cap 2

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Após dar uma olhada mais aprofundada em seu quarto e verificar se a janela havia se trancado (e não tinha) ela saio do aposento com um vestido branco com detalhes amarelos formando belas flores em todo o tecido, que achara no baú ao pé da cama.

A porta dava a um corredor iluminado por castiçais e terminava em uma escadaria para baixo.  "Ao menos não estou no porão." Pensou enquanto descia a escada segurando no corrimão de madeira bem polido.

As escadas davam a uma sala de estar sombria, não apenas pela pouca luz, mas pela própria aura do ambiente que emanava uma escuridão aterradora. A garota sentiu calafrios percorrendo sua espinha apenas de estar lá. Resolveu subir novamente a seu quarto até que ouviu um som atrás de si, ficou paralisada de medo, ouvindo apenas sua respiração que se acelerava cada vez mais.

-SAAIA! _ uma voz grave foi tudo o que ela ouviu antes da porta ser escancarada e ela sair correndo em direção a floresta.

Estava assustada de mais para parar ou olhar para trás ou mesmo gritar, mas agora que seus batimentos estavam voltando ao normal ela enfim se dera conta de que estava perdida, perdida no meio de uma floresta da qual havia recebido instruções específicas de não entrar.

E como em um conto de horror as árvores pareciam querer tapar todo o sol para que tudo o que lhe restasse fossem as trevas, o vento soprava fazendo o barulho de um assobio causando calafrios, ela percebera agora que estava descalça, mas se pôs a caminhar com os pés já sujos de terra.

Conforme caminhava, o dia virou noite ou talvez ainda fosse dia e ela que não conseguia ver por causa das grandes árvores, estava cansada e não comera nada o dia inteiro, por fim se sentou ao pé de uma das árvores para descansar. Talvez pelo cansaço da caminhada ou pela falta de força de não ter se alimentado a manhã toda, mas estava tão fraca que adormeceu ali mesmo.

.......

- quem é você? _pergutava uma garotinha em um casaco branco de neve.

- me chame de Mor, o que faz aqui? Esse lago é perigoso, você poderia se machucar. _ a garotinha olhava divertida a alguém de capuz preto que apontava para o lago congelado onde estavam.

- Oi Mor, eu sou Haya _ a menininha dá um enorme sorriso mostrando todos os dentes. A Mulher de capuz riu fracamente ao ver o dentinho que faltava na criança.

- o que faz aqui? _ repetiu a mulher

- brincando, papai não gosta de sair no Natal então eu vim sozinha. _ a menininha estava visivelmente envergonhada de admitir seu feito.

- venha eu te levarei para casa. _ a mulher estende a mão que é pega pela garotinha sem pestanejar e as duas saem andando calmamente pelo gelo.

A mansão não era tão longe e mesmo que bem vigiada elas entraram sem chamar atenção, meio atordoada e sem realmente saber como chegou até lá a garota agora estava no corredor principal de sua casa ainda segurando a mão de sua nova amiga.

- ficará bem estando aqui, tome cuidado criança.

- você não quer ficar um pouco e brincar...

- senhorita Haya, ainda bem! Não a encontrava em lugar algum! Onde estava?! _um homem velho vestindo um fraque elegante corria ao encontro da garota, parando a sua frente e arrumando os cachos que uma vez já foram pretos, mas agora estavam mudando para cinza.

- eu tava com minha amiga, esta é Mor! _a garota fala animadamente apontando para seu lado em que agora não havia nada.

O mordomo levantou uma sobrancelha, mas entrou na "brincadeira" cumprimentando sua nova amiga imaginária.

 A Amante Da MorteOnde histórias criam vida. Descubra agora