pelo nome de Alice em plena madrugada. Ainda não acreditava que ela ainda ocupava o meu coração desta forma. Esse amor era doentio, eu já sabia. Mas ter feito isso só me fez sentir mais fraco ainda.

Maldita, desgraçada. Por que tinha que empatar a minha vida dessa forma? Por que ela ainda era tão constante em meus pensamentos? Isso tinha que acabar. Eu não podia viver em função desse sentimento que só me fazia mal. Eu tinha que me livrar dela de uma vez por todas. Eu precisava. Não era questão de parar de sofrer, mas sim de sobrevivência. Porque certamente, se esse sentimento continuasse instalado em meu peito, eu perderia a minha pouca vontade de viver.

Nessa hora, lembrei-me do olhar decepcionado de Elisa, e meu coração se apertou de uma forma absurda. As imagens dela me encarando tão duramente invadiam minha mente e eu me sentia a pessoa mais claustrofóbica do mundo, enclausurada em seus próprios pensamentos.

Ela não merecia aturar alguém como eu. Ela não merecia nada de ruim que vinha de mim. Eu era quebrado e poderia acabar causando algum sofrimento a ela. E só de pensar nisso... não. Com a Elisa não! Poderia decepcionar as outras pessoas, elas já estariam mesmo esperando isso de mim, mas a Elisa era outra história.

Suspirei profundamente, decidindo que eu faria de tudo para não decepcionar a pessoa mais importante da minha vida. Sorri com convicção e estacionei na garagem dos meus amigos.

Não via Pedro e Aline há uma semana, então decidi fazer uma visita surpresa para eles. Mas assim que cheguei em frente à porta, com a mão em direção à campainha, Pedro a abriu em um supetão.

— Uau, que timing, einh? — perguntei com um sorriso divertido, que logo foi apagado ao fitar a expressão aterrorizada de Pedro. — Ei, o que houve?

Ele nada respondeu, mas ouvi um grito vindo de dentro da casa. Entrei sem nem pedir licença, porque sabia que o grito fora de Aline. A cada passo que dava para aproximar-me, percebia que todos os gritos eram acompanhados de palavrões.

— Pedro, seu filho da mãe, estou morrendo aqui! AI! Será que dá para você agilizar essa porra?

E foi nesse momento que percebi duas coisas.

A primeira: Aline só não xingou Pedro de "filho de uma puta" por amar muito a tia Rosana.

A segunda: Alegria estava nascendo.

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