"Depois da meia-noite, nós acendemos as luzes da cidade. Nos abraçamos e ficamos juntos até o nascer do Sol [...]"
[Depois da meia-noite, Capital Inicial.]
Eu ainda estava experimentando aquela sensação. Ela me parecia tão distante, tão impossível, mas ela se fez tão presente e real que me tirou o fôlego.
Essa sensação, a de, pela primeira vez, querer seguir em frente de verdade, me acometia de maneira bruta e doce ao mesmo tempo. Era algo concreto e palpável. Era algo que me impulsionava a ter os pensamentos de que a minha liberdade estava muito perto. Expectativa. Era esse o sentimento que se apoderava do meu ser. E a certeza de que eu estava bem perto do que eu chamo de felicidade sempre a acompanhava.
No fim, vai dar tudo certo. E essa certeza se tornava cada vez mais forte à medida que eu pensava nas infinitas possibilidades de futuro que eu poderia ter.
Eu quitaria as minhas dívidas. Eu não perderia a minha casa. Eu retomaria a minha carreira e voltaria a escrever. Sim, eu voltaria a escrever.
— Você está tão quieto. - Elisa disse. E eu sorri. Ela olhou para mim e viu o meu sorriso, então fez uma careta engraçada. - E está estranho também... Quer dizer, mais estranho do que o normal.
E eu gargalhei. O sentimento de leveza me levava para os meus lugares mais felizes.
- Eu estou mais leve, sabe? - perguntei para a garota que tem tornado os meus dias cada vez mais surpreendentes.
Elisa me encarou com um sorriso e balançou a cabeça em uma afirmativa. Nós estávamos em um lugar maravilhoso, com uma vista incrível. Não queríamos que a nossa noite terminasse. Não estávamos com sono e nem estávamos com pressa. Então fomos para o seu lugar favorito da cidade: a cobertura abandonada do seu prédio.
- Eu sei, sim. É como se um peso saísse das suas costas e deixasse os seus pensamentos fluirem com clareza. - ela respondeu enquanto olhava para o horizonte. - E então o seu primeiro pensamento é de como você perdeu tanto tempo da sua vida batendo na mesma tecla, nos mesmos sentimentos ruins que te assaltam do que realmente importa, mas depois... Depois você percebe que aquilo fez parte do seu processo de amadurecimento.
Olhei para ela. Era exatamente isso que eu estava sentindo. Como se tudo isso fosse mesmo obra do destino para me mostrar que eu precisava daquilo para amadurecer. E embora eu não acredite nessa coisa chamada destino, o que Elisa disse fez todo o sentido do mundo.
Afinal, provavelmente eu seria o escritor mais esnobe do mundo se continuasse naquela fase de alegria sem fim. Eu comecei precocemente, oras essa. E, apesar de ter aprendido aquelas lições no passado, o meu convívio com Alice estava me fazendo voltar a ser aquele adolescente com a síndrome de Narciso.
- Você tem razão. - limitei-me a dizer apenas isso.
O Sol começou a nascer. Fechei os meus olhos por um segundo ao ser atingido pela sua luz e os abri novamente, afim de apreciar o espetáculo.
Eu me sentia renovado e pronto para lutar. E as palavras escritas na lápide dos meus pais ficavam brilhando em minha mente.
Siga em frente.
Siga em frente.
Siga em frente.
Sorri. Esse foi um dia feliz.
- Eu amo o nascer do Sol. - Elisa também sorria enquanto proferia essas palavras. - Parece que estou renascendo quando a luz toca a minha pele.
- A luz do Sol é a luz das almas felizes. Emanadas do brilho, envoltas em lucidez. Felizes. Felizes. Renovadas da natureza. A luz do Sol... não, a luz do nascer do Sol é a mais simples das belezas, a mais simples das purezas, a mais bela, com certeza. - nem percebi quando as palavras saltaram da minha boca, mas surpreendi-me comigo mesmo. - Felizes... felizes.
- O que você disse? - Elisa me encarava boquiaberta. Após um momento de choque, ela sorriu. - Você... você conseguiu.
E me abraçou.
- Nós conseguimos. - retribui o abraço, apertando-a em meus braços. - Você é a responsável pela maior parte da minha melhora, sabia?
Então eu a afastei, apenas o suficiente para fitar os olhos mais lindos que já conheci na vida. E eu sorri mais uma vez, porque era difícil controlar isso quando era para Elisa que o meu olhar estava direcionado. Era difícil controlar isso quando era a Elisa que estava a dois segundos de distância de mim. Era difícil controlar isso quando era o perfume de Elisa que invadia o meu sistema respiratório. Era difícil controlar isso quando Elisa também me sorria, tanto com a boca quanto com os olhos.
- Eu sabia. - ela respondeu, zombeteira. As nossas respirações estavam misturadas e eu sentia o seu hálito atingir o meu rosto enquanto falava. - Eu sei reconhecer os meus atos heróicos.
E eu gargalhei, porque não havia mais nada que eu pudesse fazer além disso. Eu já estava envolvido o suficiente, eu já estava apaixonado o suficiente para sequer tentar pensar em algo para fazer além de gargalhar. Ou sorrir. Ou apenas rir.
- Eu também sei reconhecer os seus atos heróicos. - e uni nossos lábios, queimando os dois segundos de distância que nos separavam. Matando as nossas vontades e nos refugiando em um dos lugares que mais nos fazem felizes. - Obrigado por fazer parte da minha vida.
- Obrigada por me deixar fazer parte dela. - Elisa disse e apoiou a cabeça em meu ombro. - Que tal voltarmos para o apartamento? Estou começando a ficar com sono.
Ela bocejou, como que para reforçar a ideia de que o sono estava demais para aguentar.
- Vamos ficar só mais um pouco, sim? - perguntei, porque eu me sentia bem ali, com Elisa ao meu lado e a luz do Sol nos iluminando.
- Se eu dormir aqui, você vai me levar lá para dentro. - resmungou, já com a voz embalada pelo sono.
Sorri.
- Tudo bem. - envolvi-a com os meus braços, afim de apoiá-la. - Tudo bem.
E estava tudo bem mesmo. Eu tinha planos para aquela manhã. Para ser sincero, eu tinha planos para uma vida. Assim, depois de dez minutos ali, carreguei Elisa até a sua cama, peguei um caderno de anotações e uma caneta, fui para a sala e comecei a escrever.
De fato, aquele era um ótimo dia.
Respirei fundo, agarrei-me aos meus instrumentos de trabalho e disse:
- Vamos lá!
E fomos.
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Oi, gente! Como vão vocês? Bem? Espero que sim, porque eu estou muito bem. Ainda mais depois desse capítulo em que o Fernando tenta voltar a escrever! Amém, irmãos! \o/ ouvi os anjos cantando, até! Rs vamos ver o que vem pela frente, sim?
Maaas, antes que eu esqueça, eu tenho alguns avisos para dar pra vocês.
1. Dia 25 (quinta-feira) Dê-me amor completa 7 meses de vida! 👏🎉👏🎉👏🎉 vou tentar fazer alguma coisa pra comemorar. Talvez um capítulo bônus, sei lá. Vou pensar.
2. Estou em fim de período e arranjei um emprego como professora de cursinho pré-vestibular (Deus me ajude, porque eu nunca dei aula na vida. 😓), por isso vou tentar ao máximo não atrasar nada por aqui, tudo bem? Mas se acontecer, vocês já sabem o motivo. :)
3. Sei lá! Sou uma pessoa estranha que gosta de ter mais de dois tópicos. Haha (é sério. 😶)
Então é isso, meus amores. Caso eu tenha mais alguma outra coisa pra dizer, eu faço isso no próximo capítulo. ;)
Espero votos e comentários. :)
Beijos de luz,
Allana. ❤
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Dê-me amor
RomansaFernando Garcia é um escritor que já fora famoso, mas agora, devido à toda a sua crise de bloqueio criativo, que já dura nada mais que cinco anos, se vê falido, afundado em dívidas e no álcool, seu atual companheiro a quem confia suas mágoas e princ...
