Capítulo 21

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"Força de vontade

Estou arruinado pensando nela

Prove o meu desastre

Está na ponta da língua."

[Mind Over Matter, Young The Giant]




Quando eu era criança, acreditava que poderia fazer tudo o que eu quisesse. Em minha mente infantil, eu poderia ser um super-herói, como o Batman ou o Capitão América, por exemplo, ou até mesmo seria capaz de me transformar em um grande instrumentista, não importando se o instrumento com o qual eu trabalharia seria um violoncelo ou um piano. Também acreditei por um bom tempo que eu até mesmo poderia ser um astrônomo de grande importância para a sociedade, porque eu realmente elaborava teorias mirabolantes que tentavam explicar os grandes segredos do universo.

Porém, não era a área em que eu atuaria que importava. Na minha concepção, qualquer coisa com a qual eu me comprometesse de fato seria bem executada.

Com a passagem do tempo, eu acabei me interessando por coisas bem menos complexas do que ser um super-herói ou descobrir segredos do universo, porém, de uma natureza bem mais reflexiva. É claro que salvar vidas e fazer grandes descobertas são duas coisas de importância ímpar, mas quem se importa com ambas enquanto tenta descobrir os segredos do primeiro amor?

E assim eu havia conhecido a literatura.

Enquanto adolescente que sofre da síndrome de Narciso e que está em estado de ânsia com a perspectiva de conquistar a primeira garota por quem já se interessou de verdade, eu passei a ler muitos livros, inclusive os de poesia. Confesso que no início eu não conseguia entender nada do que os autores escreviam sobre o amor e outros sentimentos de natureza humana. Havia muitas palavras complicadas que dificultavam a minha compreensão, mas com as muitas leituras dos variados poemas e com a ajuda de dicionários, eu consegui entender o mundo poético, ao menos minimamente.

E foi por isso que eu acreditei que poderia conquistar a garota por quem eu estava apaixonado com um poema. Mas não seria qualquer poesia. Seria uma autoral, porque a síndrome de Narciso faz isso com o seu portador: presenteia-o com uma auto-confiança exarcebada. Porém, a inexperiência do primeiro amor me deixou tímido, inibido, temeroso do desconhecido. E quando eu finalmente tomei uma dose de coragem e me agarrei à minha síndrome de Narciso para falar com a garota, eu ganhei o meu primeiro coração partido.

O fato me arrancou da minha bolha de auto-confiança exarcebada e me fez perceber que nem tudo o que se quer é o que se pode ter. Entretanto, essa experiência me mostrou algo que eu passei a carregar em mim a partir daquele momento: eu queria ser escritor. Era isso que eu almejava para a minha vida, e essa descoberta não poderia ter surgido de algo mais inusitado.

Eu até mesmo lembrava do poema que havia escrevido para a minha primeira paixão. Ele era engraçado e, ao mesmo tempo, um tanto quanto carregado de uma ingenuidade característica das primeiras experiências amorosas. Ele se chamava Julieta e era assim:

O sorriso dela é branco
E suas bochechas têm covinhas.
Ela usa óculos
E seus cabelos são molinhas.

Com o brilho das estrelas
E com calor infinito,
Os seus olhos me remetem agora
A tudo o que há de mais bonito.

Seguindo os seus passos
E perdendo a minha razão,
É ela quem é agora
A dona do meu coração.

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