Capítulo 39

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"Para teu amor, eu tenho tudo. Desde meu sangue até a essência do meu ser. E para teu amor que é meu tesouro tenho minha vida toda inteira a teus pés. E tenho também um coração que morre por dar amor. E que não conhece o fim. Um coração que bate por você."

[Para tu amor, Juanes.]

- Boa noite, queridos. - Andréia disse, iniciando mais uma sessão.

Elisa e eu estávamos em mais uma reunião da A.A. naquela noite. Apesar de eu não ter colocado uma gota de álcool sequer na boca desde o início do nosso namoro, era importante que eu continuasse frequentando as reuniões para me manter firme. O alcoolismo é uma doença que deve ser mantida sob controle, mesmo quando parece que está tudo bem. Você nunca sabe quando vai ter uma recaída, porque você não fica bem o tempo todo. Ninguém está sempre sorrindo, ninguém está sempre feliz. Isso é natural, obviamente, mas são nos momentos em que você está mais vulnerável que você tem uma recaída.

— Primeiramente, gostaria de agradecer por suas presenças. É muito importante que continuem vindo. Segundo, queria dar as boas vindas aos iniciantes e agradecer aos acompanhantes. O apoio da família e dos amigos é muito importante. Vamos começar. Eu falarei primeiro, depois quem quiser falar, sinta-se à vontade.

Eram sempre as mesmas palavras, pensei. E como sempre, todos concordaram com a cabeça. Eu olhei para Elisa, assim como fiz na primeira vez em que ela me acompanhou em uma reunião. E, assim como foi na primeira vez, Elisa observava tudo atentamente.

Eu havia dito novamente que ela não precisava fazer isso. Porém, ela reafirmou que havia dito que iria me acompanhar em todas as reuniões.

Eu nunca imaginei que fossem todas mesmo.

Voltei a prestar atenção no que a Andréia estava dizendo.

- Eu sou a Andréia Medeiros, tenho vinte e sete anos e sou a psicóloga responsável pelo grupo do A.A. Apesar de ser a psicóloga, eu tenho história com o alcoolismo, ainda que indiretamente. Meu pai foi alcoólatra. E é realmente um fim muito triste. Tentamos ajudá-lo, mas ele acabou falecendo devido à um câncer no fígado, causado pelo excesso de álcool.

Como sempre, eu havia ficado emocionado. E como sempre, todos nós entoamos o nosso mantra.

- Força, companheira!

E assim seguiu com aquele mesmo roteiro. Havia integrantes antigos, como o Alfredo, por exemplo. E havia pessoas novas, como o Luís e a Ana. Algumas pessoas não frequentavam mais e outras simplesmente sucumbiram em consequência do alcoolismo, como era o caso do senhor de quase setenta anos que perdera a esposa em uma enchente.

Estava prestando atenção no depoimento de Ana, quando percebi que Elisa estava olhando ao redor, como se procurasse por alguém.

- Quem você está procurando? - sussurrei, para que não atrapalhasse a reunião.

- O Rafael. - ela respondeu, também sussurrando. - Você o viu por aí?

Então nós ouvimos alguém sussurrando às nossas costas.

- Vai, pai. - ele disse, bem baixinho. - Eles são legais.

Era o Rafael com um homem que se parecia muito com ele, embora tivesse as feições denunciando o seu cansaço. Cutuquei Elisa, para que ela visse também e ela abriu um grande sorriso.

- Ele conseguiu convencer o pai a procurar ajuda. - Elisa sussurrou, feliz pelo garoto.

- Sim. Vai dar tudo certo, afinal. - beijei o topo da cabeça de Elisa, também feliz por Rafael.

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