"Talvez hoje à noite eu vá chamar você, depois que o meu sangue se transformar em álcool."
[Give me love, Ed Sheeran.]
Era estranho passar a noite na casa de Elisa. Sentia-me desconfortável pelo fato de estarmos no mesmo ambiente e, mesmo assim, ela estava lá no seu quarto, deitada, enquanto eu estava sentado na cama do quarto de hóspedes, depois de ter tomado um banho. Faz algum sentido? Não? Bem, realmente eu estava confuso em relação a tudo o que tinha ligação com Elisa.
Sentia-me nessa confusão havia algum tempo, porém, com o passar dos dias e com toda a convivência que obtivemos por trabalharmos juntos, esta confusão estava se tornando cada vez mais latente. Não sabia o que fazer com isso. Não sabia o que fazer com a minha vida, para falar a verdade. Meu Deus, eu estava muito ferrado! O que era isso que eu estava sentindo? Eu estava ficando louco, só pode.
Deitei-me na cama e fechei os olhos, para logo em seguida cair no sono. E eu acabei sonhando com algo muito estranho:
Estava sentado em um banco de uma pracinha perto de casa. A pracinha que viu praticamente todas as fases da minha vida, desde o primeiro passo, até o primeiro porre que tomei depois da morte de meus pais. Desde o minha primeira namoradinha até o dia em que terminamos ali mesmo. Então o meu celular apitou a chegada de uma mensagem e eu não acreditei no que vi. A desgraçada decidiu conversar comigo por mensagem de texto! Eu fiquei tão estarrecido que joguei o celular no chão com força e dancei sapateado em cima dele até ficar só os cacos.
— Você está bem agressivo, não acha? Eu não o conheci assim. — Esta voz me fez virar bruscamente.
O que ela estava fazendo ali?
— Você não tem nada a ver com isso.
— Mas é claro. — Ela sorriu e se aproximou mais de mim. — Até porque eu não sou a mulher de sua vida, não é mesmo?
— Não, você não é. Não amo alguém que me abandona sem mais nem menos — tentei parecer convincente, mas o fato é que passei cinco anos da minha vida tentando entender os motivos que fizeram Alice me deixar e agora aqui estava ela, em minha frente, como se o que ela fez fosse certo.
— Claro, claro. Você agora está apaixonado por aquela garota, não é mesmo? — do que era que ela estava falando? — Mas eu realmente não me importo. Eu não o amo mais, Fernando. Foi por isso que o deixei. Ou você acha que eu suportaria viver o resto da minha vida ao seu lado? Você tornou-se um cara muito certinho, muito bonzinho, muito submisso ao "nosso amor". E caras assim não merecem viver ao meu lado... Parece que fiz o certo. Olha só o que você se tornou... A porra de um bêbado miserável. Realmente, deixar você foi a melhor coisa que já fiz na vida.
Acordei em um susto. Isso era um pesadelo daqueles e eu realmente me peguei acreditando em cada palavra. Será mesmo que a culpa não foi minha? Será que eu não fui o responsável por fazê-la partir em busca de algo melhor?
Percebi que estava chorando e praguejei por isso. Levantei da cama, sai do quarto e fui até a cozinha. Precisava de algo para beber. Algo para acalmar o turbilhão de pensamentos que me atingiam freneticamente.
Achei uma garrafa de vodca. Agarrei-a como se minha vida dependesse daquilo e sentei-me no chão frio, para logo dar o primeiro gole.
Não me importava com nada naquele momento. Só queria acabar com a dor que retornou com tudo. Com lembranças boas e ruins, inclusive. O passado estaba me engolindo como uma avalanche, e eu estava me afogando em lágrimas e álcool.
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Dê-me amor
RomanceFernando Garcia é um escritor que já fora famoso, mas agora, devido à toda a sua crise de bloqueio criativo, que já dura nada mais que cinco anos, se vê falido, afundado em dívidas e no álcool, seu atual companheiro a quem confia suas mágoas e princ...
