Era como tocar as estrelas. Era isso que eu sentia todas as vezes que a via. A sensação de que eu era alguém importante o suficiente para tê-la no mesmo espaço-tempo que eu enchia-me, completava-me, alimentava meu ego de uma forma que a certeza de que eu poderia explodir a qualquer momento acompanhava meus passos. E foi assim que me vi completamente dependente dela. Dependente das sensações que apenas ela me proporcionava ao oferecer-me algumas gargalhadas sinceras.
Eu estava apaixonado. Isso já não era tão pertubador assim, agora que aceitei o fato. Porém, ainda me via numa situação constrangedora toda vez que tentava falar isso para ela. Para falar a verdade, era até humilhante, vergonhoso. Era aquele medo estúpido de levar um não como resposta como ocorreu em tantas outras vezes. Eu via-me perdido, tentando encontrar a melhor solução para resolver isso de uma vez por todas.
Alice era realmente uma criatura encantadora. E eu lembro que era exatamente isso que eu estava pensando enquanto a observava de longe, sentada em um banquinho da praça da universidade. Suspirei profundamente, tentando controlar a acelerada pulsação do meu coração. Decidi que seria naquele momento que falaria com ela, tomado por uma coragem que só Deus sabe de onde veio.
Sei que nos conhecemos em uma praia e que agora somos amigos. Sei que é rídiculo esse medo de falar com ela depois de alguns meses de convivência diária. Mas acontece que as pessoas (todas elas, e não venha me dizer que você é exceção) tornam-se criaturas extremamente ridículas quando estão apaixonadas.
Respiro fundo e vou ao seu encontro. Sento-me ao seu lado sem dizer nada, mas meu coração... Meu Deus, meu coração parou de bater de tanto nervosismo. A coisa toda só piorou quando ela se virou para mim e sorriu. Aquele sorriso que só ela tinha. Aquele que alcançava os olhos e era tão verdadeiro que eu me perguntava como alguém poderia continuar triste após ter esse sorriso direcionado para si.
— Oi, Nando.
Minha língua, alguém sabe para que lado a infeliz fugiu? Minhas cordas vocais deram um nó ou é impressão minha?
Meu coração voltou a pulsar no peito, mas suas batidas estavam tão aceleradas que pensei que teria um ataque cardíaco ali mesmo. Minha respiração estava falhando porque meus pulmões resolveram que parariam de funcionar.
Foco, Fernando. Você não pode falhar agora.
Pisquei uma ou duas vezes tentando reestabelecer a ordem em meu sistema nervoso. Alice olhava para mim com ar de preocupação.
- Nando, você está bem? Está pálido.
- Estou bem, não se preocupe. - puxei o ar para meus pulmões e foquei em seus olhos. - Eu preciso falar com você.
Nossa, Fernando, que começo excelente. Você merece palmas pela abordagem. Ralhei comigo mesmo.
- Claro, pode falar. - ela sorriu em expectativa e meu coração pareceu querer fugir pela boca.
- Eu... eu queria perguntar se... se - isso fica cada vez melhor. Para de gaguejar, caramba! Respirei fundo e tentei novamente. - Eu queria perguntar se você gostaria de sair comigo.
Falei rápido e certeiro. Vi Alice arregalar os olhos em surpresa e logo percebi que ela recusaria. Sabia que não podia ter alimentado esperanças tolas. Ela nunca sairia comigo quando tem caras mais legais por aí querendo sair com ela.
- Hum, acho que eu não deveria ter perguntado isso. Desculpe. - murmurei envergonhado e fiz menção em sair de seu lado.
Estava derrotado. Senti as rachaduras se fazendo pelo meu coração e a dor que senti foi surreal, mas recusei-me a dar vazão às lágrimas. Não choraria ali, na sua frente, na frente de toda a universidade.
Já estava há uns dez passos de distância quando eu ouvi passos rápidos ecoarem atrás de mim.
- Nando, espere!
Parei imediatamente, mas permaneci de costas. Ela ficou posicionada em minha frente, parecendo ofegante. Arqueei uma sobrancelha e ela me encarou após arfar.
- Eu adoraria sair com você. - disse sorrindo e eu vi meu próprio sorriso traçar seu caminho em meus lábios.
- Sério?
Então ela me surpreendeu e aproximou-se de mim, tomando uma das minhas mãos e entrelaçando à sua.
- Sério. - respondeu com um sorriso ainda mais brilhante que o anterior.
E meu coração, que antes martelava no peito pela ansiedade, agora festejava pela resposta positiva que eu tanto ansiei. E as rachaduras feitas há pouco em meu coração, agora não passavam de pequenas ranhuras em sua superfície. E quando nossos lábios se tocaram, até mesmo essas ranhuras haviam se apagado.
E depois de tanto tempo planejando, até consegui ouvir o coro de anjos cantando um amém tão alegre quanto as batidas do meu peito e o sorriso dos meus lábios.
Isso duraria para sempre. Eu sei que sim.
¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤
Oiiii, gente! Como vão? Espero que bem, porque eu prometi e cumpri!
E cumpri porque é hoje! SETE MESES DE VIDAAAAAAAA! Que coisa mais linda, é quase uma gestação! Haha. E por causa desses sete meses que vocês me aturam eu sou muito agradecida. Amo vocês. Sério! ❤
Eu espero que gostem desse bônus que fala sobre o relacionamento do Fernando com a Alice. Não sei se foi esclarecedor, mas... enfim, eu tô planejando algumas coisitas. Haha.
Espero votos e comentários. 😊
Beijos de luz.
Allana. 😘
VOCÊ ESTÁ LENDO
Dê-me amor
RomanceFernando Garcia é um escritor que já fora famoso, mas agora, devido à toda a sua crise de bloqueio criativo, que já dura nada mais que cinco anos, se vê falido, afundado em dívidas e no álcool, seu atual companheiro a quem confia suas mágoas e princ...
