"Nem tudo é como você quer. Nem tudo pode ser perfeito. Pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito."
[Não olhe pra trás, Capital Inicial.]
Um mês se passou desde o fim de tarde em que Elisa e eu conversamos de verdade, como pessoas civilizadas que teoricamente somos.
E eu estava extremamente surpreso pela forma como nós dois nos aproximamos tão rápido em tão pouco tempo. Ela tem sido uma amiga e tanto, daquelas que dão puxão de orelha quando necessário e apoio nas horas difíceis.
Alérci também tornou-se um verdadeiro amigo, apesar da idade. Talvez eu o veja como o irmão mais novo que nunca tive. Ele é bem maduro para a idade, para falar a verdade. Ah, se ele resolveu aquela história da friendzone? Ele está trabalhando para isso.
— Bom dia, Elisa! — digo ao chegar à editora.
Apesar da minha vida não ser um mar de rosas, eu ainda tento ser educado.
— Bom dia. — ela responde, carrancuda. Eu franzo o cenho.
— O que foi? Você está azeda hoje? — eu pergunto. O que foi totalmente errado, porque ela me lançou um de seus olhares mortais.
— Estou com uma ressaca por privação de sono por sua causa! — ela diz em tom acusador — Você sabe o quanto é ruim ficar com dor de cabeça quando se tem uma montanha de trabalho para fazer?
Eu me controlo para não rir. Elisa e eu fomos à um restaurante japonês, porque a louca cismou que queria comer sushi. Depois disso, fomos para a casa de Pedro, onde ficamos por um longo tempo jogando conversa fora, apesar de meu amigo alugar Aline toda hora, perguntando se ela estava bem, se a Alegria não queria adiantar sua vinda ao mundo. E Aline estava a ponto de bater em Pedro, porque mandá-lo parar com isso pois já estava irritando-a profundamente ela já havia feito. "A nossa filha ainda tem dois meses, Pedro, para com a paranóia!", Aline disse, causando uma crise de gargalhadas em Elisa e eu. E Pedro apenas com a cara amarrada, sem achar a menor graça.
Enfim, voltando ao assunto, quando lembramos que teríamos que trabalhar no dia seguinte, bem, na verdade já estávamos no dia seguinte. Eram duas da manhã e ainda estávamos na casa dos meus amigos.
— Ei, eu não obriguei você a nada! — tentei me defender, mas era difícil quando uma gargalhada estava a ponto de explodir em minha garganta — Além disso, você tem que confessar que amou essa noite.
Ela ficou me encarando com raiva por alguns segundos, mas logo colocou um sorriso no rosto. Elisa estava admitindo que a noite foi divertida.
— Meu Deus, Elisa! Isso no seu rosto é um sorriso? — fiz-me de assustado. — Caramba, isso é tão raro que assusta!
Ela revira os olhos e fecha a cara.
— Palhaço! — ela bufa.
— Ei, não sou palhaço! — Fingi irritação e me fiz de ofendido. — E não falei nenhuma mentira também. Eu percebi que você anda sorrindo mais, e já até flagrei você cantando. Elisa, o que está acontecendo? Parece outra pessoa.
E parecia mesmo. Ambos parecíamos, mas, ao contrário de Elisa, eu ainda estava completamente sem rumo. Ainda não havia me livrado do álcool, embora já tivesse começado a frequentar o A. A. E também ainda estava longe de quitar as minhas dívidas. Eu simplesmente estava sobrevivendo, mas digamos que com a presença de Elisa em minha vida essa sobrevivência estivesse menos ruim.
— Acontece que há uma pequena possibilidade de eu estar apaixonada — ela diz radiante e, por algum motivo, sinto uma dor incômoda em meu peito.
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Dê-me amor
RomanceFernando Garcia é um escritor que já fora famoso, mas agora, devido à toda a sua crise de bloqueio criativo, que já dura nada mais que cinco anos, se vê falido, afundado em dívidas e no álcool, seu atual companheiro a quem confia suas mágoas e princ...
