Cap 18

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Eu ia matar o Ruggero.

Mas antes de matá-lo com minhas próprias mãos, eu iria torturá-lo das piores formas possíveis.
Ele iria sofrer e eu iria rir da cara dele.

Não dava para acreditar que ele estava folheando meu antigo álbum de fotos, rindo como um boboca e fazendo comentários sobre como eu era baixinha demais para a minha idade.
Babaca!
Além de tudo – como se isso ainda fosse pouca humilhação – Vovó Margô, aquela traidora, ainda lhe mostrara uma foto de quando eu era bebê e estava pelada dentro de uma banheira rosa com um sorriso enorme e sem nenhum dente na boca.

Ruggero pegou a foto nas mãos e depois olhou pra mim.

─ O mesmo sorriso. – Comentou.

Vó Margô se curvou para frente para ver melhor e depois sorriu.

─ Ela sempre foi assim e sempre teve esse sorriso lindo. Não acha, Ruggero?

Senti minhas bochechas queimarem e desviei o olhar quando Rugge olhou pra mim.
Eu queria sumir dali.
Sumir logo.

─ Eu acho que é o sorriso mais bonito que já vi. – Ouço- o dizer e me viro para olhá-lo, mas ele está fitando a foto e um sorriso discreto riscava seus lábios finos.

Não consigo frear uma sensação doce que se expande pelo meu peito e acabo relaxando os ombros.

Mas logo em seguida ajeito minha postura e pigarreio.

Aquilo já estava indo longe demais.

─ Ruggero... – Tossi. – Acho que precisamos ir, de verdade. Você tem uma reunião mais tarde, lembra?

Ele estreita os olhos pra mim.

─ Eu tenho?

─ Claro que tem! – Afirmo, mas é mentira. Eu só queria sair dali. – Você nunca se lembra!

Vó Margô alisa sua longa saia e pega o álbum que está no colo dele, depois me olha.

─ Ela só está constrangida. – minha avó diz para Ruggero, mas eu ouço. ─ Depois você volta aqui e eu te mostro as fotos das festas juninas. Nossa, são as melhores!

─ Eu vou ado...

Nem deixo ele acabar de falar, pois puxo seu braço para que se levante logo e me ponho entre os dois.

Já chega de passar vergonha!

─ Precisamos mesmo ir. – Enfatizo. – Mas eu volto depois, tá? – Digo a vó Margô e puxo-a para um abraço. – Eu amo a senhora. Sabe disso, né?

Ela alisa minhas costas e me dá um beijo estalado na bochecha.

─ Eu sei, minha querida. Também te amo. E amo sua irmã também. Aliás, diga para ela vir aqui, quero muito vê-la!

Assinto.

─ Tome os remédios!

Vovó revira os olhos, mas sei que vai acatar ao meu pedido.

─ Pode deixar. – Diz por fim e então estica o pescoço para olhar pra Ruggero que está atrás de mim. – Cuide dela, por favor, e apareça aqui quando puder. Gostei muito de você, rapaz.

O traidor do meu chefe me empurra um pouco para o lado e vai abraçar à traidora da minha avó.

Não consigo negar que eles parecem muito entrosados e que ele aparenta realmente ter gostado dela e vice e versa; é como se se conhecessem há muito tempo.

─ Eu juro que volto, Vovó. – Ele lança uma piscadela para ela quando já estamos saindo.

Dou um beliscão no braço dele quando cruzamos o portão da entrada e ele para pra me encarar.

LuxúriaOnde histórias criam vida. Descubra agora