— Já que o senhor sabe de tanta coisa, deve saber também que Zach é meu psicólogo. - ele franze o cenho e cruza os braços, não acreditando ou, possivelmente, desconfiado do meu argumento.
— Ele faz consultas a domicílio? - suas sobrancelhas se levantam, expressando curiosidade e desafio.
— Desculpa, Sr. Rivera mas o que o senhor tem a ver com minha vida pessoal e profissional? - Zach o responde ríspido. Seu maxilar se tenciona, ele está irritado. — Agora se o senhor não se importar, eu e minha paciente vamos sair para dar uma caminhada, temos muito o que conversar. - sem dizer mais nem uma palavra, ele abre caminho para passarmos.
O agradeço e, assim, depois de toda essa frustração, seguimos nosso rumo. Era só o que me faltava, uma pedra no meu sapato. Não sabia que o Sr. Rivera era um cara tão estúpido e ríspido assim. Quis soca-lo por ser tão invasivo. O tempo está ameno, a brisa é leve mas o suficiente para sentir um friozinho. Poucas pessoas caminham ali, no Central Park, alguns casais e pessoas fazendo sua caminhada do dia a dia. Preciso voltar as minhas atividades físicas.
— Você sabe que ele é seu sogro né? - eu e Zach andamos lado a lado, o olho e noto sua expressão totalmente leve e despreocupada.
— Não tenho uma relação assumida com a filha dele - ele me olha — ou seja, ele não temos nenhum tipo de vínculo"familiar". - reviro os olhos.
Como ele e Gwen não tem uma "relação assumida" sendo que eles vivem juntos, saem como um casal e se comportam como um, não faz sentido pra mim. Talvez faça para ela que nunca engata firmemente em algum relacionamento, só pula de um para outro, como se fosse algo normal. Mas é o jeitinho dela, quem sou eu pra julgar.
— Você não se sente mal por isso não? - pergunto. Paro e espero ele dizer algo. Ele da mais dois passos antes de parar e olhar para trás. — Enganar uma pessoa, dar esperança a ela e agir como gostasse, realmente dela. - ele passa a língua nos lábios e retoma seus dois passos dado, ficando de frente para mim. Eu só preciso saber o que se passa, o que tá acontecendo.
— Me sinto mal por não dar o que ela, de fato, procura. - diz. O olho se entender, com uma ruga de preocupação devido ao seu tom de voz. — Jade, com quantos caras a Gwen já se envolveu durante esse espaço de tempo que vocês se conhecem? - pergunta. Tento pensar em cada um rapidamente. Minha amiga já se envolveu com tantos que sempre deixo escapar alguns, por esquecimento.
— Foram muitos, ela nunca conseguiu se fixar com um só. - digo, sem revelar a quantidade. Pra que expor ela dessa maneira.
— Pois então, você nunca notou que ela tenta, a todo custo, suprir a ausência do pai?! Mas suas tentativas são falhas, dessa forma, ela vai pulado de um relacionamento pra outro. - não consigo pensar em nenhum argumento para protestar. — A Gwen vive em uma bolha, ela grita, implora por atenção. Porém essa atenção, esse afeto que ela busca não é de um homem na posição de namorado, marido, mas sim de um homem na posição de pai. Ela busca, clama por um amor que só um pai pode dar ao filho. - minha cabeça gira com tanta informação, como eu não percebi isso antes. Tudo faz sentido. — Ela, como qualquer outro ser humano, tem desejos carnais, como sexo, beijos e carícias, e é normal. Mas, no geral, o que ela quer quando se envolve com alguém, seja amorosamente ou até mesmo amigavelmente, é o amor e atenção que ela não teve naquele tempo, em que seu pai sumiu, em que ele estava ausente. - volto a caminhar em passos lentos.
Estou atordoada, me sentindo uma idiota por não ter notado isso antes. Pra mim ela era uma maníaca que gostava de sair e se relacionar com muitos homens. Mas, por outro lado, tudo faz sentido. Algumas vezes eu cheguei até pensar nessa hipótese, com Theodore, ele e seu jeito imaturo e machista de ser, pela ausência da mãe e Gwen, minha pobre garota, carente e doida por atenção, pela ausência do pai.
Olho para meus pés e para os cascalhos e galhos de arvores caídos no chão.
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O Despertar
RomanceVocê já escutou aquela frase que diz: "Nem todo mundo é quem diz ser"? Pois bem, assim é Jade Cooper, uma jovem adulta que se diz tão forte, extrovertida, cercada de amigos e feliz consigo mesma, e que na verdade é tão frágil e traumatizada. Ela bu...
