"O amor é o calor que aquece a alma."
[Do Seu Lado, Nando Reis.]
Eu ainda estava extasiado por sentir os lábios dela colados aos meus. Era como se eu estivesse sendo preenchido com felicidade e ela nunca fosse o suficiente, porque ela crescia e crescia, mas nunca chegava ao limite. Era como olhar para o céu estrelado e imaginar que aquelas estrelas que estavam ali não eram nem metade das que existem. Era como alcançar a iluminação, mesmo sem ser Buda. Era como se todas as flores desabrochassem ao mesmo tempo em pleno inverno. Era como se o Sol e a Lua se fundissem.
Era tudo. E ao mesmo tempo não era nada.
Então é isso que é felicidade?
Sentir o seu peito se expandindo ao infinito e além? Sentir as suas pernas tremerem em antecipação ao próximo gesto? É sentir que você vai voar a qualquer momento, mesmo sabendo que isso é impossível? É sentir que a sua cabeça deu uma volta de 360 graus, mesmo sem ter feito volta alguma? É sentir faíscas nos dedos, choques no estômago e falta de ar?
Felicidade é isso?
Sentir um calorzinho no coração, que faz todo o seu corpo se aquecer em dias frios?
Ou será que isso é amor?
Elisa interrompe o beijo e encosta a sua testa à minha. Estávamos ambos ofegantes e felizes, porém, havia confusão na face de Elisa. Afinal, eu havia acabado de dizer que não queria magoá-la por nos envolvermos dessa forma. Eu havia dito que isso nem sequer poderia acontecer.
- O que você está fazendo? - ela perguntou quando conseguiu recuperar o fôlego.
- Eu não me perdoaria se você saísse por aquela porta pensando que eu sou um covarde. - respondi, apertando-a em meus braços. A confirmação de que ela estava ali, abraçada à mim, fez um sentimento desconhecido invadir o meu peito. - Eu não vou conseguir deixá-la livre de mim, mesmo sabendo que é o que eu deveria fazer. Porque se você atravessasse aquela porta, eu estaria condenado para sempre.
Elisa e eu nos encaramos pelo o que pareceu uma eternidade. Ela exibia um sorriso tímido, que fez os meus lábios reinvindicarem os lábios dela mais uma vez. E mais outra. E mais outra. E então nos abraçamos, aproveitando a felicidade que nos cercava.
- E agora? - ela me perguntou, um pouco preocupada.
Essa é a pergunta que eu tenho me feito desde o momento em que nossos beijos cessaram.
O que acontece agora?
Eu não sabia bem como responder a essa pergunta. Eu só sabia que nada seria capaz de me afastar de Elisa. Não quando tudo o que eu queria era tê-la em meus braços para sempre.
- Eu não sei. Isso depende de você. - eu respondi por fim, o que fez Elisa olhar para mim, como se eu tivesse acabado de falar alguma blasfêmia. - Você sabe que eu não sou inteiro, Elisa. Você sabe disso mais do que ninguém. E eu não vou prometer que vamos ser felizes para sempre, como nos contos de fadas bobos que existem por aí. Você sabe que eu sou uma pessoa complicada. Você conhece os meus problemas e as minhas aflições. Então depende de você, Elisa. Você quer ficar comigo mesmo sabendo que pode sair dessa história de coração partido? Mesmo sabendo que uma pequena parte minha ainda é assombrada pela Alice? Mesmo sabendo que eu sou alcoólatra?
Elisa respirou fundo e tocou a minha face, traçando os seus contornos com os dedos. Ela exibia uma áurea de paz que me assustava e me preenchia ao mesmo tempo. Ela me fez sentir a paz que se projetava de sua alma. Ela me fez sentir o seu amor por mim, bem ali, nas pontas dos seus dedos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Dê-me amor
RomanceFernando Garcia é um escritor que já fora famoso, mas agora, devido à toda a sua crise de bloqueio criativo, que já dura nada mais que cinco anos, se vê falido, afundado em dívidas e no álcool, seu atual companheiro a quem confia suas mágoas e princ...
