Capítulo 13

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"O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço."

[Dentro de um abraço, Jota Quest.]


— Elisa, chegamos. — Cutuquei seu ombro para que acordasse.

Ela abriu os olhos lentamente e olhou ao redor, tentando reconhecer o lugar em que estávamos.

— Essa não é a minha casa — ela disse, lançando um olhar confuso em minha direção após perceber que estávamos em frente à minha casa.

— Eu pensei que ainda está cedo e poderíamos aproveitar o resto da tarde juntos. O que você acha? — perguntei com um sorriso no rosto.

A verdade é que eu queria animá-la. Sim, você leu direito. Eu, Fernando Garcia, pretendia tirar aquela tristeza do olhar de Elisa. Os papéis se inverteram, não?

Ela me olha confusa e então, para minha desgraça, adquire a expressão de quem sabe exatamente o que vai fazer.

— Sim, claro. Acho uma ótima ideia.

E isso me assustou imensamente.

Entramos em minha casa, e Elisa não deixou de admirá-la, como é costume. Afinal, era uma casa realmente bonita. Era uma daquelas casas antigas, que sabemos que fez parte da história da cidade apenas dando uma olhada rápida. Meu pai me contou uma história engraçada a respeito da nossa casa.

Ele e mamãe haviam acabado de se mudar para a cidade. Emprego novo, um filho na barriga e uma vontade de ter uma vida bem tranquila e proporcionar essa tranquilidade para o filho que estava por vir. Eles estavam procurando uma pousada para ficarem até terem seu próprio cantinho. Foi aí que minha mãe viu a placa de vende-se nessa casa enorme e decidiu que a queria. Meu pai, claro, ficou perplexo com a facilidade que ela tinha de decidir as coisas tão rapidamente, porque ele não acreditava que a cada dia que passava podia descobrir mais a respeito da mulher que amava. Ela nem viu as outras casas, ligou para o número disponibilizado na placa e marcou a visita. Eles ficaram com a casa e, depois de um tempo, descobriram que ela havia sido de um conde sem muita importância em tempos longínquos. Uma informação que, para mim, não fez diferença alguma em minha vida, mas para meus pais era uma informação bastante interessante.

— Então... você quer água, café, chá? — perguntei na intenção de adiar as explicações que ela exigiria mais cedo ou mais tarde.

Ela desviou os olhos dos quadros, os direcionou para mim e respondeu:

— Não, obrigada. — Ela sorriu e então sua expressão ficou séria. — O que eu quero são explicações e você sabe disso.

Eu sabia que ela não esqueceria isso. Afinal, a minha sorte havia me dado adeus já fazia um bom tempo. E o pior é que eu sabia que teria que contar a verdade para ela. Elisa era uma amiga tão verdadeira, que chegava a ser espantoso o quão rápido eu passei a confiar nela. O quão rápido nos tornamos grandes amigos. O quão rápido passamos a nos conhecer tão profundamente. Ela merecia saber o que eu passava a cada vez que me via em uma crise de abstinência, quando eu não conseguia fazer o vício se dobrar à minha vontade e acabava cedendo, quando eu me via arrependido assim que a sobriedade me agraciava com sua presença.

Tomei fôlego. Nada podia fazer uma vez que a decisão estava tomada. Eu contaria o que estava acontecendo para Elisa naquele dia, mesmo que isso me custasse a nossa amizade.

— Tudo bem — eu concordei, fitando os olhos mais lindos que já vi — Eu vou explicar para você.

Elisa sentou-se no sofá e ficou me observando por alguns segundos. Eu suspirei e sentei ao seu lado. Finalmente iria contar para ela. Meu coração começava a disparar rapidamente à medida que pensava na possibilidade de perder a nossa amizade. Mais do que isso, eu já a imaginava saindo da minha vida para nunca mais voltar. E isso era bem mais do que eu poderia aguentar.

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