O jantar estava indo ridiculamente bem. Nós estávamos sorrindo das caretas que a tia Milena fazia ao ouvir alguma piada sem graça do tio Alberto. E a comida estava ótima, muito obrigado. Tudo estava maravilhoso, é verdade, mas acho que isso se devia ao fato de ainda não termos mencionado nenhum envolvimento amoroso entre Elisa e eu.
Na verdade, eu tinha certeza disso.
Elisa estava tensa, eu via isso na forma como ela olhava vagamente para os lados quando o tio Alberto perguntava alguma coisa para ela. É claro que o tio Alberto percebeu que havia alguma coisa ali que não ia bem, ele franzia o cenho quando percebia o desvio de olhar da neta, porém não deixava que isso o aborrecesse. A tia Milena, por sua vez, apenas observava, fato que me deixou um pouco tenso, porque ela tinha aqueles olhos azuis como os da neta que pareciam ler a minha alma.
E foi tudo isso que fez eu segurar a mão de Elisa por baixo da mesa, afim de nos apoiarmos um no outro, caso as coisas não dessem certo como acreditávamos que dariam.
— Então, temos algum motivo especial para este jantar ou é apenas um jantar de rotina? — tia Milena perguntou, como se soubesse que aquele jantar não tinha nada de rotineiro, ainda mais com Elisa vestida daquela forma.
Senti-me desconfortável e me ajeitei na cadeira. Não estava sendo nada fácil ter que presenciar todos os homens que se encontravam no recinto cravando os olhos nas costas expostas de Elisa. E o pior de tudo é que eu não poderia fazer nada em relação a isso, pelo simples fato de que não éramos um casal aos olhos dos avós dela.
Se eu já estava um tanto quanto irritado antes, imagine com a tia Milena fazendo essa pressão toda.
Tomei um gole da minha água. Eu estava nervoso, admito. E o olhar da tia Milena apenas me fazia mais nervoso ainda.
E Elisa pensando que o tio Alberto seria o problema.
— Bem, sim, temos uma notícia para dar — Elisa respondeu a avó com seriedade. Tio Alberto pareceu interessado na conversa.
— Qual notícia? — perguntou, curioso — Espero que não seja algo ruim, como você voltar para os Estados Unidos. Ou voltar para o... — Tio Alberto tomou uma expressão de puro horror. — Eu espero que você não tenha voltado para o Bruno, Elisa. Se você o tiver feito, vou achar que você é realmente desequilibrada!
Só a menção disso fez meu coração doer. Imaginar a Elisa nos braços de alguém como o Bruno, um cara que eu nunca vira na vida, mas que já tinha o meu ódio, foi algo que fez a minha raiva borbulhar.
Acho que Elisa percebeu o que eu estava sentindo, porque ela me olhou com cautela e acariciou minha mão, fazendo círculos com o polegar com a intenção de me acalmar. Estava funcionando. Então, ela olhou para o avô de forma a transmitir o quão estúpida fora aquela insinuação.
— Por favor, vovô, eu pensei que já havia deixado bem claro que eu não sou nenhuma idiota para voltar com alguém como o imbecil do Bruno. — Elisa revirou os olhos, indignada. Vi o tio Alberto suspirando de alívio. — E, antes que o senhor pergunte novamente, não, eu não estou voltando para os Estados Unidos. Eu quero aproveitar a minha família, tudo bem?
Tio Alberto sorriu com isso, mas logo franziu o cenho, provavelmente levantando algum questionamento silencioso.
— Então, qual é a novidade? — perguntou, finalmente, expondo suas dúvidas — O Fernando deve fazer parte desta novidade, então. Já que ele está tão silencioso e eu sei o quanto ele é curioso.
Então, se eu tinha dúvidas sobre não conseguir enrolar o tio Alberto, elas foram totalmente dizimadas nesse momento.
— Então, tio Alberto, tia Milena... — engoli a seco. Isso era mais difícil do que eu imaginava. Bebi mais um gole de água, desejando que fosse vinho, e respirei fundo. Deus me ajude. — Elisa e eu... bem, nós estamos namorando.
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Dê-me amor
عاطفيّةFernando Garcia é um escritor que já fora famoso, mas agora, devido à toda a sua crise de bloqueio criativo, que já dura nada mais que cinco anos, se vê falido, afundado em dívidas e no álcool, seu atual companheiro a quem confia suas mágoas e princ...
