cap 5

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Tay, um jovem rapaz muito falante que infelizmente morreu jovem e que por qualquer motivo seu espírito estava na casa da Morte.

- bom eu sou basicamente o DIARISTA dessa casa! _ Tay falou alto o suficiente para Morte ouvir da outra ponta da mesa.

- não seja ingrato ou te deixo nos portões do tártaros. _fala a morte calmamente antes de dar uma mordida em sua comida.

- claro claro, e depois o quê? Vai começar a limpar essa casa sozinha?! Isso eu quero ver.

Haya assistia a conversa quieta na lateral da mesa enquanto comia o quanto aguentasse, nunca havia visto tanta fartura e não iria desperdiçar com conversas fúteis, ao menos não antes de terminar seu café.

- bem, então querida, poderia nos contar o porquê de ir até a floresta? _ Morte tinha terminado sua refeição e agora olhava atentamente para a garota que estava com a boca toda lambuzada de calda.

- bem, eu...

Os dois ouviram atentamente a história, a voz, a corrida sem rumo, a fera.

- falando nisso, como me achou?

- estava te procurando até sentir "sua morte próxima" _ falou fazendo aspas com os dedos, ela não parecia se divertir com piadas de morte, entretanto Tay dava boas gargalhadas deixando o clima mais descontraído.

Ao ver que o intendimento não chegava na garota, morte prosseguiu.

- bem, eu sou responsável pela terra, sinto quando está chegando a hora das pessoas morrerem, mas não tenho tempo de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, por isso tenho meus ceifadores, na maioria são eles que acompanham a alma dos mortos e assim eu posso ter um tempo para mim.

- Aqui não é a terra como já deve ter notado, não sei como te explicar sobre este lugar, mas é onde seres como eu ficamos, vez o outra saímos e somos vistos é assim que surgem suas lendas.

- Neste local, você não tem uma hora de morrer e por isso está segura, entretanto ainda é mortal e pode morrer a qualquer momento por qualquer criatura. E se isso estiver perto de acontecer eu vou sentir e vou impedir tem minha palavra!

Haya se assustou levemente, dar sua palavra a ela? A ela que não tinha nada?! Nem um lar, uma vida, nada especial?!

- porquê... Me trouxe aqui?

- creio eu que já lhe disse _morte levantou uma sobrancelha.

- ho por favor, tenha piedade da pobrezinha e fale de uma vez! _Morte rolou os olhos, mas se pôs a falar, Haya teria de agradecer Tay mais tarde.

- pois bem, pensei que você poderia ajudar Tay com a casa, suas reclamações estão me aborrecendo.

- ei! Profundamente magoado eu aqui _Tay fingia tristeza dramaticamente levando uma mão ao peito. O que fez Morte rolar os olhos novamente.

Haya queria reclamar, queria exigir uma explicação mais decente, não iria acreditar que a própria morte teve todo o trabalho de trazê-la até aqui apenas para dar uma ajuda na limpeza da casa, mas novamente se pôs em seu lugar, o que iria fazer se a irritasse? Não tem aonde ir e de jeito nenhum voltaria as ruas imundas de onde veio se tinha a chance de ficar em uma casa e ter um sustente.

- entendo _ foi tudo o que disse.

O restante do dia foi gasto aprendendo sobre a casa e onde ficava cada coisa nela, Morte havia saído após o café provavelmente para seu "trabalho" e Haya não conseguia parar de pensar como ele deveria ser.

- e este aqui é o banheiro, ainda que eu não use temos de limpa-lo. _já era o quinto cômodo que ela via, sendo a sala, cozinha, quarto dela e de Tay e agora o banheiro.

- desculpe, mas e o quarto da Mor?

- da Morte? Ela não gosta que entrem então se tem amor a sua vida é melhor não desobedecer a essa regra _falou sério e depois caiu na gargalhada pela piada que fez.
- Não se preocupe, você vai se acostumar com isso aqui.

 A Amante Da MorteOnde histórias criam vida. Descubra agora